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O novo clássico de Iggy Azalea mostra ao que a rapper veio

“Não é um álbum super inovador sonoramente, apesar de ser fantástico, sendo a história e as palavras dela os atrativos. (…) Agora, no encerramento de outro capítulo de sua vida, Iggy emerge mais forte, mais verdadeira e mais talentosa vocalmente do que 90% dos rappers de sucesso no hip-hop mainstream.”

Esse trecho da crítica do site The Line of Best Fit ao primeiro álbum de estúdio da rapper Iggy Azalea, “The New Classic“, resume bem minhas próprias impressões do disco, vazado ontem na internet. Apesar de concordar inteiramente com a crítica do TLBF, que pode ser lida aqui, eu aumentaria a nota dada por eles de 8 em 10 estrelas para 9 em 10 estrelas.

Walk the Line” é genérica musicalmente, mas serve bem de introdução ao disco, à história de Iggy. “Ain’t no going back now, this is the line and I walk alone”. “Don’t Need Y’all” mantém o clima e cita o primeiro grande sucesso de Iggy, “Work”, também presente no álbum, com os versos “no money, no family, 16 in the middle of Miami”, referindo-se à própria história da cantora, que saiu da Austrália aos 16 anos e foi aos Estados Unidos tentar carreira musical. Na letra, Iggy discorre sobre sua transição de desconhecida à grande estrela, dando um “chega para lá” nas pessoas que sempre a esculhambaram e agora, depois de sua fama, tentam entrar em seu círculo de amizades.

100“, colaboração com Watch the Duck, já começa surpreendendo com um violãozinho, que introduz uma faixa bem R&B dos anos 90. “Change Your Life“, a já conhecida parceria com o rapper T.I., cumpre a missão de grudar na cabeça. “You used to dealing with basic bitches, basic shit all the time, I’m a new classic, upgrade your status” resume a faixa. “Fancy“, a também já conhecida colaboração com a cantora britânica Charli XCX, tem seu mérito por ousar ser diferente de tudo mais que é ouvido nas rádios hoje em dia. O clima é de nostalgia musical, assim como o vídeo, baseado no filme “As Patricinhas de Beverly Hills”, que marcou a infância e adolescência dos jovens dos anos 90, inclusive Iggy e Charli, que nasceram, respectivamente, em 1990 e 1992.

A mistura Iggy e Charli deu certo provavelmente pela capacidade das duas de unirem elementos musicais de décadas passadas com uma sonoridade mais atual. Isso fica claro, no caso de Iggy, em “New Bitch“. Liricamente, ela faz referências a seriados americanos, como Mad Men e Desperate Housewives (como não amar?), além de citar os já muito citados por inúmeros artistas, Bonnie e Clyde. A música é basicamente um “afasta-recalque” destinado à ex-namorada do companheiro de quem canta. “Oh you mad? That I’m his new bitch”.

Work“, hino consagrado, é maravilhosa. Provavelmente, é a faixa que atraiu 90% dos fãs atuais de Iggy ao seu trabalho. Inovadora sonoramente, inspirada liricamente. Iggy apresenta a história de sua vida durante os 3:43 da canção de forma a nos cativar imensamente.

Em “Impossible Is Nothing“, Iggy alterna estrofes rappeadas com refrãos cantados, esses apresentando um vocal bem diferente do que entendemos como Iggy Azalea. A música é curtinha e promete grudar seu refrão em milhares de cabeças. “Goddess” tem um ar futurista, super-produzido, e surpreende com o solo de guitarra, dando à faixa um ar de trilha-sonora de Transformers, ou qualquer outro filme de ação desse tipo.

Black Widow” começa com as palminhas que uma parceria entre Iggy Azalea e Rita Ora merece. O clima é totalmente nostálgico, novamente. É muito pedir um clipe estrelado pela Viúva Negra de Scarlett Johansson?

Uma nova mistura interessante aparece em “Lady Prata“, um rap com um clima meio reggae, guiado pela participação do cantor jamaicano Mavado. “Fuck Love” já começa tão impactante como seu próprio título sugere, se revelando um batidão bate-cabelo que proclama “Foda-se o amor, me dê diamantes. Você quer uma vadia que fique em casa? Estou muito ocupada ganhando dinheiro”. Um hino para fechar a versão standard do disco. “Eu sou uma garota material? Você não pode me culpar, eu vivo em um mundo material”, em clara referência à Madonna.

Bounce“, outro hino do pop do ano passado, entrou apenas na versão deluxe do disco (que sacanagem!). Em “Rolex“, a segunda faixa exclusiva da versão de luxo, Iggy encarna a versão feminina de Kanye West. No entanto, a faixa não se destaca muito e não justifica sua presença na edição deluxe. “Just Askin’” me trouxe Marina and the Diamonds e Rihanna à mente. A última das quinze faixas de “The New Classic” deixa bem claro um dos principais trunfos do álbum: nenhuma das músicas se parece entre si. Apesar da grande quantidade de faixas, todas tem sua singularidade, um elemento específico que a difere completamente das outras.

Quinze faixas que passam rapidamente em 51 minutos mostram a que Iggy Azalea veio: com pouca idade (23 anos) e fazendo parte duplamente de uma minoria em seu gênero musical, ela mostra que tem personalidade, não se deixando levar por modismos, defende causas sociais (aqui, uma já batida, mais ainda importantíssima: o feminismo), o que pode se desenvolver ainda mais em lançamentos futuros (que tal explorar a questão da imigração, Iggy? Yes, you can!), e entrega um álbum de estréia nada cansativo ou repetitivo, o que, para uma estreante, é um grande feito.

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