O dia em que presenciei a realeza de Mrs Carter

Singer Beyonce performs on her "Mrs. Carter Show World Tour 2013," on Tuesday, September 17, 2013 at the Estadio Nacional in Brasilia, Brazil. (Photo by Nick Farrell/Invision for Parkwood Entertainment/AP Images)
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry

Uma palavra que tenho ouvido muito desde terça-feira é “Sortuda!”. Até eu continuo sem acreditar no tamanho da minha sorte. O motivo? Não somente um, mas vários: realizei o sonho de ir em um show da Beyoncé, fui escolhida para o Bey Stage, vi ela cantar a centímetros de mim e, por um breve instante, consegui descobrir que ela é real ao tocar nela por milésimos de segundos. Tudo isso em uma só noite, 17 de setembro de 2013, a última noite da Mrs. Carter World Tour no Brasil. Mas vamos voltar um pouco, mais precisamente ao início do dia.

Pulei da cama – literalmente – às 6:30, juntei minhas coisas e parti em uma van com cerca de 15 pessoas de Goiânia rumo à Brasília. Durante a viagem, fiquei quase que o tempo todo em silêncio, primeiro porque ainda não conhecia as pessoas com quem eu viajava, e nessas situações sempre fico muito calada, segundo porque eu desenhava na minha cabeça o como eu imaginava que seria minha noite. Nem nos meus melhores momentos de imaginação eu consegui chegar perto do que realmente me aconteceria.

Chegamos à Brasília por volta de meio dia, o grupo se separou, eu e mais duas meninas seguimos para a fila não muito grande do Early Entry no portão 8 do Estádio Nacional, conforme indicações enviadas por e-mail. Pelas minhas contas, que mais tarde se mostrariam corretas, a fila até então tinha pouco mais de 100 pessoas. Tomando como base as dimensões do palco, vi que seria possível ficar na grade, meu principal objetivo até então.

De acordo com as instruções enviadas por uma pessoa chamada Emily, que mais tarde se mostraria uma das pessoas mais fofas da equipe, ela, juntamente com a Ivy e a equipe VIP, passariam na fila por volta de 12:30 e depois novamente às 15:30. Enquanto aguardávamos, tive a oportunidade de conhecer muita gente, gente boa, de diversos lugares do Brasil: Fortaleza, Brasília, Bahia, mais gente de Goiânia e assim vai – essa é a parte boa das filas de shows. Uma dessas pessoas, já havia estado em outro show da Mrs. Carter World Tour. Ele compartilhava conosco as experiências do outro show, e isso só fazia aumentar a ansiedade para finalmente fazer parte dessa experiência. Eram por cerca de 12:20 quando vimos um grupo saindo de dentro do estádio, foi então que o rapaz citado lá em cima nos disse que a pessoa de preto era a pessoa que tanto esperávamos, Ivy. Nossa felicidade ao vermos a Ivy tinha dois motivos: muitos esperavam o credenciamento para poderem sair para almoçar e, depois do credenciamento, estaríamos um passo mais perto de fazer parte oficialmente do público da Mrs. Carter World Tour. Emily, Ivy e o restante da equipe nos deram algumas informações necessárias, e ficamos na expectativa do credenciamento. Porém, alguns minutos após chegarem à grade para conversar conosco, eles voltaram novamente para dentro do estádio. Nos restava então esperar, ninguém ousava sair do seu lugar na fila para almoçar ou comer qualquer lanche rápido enquanto não tivesse com a pulseirinha no braço; eu era uma dessas. Eu só havia levado coisas doces para comer, o que para mim é muito importante em caso de alguma crise de hipoglicemia que eu costumava ter, porém, almoço ou qualquer coisa salgada era essencial e aquela demora no credenciamento acabou com meus planos de boa alimentação.

O sol de Brasília estava simplesmente muito quente, ficamos ali por mais horas e horas, em pé e quase que torrando no sol. Depois de algum tempo, vimos ser trazidas mesas e cadeiras para perto do portão, e a esperança renasceu. Aquilo foi só para alegrar mesmo, pois a equipe demoraria um bom tempo para retornar. Não sei dizer exatamente o momento do retorno e início do credenciamento, porém chutaria lá para as 16:30. As pulseirinhas de cor roxa começaram a serem distribuídas e numeradas. Recebida a pulseira, outra fila deveria ser formada do outro lado em ordem numérica para podermos entrar. Meu número foi o 113, que a partir de então tornou-se meu favorito, e meu número da sorte.

933980_677942372233735_1933074978_n

Entramos e esperamos por um tempo do lado de dentro da grade porém na área externa do estádio, a partir daquele momento já estávamos com meio pé no show. Após a entrada, me veio a informação de que, depois de adentrar o local, não seria permitida a saída, algo um tanto quanto óbvio, que, confesso, me deixou um tanto preocupada pela minha falta de almoço. Eu não queria ter que me retirar do show por passar mal, seja qual fosse o motivo, mas preferia estar ali do que do lado de fora. Feita a fila na área externa do lado de dentro, presenciamos uma atitude completamente digna de reconhecimento de agradecimentos por parte da Emily, a única dali que falava português – mas que pelo sotaque ficou claro não ser brasileira – e que disse ao segurança que achava melhor nos levar para esperar na área interna do estádio pois estava preocupada conosco esperando naquele sol quente. Confesso que esse foi o momento que comecei a achar ela fofa, mais ainda teriam outros que completariam os momentos fofíssimos dela. Em grupo de cerca de 20 pessoas de acordo com a ordem numérica, fomos levados para a área interna do estádio, e fizemos uma fila próxima à entrada. Agora, já tínhamos um pé inteiro no show, só faltava o outro.

Aguardamos em fila e por horas a fio novamente. Ficamos ali conversando, na fila de shows todo mundo parece se conhecer a muito tempo, e essa é a energia e experiência boa que curto presenciar. Um dos seguranças puxou conversa comigo, e consegui ali as primeiras informações do show. Minutos antes de finalmente colocarmos a metade do outro pé para dentro do estádio, Ivy passa pela fila e anota números das pulseiras de algumas pessoas, mas ninguém até então tinha noção do que seria aquilo; mal sabiam eles que aquela anotação lhes renderiam um momento mágico. A entrada do Early Entry que estavam marcada para ocorrer às 16:30 deve ter ocorrido lá para as 17:30, não sei exatamente, mas acredito ter sido por volta deste horário. Passávamos pelo local, entregávamos o ingresso, e tínhamos agora um pé e meio para dentro do show; faltava meio pé, porque mesmo depois de entregue o ingresso, formávamos outra fila na rampa de acesso ao gramado. Porém essa terceira fila logo se desfez e a correria foi total. Ali ninguém lembrava de amigos na fila, o importante era chegar o mais rápido possível, garantir o melhor lugar e aí sim se lembrar “Onde será que fulana/o está?!”. Eu corria o mais rápido que pude para a situação, mas era complicado, o número de pessoas correndo tão próximas umas das outras era sempre um risco a mais; a rampa parecia interminável, tinha voltas que apareciam do nada e alguns desníveis que seriam facilmente motivo de queda. Quanto mais se corria, menos se enxergava o final; vi algumas pessoas caírem e uma caiu na minha frente, parei para levantá-la. Quando cheguei, notei que do lado esquerdo, o lado que tínhamos acesso assim que chegávamos. A grade já estava um pouco cheia e avistei dois meninos que estavam comigo na fila. Fui para perto deles, e novamente a sorte sorriu para mim. Um outro rapaz que estava do lado deles saiu da grade para ficar com um amigo em outro local e, assim, ganhei espaço na grade do lado esquerdo do palco, bem em frente à BeyHive Pit, e essa teria sido minha visão:

1277433_382629458531444_236991156_o

Recuperada da correria, era hora de repor as energias: R$ 6,50 em um copo de água e R$ 10,00 em um saquinho de Ruffles pequeno – nem pensei no preço, só no tanto de sal que tinha ali dentro e que me faria feliz substituindo meu almoço. Fiquei ao lado dos dois meninos da fila que citei – do meu lado direito – e de um trio com dois meninos e uma menina – do meu lado esquerdo -, trio esse que mais tarde estariam comigo no B’Stage. Poucos minutos depois que tínhamos chegado, Emily e Ivy aparecem e começam a pegar o pessoal que tinha o número das pulseiras anotados. Foi então que tivemos certeza: aqueles foram os sortudos escolhidos para o BeyHive Pit. Ao perceber do que se tratava, as pessoas foram a loucura e gritavam “Ivy!” e “Emily!” a todo instante, tentando garantir o seu lugar. A princípio, eu estava tentando ajudar um dos meninos do meu lado direito que havia dito que a Ivy havia anotado o número dele, sem resultado. Os dois meninos do meu lado esquerdo foram chamados, e a menina ficou. Sempre que a Ivy passava perto de mim, eu olhava para ela com a cara mais pedinte que eu tenho e implorava dizendo “Please, me, please!”, sem resultados, ela nem olhava para mim. Esse “sem resultados” começou a me deixar nervosa – não no sentido de raiva, mas no sentido de ansiedade – por mais que eu não tivesse feito planos para ser escolhida, por mais que eu não tivesse desenhado aquilo na minha cabeça, naquele momento eu queria por tudo estar lá dentro. No que seria a última vez que a Ivy viria para o meu lado, ela veio com um rapaz moreno, rapaz que eu adoraria descobrir o nome para agradecê-lo o resto da minha vida, mas até agora minhas pesquisas não revelaram nada. Ivy e este rapaz pararam a alguns centímetros de mim e tentaram conversar com duas garotas que pareciam não entender o que diziam. Eu e a garota do meu lado esquerdo estendemos a mão para o lado em que eles estavam, tanto a minha mão quanto a dela tremiam muito. A Ivy continuou tentando contato com as garotas, e o rapaz andou para o nosso lado, nossas mãos continuavam estendidas e tremendo muito, e quando ele chegou mais perto, ele segurou nossas mãos, eu coloquei minha outra mão em cima da dele, olhei para ele e disse quase que com cara de choro “Please!”, ele não disse nada, esperou a Ivy chegar, ela veio por trás dele, olhou para mim e disse “You, come!”, o rapaz que segurava nossa mão disse “You both!”, e, ainda segurando nossas mãos, olhou para mim e para a menina do meu lado. Aquilo era bom demais para ser verdade, aquilo parecia tão impossível para mim, porém, estava acontecendo. Um dos meninos do meu lado direito chegou na fila para a entrada do Bey Stage e disse “Ivy, why don’t you love me?” e foi então que tive mais um momento fofo de Emily: ela começou a cantar Why Don’t You Love Me, acho que a Emily chamava tanto a atenção porque em um grupo onde todos são muito sérios, ela era a mais descontraída de todos.

Não demorou mais que dois minutos aquela fila, mas para mim pareceram horas, ainda mais porque Ivy e Emily discutiam algo em um inglês tão baixo que se fez incompreensível para mim, e comecei a ficar com medo de que me mandassem de volta. Me acalmei quando a Ivy gritou para um dos seguranças “Just til her!”, se referindo ao pessoal que se encontravam atrás de mim que não haviam sido chamados, mas que porém tentavam entrar. Eu fui tão a última das últimas, minha sorte naquele dia estava tão grande, que quando chegou minha vez, não tinha ao menos a pulseirinha vermelha que todos estavam ganhando, ou seja, eu realmente fui a última das últimas. Em frente ao palco principal, Emily virou para todos os escolhidos e disse algo mais ou menos assim “Gente, nada de jogar coisas no palco, nada de puxar ela por favor, vocês devem ter visto o que aconteceu em São Paulo, então por favor, não nos faça arrepender de ter colocado vocês ali!”. Quando cheguei no B’Stage, os lugares bons ao lado do palco já estavam tomados, me restou apenas o canto esquerdo, bem próximo ao ventilador. A proximidade com o ventilador era tão grande que quando ele foi acionado para teste eu quase repeti uma cena marcante da Mrs. Carter World Tour e por pouco, não prendi meu cabelo nele. Segurei o cabelo e ouvi algumas risadas de pessoas atrás de mim que perceberam o que quase aconteceu, um dos meninos que haviam vindo comigo de Goiânia gritou “Cuidado, hein, já aconteceu antes!”.

O Bey Stage é um dos locais mais confortáveis que fiquei até hoje em shows, até mesmo porque nunca tive dinheiro suficiente para pagar área VIP. O local é espaçoso, você pode se movimentar completamente, as cadeiras são livres para uso, e o melhor de tudo, não há a separação entre o palco e você, lá estava eu, com a cabeça deitada em cima do placo onde horas depois Beyoncé pisaria. Durante o show eu poderia facilmente se eu quisesse fazer todas as coreografias, pois o espaço livre me permitia isso, tive que me controlar em diversos momentos.

Faltavam apensa algumas horas para o início do show, eu ainda parecia não acreditar, só de estar no show já era inacreditável, agora, estar ali, era ainda mais incrível. Apesar de ter cadeiras disponíveis para que pudéssemos sentar, quem estava do lado do palco não arriscava sair, tanto que mesmo com as cadeiras, quando quisemos sentar, sentamos no chão encostados no palco. Eu torcia para quem alguém sentasse ou saísse do lugar, assim eu poderia ficar em um lugar melhor ainda, mas isso não aconteceu.  As horas passavam, e eu não via a hora do show começar.

Com um atraso considerável o show de abertura com o DJ Maestro Billy começou, e foi com uma das minhas músicas favoritas: Holy Grail. Como grande fã de Rap e Hip Hop e de artistas como Eminem, Wiz Khalifa, Kanye West e claro, Jay-Z, fui a loucura com aquela abertura, e enlouqueci mais ainda quando começou Billie Jean, quando tive que me controlar para não fazer um Moonwalk. Ainda durante o show de abertura, começamos a sentir gotas de chuva caindo, era pouco, mas já deu para assustar, notar as caras de espanto e ouvir as frases “Não acredito que vai chover!”. Pouco depois do fim do show de abertura, a chuva já estava muito forte, todo mundo encharcado, o show atrasado e as caras de alguns fechadas.

Com a chuva cada vez mais forte, o comentário que prevalecia no Bey Stage era: “Com essa chuva ela nunca virá aqui debaixo dessa chuva!”. O tempo passava, a chuva aumentava e nossas caras de tristeza também, com aquela chuva achávamos que não veríamos Beyoncé tão de perto quanto esperávamos. Com algum tempo de atraso, muitos rodos e toalhas brancas passadas no palco tentado secá-lo. Quando ninguém esperava, começa o toque de I Been On e o vídeo de abertura. Foi o suficiente para esquecermos de tudo e simplesmente gritarmos.

A abertura é sempre um momento especial, ainda mais o vídeo de abertura do show conforme muitos puderam conferir no Rock In Rio. Cria-se uma expectativa na platéia, o vídeo de pouco tempo parece ter horas, nada de Beyoncé aparecer, a sensação é de a equipe toda vai sair dali menos a B. Essa abertura foi um das poucas coisas que a chuva me permitiu gravar. Meus pensamentos estavam a mil, finalmente o momento que esperava há anos estava acontecendo, e de maneira muito melhor do que eu desenhava. A magia estava por começar.

Acabada a Intro, inicia-se Run The World (Girls), impossível ficar parado. Desde a primeira música a energia foi contagiante. Pular, dançar, cantar, assistir, fazer tudo isso junto, era difícil saber o que fazer. Após Run The World (Girls) foi a vez de End Of Time. E então, a surpresa. Conforme já dito, a frase geral no Bey Stage era: “Ela nunca virá aqui debaixo dessa chuva, estragar maquiagem, cabelo, nunca!”, porém, If I Were a Boy começa, e em pouco tempo vemos Beyoncé saindo do palco principal, entrando debaixo da chuva, e se dirigindo para o B’Stage, surpreendendo a todos. You and me standing on the rain. Pode parecer algo bobo, e vi muitos que disseram “Grande coisa Beyoncé na chuva!”, mas para nós foi grande coisa. Não foi fácil esperar naquela chuva, não mesmo, eu tremia de frio. Quando digo tremia, estou dizendo que eu passei o show inteiro e até algumas horas depois do show batendo queixo de frio, e ela simplesmente saiu do palco principal e debaixo daquela chuva veio caminhando até nós. Essa atitude valeria o show inteiro, valeria as quase três horas que fiquei batendo queixo de frio. Quase ao final da música, a frase que seria marca do show “Se vocês esperaram na chuva, eu vou para a chuva!”

A cada passo para o Bey Stage, meu coração batia mais forte. Ela subiu as escadas, o Julius atrás dela, e lá estava ela, inicialmente a menos de 10 cm de mim, depois a menos de cinco. Era inacreditável, eu não conseguia ao menos cantar, eu analisava cada detalhe dela, do figurino, coisas que eu tinha visto só em vídeo e fotos, ela ali ao final da música, parada, e eu olhando para o rosto de satisfação dela debaixo do boné, e sorrindo. O sorriso sempre no rosto dela enquanto ela cantava, a maquiagem maravilhosa, aquelas pernas que nem se eu malhasse o resto da minha vida eu teria – um detalhe para quem ainda não reparou e que de perto dá para perceber muito bem, por baixo daquela meia calça furada que ela usa na apresentação tem ainda uma outra meia calça da cor da pele, ou seja, o que vemos ali não é exatamente a perna dela (só curiosidade aleatória) -, ela, perfeita, na minha frente, agachou-se a poucos centímetros de mim enquanto ainda cantava debaixo de chuva, uma foto que correu as redes sociais e fã sites, que eu presenciei a poucos centímetros de distância, eu fiquei imóvel, exceto pelo frio que me fazia tremer. Juro que por milésimo de segundo ela olhou para mim, e lá estava eu, olhando aquele rosto tão conhecido e tão distante, de tão perto em uma performance tão inesperada, nesse milésimo de segundo o que ela viu foi uma pessoa sem reação batendo queixo de frio.

beyonce1

Cada música era uma energia diferente. A chuva, que por vezes me irritava por cair com tanta insistência, também tornava tudo mais mágico. O melhor era ver que ela parecia estar aproveitando o show, ela, assim como nós, demonstrava que estava se divertindo ali, que estava gostando de estar ali, dava o máximo de si e nunca tirava o sorriso do rosto. A cada escorregão de alguém por causa do palco molhado, um sorriso ainda maior no rosto dela, quase que uma curtida.

Veio Get Me Bodied, em que tive que me controlar para não dançar, seguida por Baby Boy, depois Diva, em que o meu lado de fã de Rap/Hip Hop sempre aflora. Começa então outro vídeo, que separa o fim de Diva com o início de Naughty Girl. Durante o início da apresentação de Naughty Girl, foi um dos momentos que até mesmo os seguranças não conseguiam resistir à aquelas lindas moças no palco e olhavam. Com o fim de Naughty Girl, hora de jogar os braços de uma lado para o outro em Party, em alguns momentos de Party ela até que tentou mudar o movimento dos braços do pessoal de balançar de um lado para o outro, para rodar, porém, estava tudo tão cheio que aquele movimento parecia impossível, para mim até que seria possível, se minha coordenação motora tivesse permitido.

Começa então outro vídeo e, ao final deste, é hora de Freakum Dress, em um vestido vermelho lindíssimo. A dança começa a entrar pela minha pele e, novamente, me controlo para não começar a fazer o passos de dança desajeitados que costumo fazer em casa. O ritmo é tão envolvente, o sorriso e a energia tão contagiante, que parece impossível não dançar. Pulo, canto e grito muito e, por fim, o ritmo me vence e acabo dançando um pouco. Ao fim de Freakum Dress, outro vídeo, e então uma das músicas que mais fica na minha cabeça e que mais cedo tinha sido trilha sonora de um dos momentos meigos de Emily: Why Don’t You Love Me.  “Why?! Tell my Why?! I can’t hear you why?!”, começa a música, a dança, a letra, e todo mundo à loucura. Ao fim da música, Les Twins vem correndo do palco principal para o Bey Stage, e ali, na minha frente, vejo dois dos melhores dançarinos que conheço, dançar na minha frente, na chuva. O palco estava todo molhado, encharcado, com poças de água no chão, a cada movimento de dança deles, eles jogavam ainda mais água em mim, mas eu não importava, pedia para aquele momento não acabar nunca. Introduzida ao mundo da dança por Michael Jackson e desde então apaixonada por este mundo, ver aqueles dois dançando tão de perto foi maravilhoso. Cada movimento eu podia sentir por causa da água que espirrava em mim, não tinha um que não se encantava, mais um daqueles momentos em que os seguranças distraiam um pouco de seus trabalhos e apreciavam um pouco do show.

tumblr_mtdlwxOU6G1rqgjz2o1_1280

Acabada Why Don’t You Love Me, hora de 1+1, a mais linda e sexy soma da história. Beyoncé naquela roupa azul, em cima do piano, cantando 1+1. Ao fim, hora de Irreplaceable, e novamente hora de coração batendo mais forte com Beyoncé ali, a centímetros de mim. Enquanto se dirigia ao B’Stage, ela jogou uma toalha para o público e, em meio aos diversos vídeos, em algum momento encontrei o menino que pegou a toalha por ela jogada. A felicidade da pessoa é tão grande, que faz com que aquele momento, mesmo que eu não tenha presenciado tão de perto assim – a pessoa que pegou a toalha estava na grade do lado da passarela e próximo ao palco principal, longe de mim – tenha sido ainda mais especial. Depois de algum tempo, lá estava ela com toda sua simpatia e suas curvas realçadas pelo macacão azul novamente tão perto de mim. Ela cantava Irreplaceable e eu cantava junto, o mais alto que podia. De perto, aquele figurino brilha mais do que vocês podem imaginar, é lindo de se olhar, parece irradiar luz própria e não apenas refletir. Além disso, conforme dito, é o figurino que talvez mais realce o corpo dela, que de perto, é ainda mais perfeito. Se vocês acham que Beyoncé tem o as pernas grandes, a bunda grande e o corpo realmente perfeito, de perto essas pernas e bunda grandes são ainda maiores e o corpo parece transcender o perfeito. Eu ficava hipnotizada com o brilho da roupa, a perfeição do corpo, o sorriso que não saia do rosto, a atenção com o público a ponto de notar uma menina que vestia uma roupa em homenagem ao figurino. Não só eu parecia hipnotizada, novamente os seguranças não conseguiam parar de olhar. É desse momento que tenho a minha única foto, eu ali, com a mão na cabeça, e o sorriso no rosto que vai de orelha a orelha e que assim permaneceu horas depois do fim do show junto com o frio:

Apresentação1

Hora de Love On Top, e lá estava eu, quase fazendo a coreografia novamente. A chuva dá uma diminuída, o suficiente para eu conseguir pegar minha câmera e filmar o vídeo com partes de Countdown, Crazy In Love e parte de Single Ladies. Lá estava eu, vendo Beyoncé dançar a coreografia que todo mundo já tentou imitar. Outro vídeo, e tcharam: I’m a grown woman, I can do whatever I want. Sim, ela cantou Grown Woman, e levou todo mundo a loucura.

Último vídeo no telão. I Was Here se torna quase que uma poesia acompanhada por lindas cenas no telão, incluindo uma cena de Beyoncé com Blue Ivy que faz o estádio inteiro gritar com a fofura das duas juntas, e se é possível ouvir os gritos no Backstage, com toda certeza ela deveria saber o motivo de tamanha movimentação. Ao fim do vídeo, Beyoncé sai de trás do telão com o último figurino cantando I Will Always Love You. Ao fim, inicia Halo. Muitos se lembrarão quando na I Am… Tour, Beyoncé dedicou Halo à Michael Jackson, mostrando um vídeo dela ainda pequena se preparando para um show dele e dizendo ao final: “Essa foi a noite que mudou a minha vida! Essa foi a noite que eu vi meu herói em uma performance pela primeira vez e depois do show eu disse: “Mãe eu quero ser como ele!”,  nós sentimos sua falta, nós te amamos e somos agradecidos por todas as suas lembranças obrigada Michael Jackson!”. Mesmo antes desse fato, ouvir Halo me arrepiava, a profundidade dessa música é algo inacreditável. Porém, ao relacionar Halo com Michael Jackson, ouvir essa música se tornou uma emoção ainda maior. Naquele momento, eu estava vendo ela cantar Halo, em alguns minutos ela cantaria Halo tão perto de mim. Ela veio andando vagarosamente, com uma bandeira do Brasil encharcada na mão. Não consegui me conter, todas as lágrimas que durante muito tempo ficaram aqui presas – sou uma pessoa que não chora tão facilmente – resolveram sair, e parecia não ser só as minhas, as poucas pessoas que consegui observar na platéia, também choravam. Enquanto ela cantava “Baby I can feel your halo” eu canto a versão de I’m…Tour “Michael we can feel your halo”. Olho para cima, a lua cheia completava o espetáculo. Eu encosto minha cabeça no palco e choro cada vez mais. Halo é uma canção de outro mundo, cada frase parece ter significado próprio, assim como I Was Here, Halo para mim é quase que como uma poesia. Em pouco tempo lá estava ela no Bey Stage, ela cantando ali, e eu ainda batendo queixo de frio, chorando rios, a chuva que não parava de cair, tudo tornava o momento ainda mais mágico. Ela vem para o lado do palco em que eu estava, abaixa bem perto de mim, eu consigo tocar ela muito rapidamente e muito superficialmente, mas o suficiente para ver que aquela pessoa é real. Foi a performance de Halo mais surreal de até então. Enquanto isso, até mesmo os seguranças olhavam para o palco, apreciando toda a beleza daquela mulher. “I swore I’d never fall again, but this don’t even feel like falling, gravity can’t forget to pull me back to the ground again, feels like I’ve been awakened….”. Ainda hoje me pergunto se não foi um daqueles sonhos tão reais que temos às vezes, parece inacreditável. Ela chega bem pouco para o lado, meu braço já não alcança mais ela, um menino do meio do palco, passa a mão no rosto dela carinhosamente, ela com o sorriso no rosto retribui o ato olhando nos olhos dele e sorrindo o mais lindo sorriso. Eu observo cada detalhe, cada detalhe daquele momento, cada detalhe dela, o rosto dela, o sorriso, tudo, era tudo muito surreal. Ela pega a bandeira do Brasil que estava no chão e completamente molhada e balança, a cada balançada um bom tanto de água é jogado em mim, mais um daqueles momentos que consigo literalmente sentir o show. Halo acaba, ela desce do B’Stage, eu ainda entorpecida pelo mais belo momento, ela agradecendo.

De repente, “Drop It!”, e começa “Aaaah Le Lek Lek Lek Lek!”. Inacreditável como ela consegue fazer meus sentimentos mudarem de acordo com a música. Não sou fã de funk, mas não odeio. Porém, todos admitimos, Beyoncé mudou a cara de Ah Lek Lek Lek. Ao meu redor, o pessoal cantava e alguns faziam o passinho do volante.

Chegava ao final algumas das melhores horas da minha vida, ela agradecia a todos por terem estado presentes em um dos melhores shows da vida dela, “I mean it!”, “nem mesmo a chuva pode nos parar”. É tudo o que eu me lembro. As luzes se apagaram e depois foram completamente acesas. Todos saíam e eu ainda lá, parada.

Quando comecei a sair, bem no início da grade, próximo ao palco, lá estava o menino do longínquo início da história que já havia estado em outro show, que vira e diz “O melhor show que fui!”. O sorriso que estava no meu rosto desde o início do show, ficou até algum tempo depois do final, era impossível esquecer aqueles momentos e cada vez que eu lembrava o sorriso aumentava. A sensação de medo de fechar os olhos e quando abrir aquilo tudo ter sido um sonho.

Até mesmo a mais de uma hora que fiquei esperando após o fim do show com a van que nos levaria de volta para casa sem bateria eu guardarei com carinho.

Cheguei em casa às cinco da manhã. Foi então que percebi que as horas na fila no sol quente me renderam a marca da blusa, que as memórias do show se repetiram na minha cabeça por um bom tempo e, dois arrependimentos, que mesmo assim não me incomodam tanto, mas que percebi quando cheguei em casa: não ter tirado as tantas fotos e vídeos que pretendia; para mim cada momento é digno de foto ou vídeo e, por causa da chuva, não consegui registrar aqueles momentos. A única foto minha no show foi a que achei na internet, até então a única – confesso que continuo a procurar – e, não ter aproveitado mais os momentos dela no B’Stage, o lugar que eu fiquei era bem no fim do palco, para eu conseguir pegar nela foi a maior dificuldade, só quando cheguei em casa consegui raciocinar que, se eu chegasse um pouco para o lado, mesmo não ficando tão grudada no palco, eu conseguiria ter aproveitado mais. Mas como eu disse, o arrependimentos não me incomodam tanto, porque colocando na balança, os momentos de “não arrependimento” pesam mais.

IMG_20130918_170459

Vou encerrar o quase livro que escrevi com algo que está em meu instagram: “Valeu as quase 10 horas na fila mais as horas em pé, cada gota de suor e as marcas da blusa, cada gota de chuva e eu batendo queixo até horas depois do fim do show por causa do frio, as horas de viagem e as horas de espera com a van estragada para voltar, cada centavo gasto. Valeu por ter conhecido muita gente, gente boa, de Goiânia, Fortaleza, Bahia, Brasília etc, até a chuva, que me impediu de tirar as milhares de fotos que eu pretendia, valeu. Valeu pelo sempre sorriso no rosto, por em 3 momentos ter ficado tão perto dela, por ter segurado a mão dela, pela energia dela e de todo mundo, por ter ficado na grade a princípio e depois ter sido escolhida para a B’Stage, por ter visto ela cantar na chuva, por ficar ainda mais molhada quando os Les Twins foram dançar no palco encharcado e a cada passo jogar mais água em mim e por quando ela resolveu balançar a bandeira do Brasil que a cada balançada jogavam mais 10 litros de água em mim. Tudo isso e várias outras experiências valeram e na próxima será ainda melhor, com toda certeza. Come Back Soon Mrs. Carter, Come Back Soon. Tudo isso realmente valeu a pena, cada momento, cada milésimo de segundo de olhar dela e de sentir o quão real ela é, cada detalhe visto de perto, tudo, realmente tudo valeu a pena. Não só por mim, mas por ela, pela energia dela no show, por ter nos surpreendido como nos surpreendeu, por ter dado tudo de si no show, por ter demonstrado que estava realmente se divertindo ali. Cada milésimo de segundo, cada segundo, cada minuto, cada hora ficará marcado nesse dia.

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry

Comments

comments

  • Ai, Paula! Parabéns! Que lindo!
    Depois de tanta coisa, né? Fiquei feliz lendo seu texto.
    Sou de São Paulo e fui pra Fortaleza com minhas amigas pra ver o show e lá, isso aconteceu com a gente também. Foi uma das maiores emoções que vivi, a gente não conseguia parar de chorar depois de pular a grade. Adorei a riqueza de detalhes do seu texto, me fez lembrar do que vivemos também, o que pra mim era quase inexplicável. Fiquei feliz também quando li sobre a Emily. Gente, como ela é fofa, né? Incrível o carinho dela e a atenção dela. <3. Parabéns!! É muito bom poder olhar pra trás e pensar que faríamos e faremos tudo de novo! Beijos!

  • Engraçado como nós fãs, mesmo sem nos conhecermos conseguimos sentir todas essas sensações. Não tive chance de ir ao beystage mas compartilho de toda a felicidade. Tenho plena certeza que as 12 horas em pé na fila de Fortaleza, embaixo daquele sol de matar, foram esquecidas quando eu escutei ela dizendo um “Foraleiza!” :’) texto lindo, muito feliz por você. De verdade.

  • Minina so de vc nao ter passado pelo empurra empurra de qando abriu os portoes ate chegar onde entregava os ingressos..e ter ficado no bey’stage vc e mt sortura mesmoooooooooo…historia emocionante 🙂

  • Menina, muito me identifiquei com você nas reações hahaha eu também estive naquele momento mágico do dia 17 de setembro, que bem posso lembrar como se fosse ontem. Cara, só digo uma coisa: É MUITA SORTE hahahaha mas assim, você pagou o preço de uma pista premium e o early entry? Até hoje eu acho difícil de acreditar que eu vi ela ali, é clichê mas ainda não acredito que a vi. E é igual ela fala no final do Revel: “dentro de 2 horas vocês não vão se lembrar de problemas, de fim de namoro de nada” e é a mais pura verdade!! Quando ela sobe no palco você não lembra de mais nada, mas nada mesmo! É simplesmente incrível! Viver aquilo foi a melhor coisa que aconteceu comigo até hoje, sério mesmo.

  • Menina, muito me identifiquei com você nas reações hahaha eu também estive naquele momento mágico do dia 17 de setembro, que bem posso lembrar como se fosse ontem. Cara, só digo uma coisa: É MUITA SORTE hahahaha mas assim, você pagou o preço de uma pista premium e o early entry? Até hoje eu acho difícil de acreditar que eu vi ela ali, é clichê mas ainda não acredito que a vi. E é igual ela fala no final do Revel: “dentro de 2 horas vocês não vão se lembrar de problemas, de fim de namoro de nada” e é a mais pura verdade!! Quando ela sobe no palco você não lembra de mais nada, mas nada mesmo! É simplesmente incrível! Viver aquilo foi a melhor coisa que aconteceu comigo até hoje, sério mesmo. Cada música, o carinho que ela tem pela gente, no final ela demonstrando TANTO que ela ama aqui, cara, foi INCRÍVEL e inesquecível!! Você nem lembra do sol quente, da sede (que nunca senti tanta na minha vida), do cansaço, da dor… tudo, mas TUDO valeu MUITO a pena! Dá uma vontade de reviver tudo de novo rs Mas que apareçam outros. Eu fiquei mais próxima do palco principal mesmo e nem acreditava naqueles detalhes, naquela mulher simplesmente foda! Ainda me pego vendo os videos que fiz, pesquisando fotos do show e não acreditando que realizei um dos meus maiores sonhos. Enfim, desculpa a carta rs achei seu texto pesquisando as fotos do show sfhjdshf li e amei, muito me identifiquei com ele como havia dito. E é isso rs gosto e queria compartilhar esse mesmo amor por ela e essa experiência incrível!

  • Mariana

    Ba, eu olhei o texto por cima e deu uma preguiça de ler… Resolvi dar uma lida por “cima”. E só parei no final.

    Uma história contada… Seria incrível, se eu pudesse contar uma história assim. Infelizmente nunca fui a um show da Bey.
    Enquanto fui lendo, fui me imaginando, la … com toda emoção, dor, energia, sorris e chorando… !

  • Pingback: Como foi fazer parte da Prismatic World Tour? - Café Radioativo - Música, livros, cinema, entretenimento e muito mais!()