Sobre o Orkut, memória e saudade

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O Google anunciou para 30 de setembro de 2014 a descontinuação de uma que já foi a maior rede social do Brasil, o Orkut. Li algumas coisas, outras, e acabei não encontrando as palavras que borbulhavam em minha cabeça em nenhuma delas. Por isso, resolvi criar este artigo, sobre a minha história com o Orkut e, também, sobre o meu início na internet. Afinal, se o Orkut é uma cidade fantasma, porque sentir saudades dele?

Quando tinha 12 para 13 anos, ganhei meu primeiro computador. Como todo pré-adolescente, era (e ainda sou) muito curioso. Primeiro, descobri o MSN que, na época, ainda era o Windows Messenger e vinha automaticamente instalado na máquina. Fiz um amigo, Tião, fuçando sobre Flogs na internet. Isso antes da “explosão” do Flogão (Tive um. Não de fotos pessoais, mas fotos da Beyoncé). Daí, descobri as salas de bate-papo da UOL e, também, o MSN. Lembro quando o programa era atualizado e as pessoas ficavam se gabando por ter o Windows Live Message antes dos outros usuários. Era quase como ter a “nova versão” do Facebook. O mais legal era, realmente, trocar de nickname e poder colocar o que está ouvindo, em tempo real, no subnick.

Com o tempo, descobri o Orkut. Primeiro, queria muito um convite para participar. De início não entendia bem o nome, que me lembrava iogurte. Beleza. Algum amigo de fotolog me enviou o convite e, daí, entrei. Só que não conhecia muita gente para ter uma lista de amigos no Orkut. Os pré-adolescentes, naquela época, não eram tão ligados em tecnologia quanto os de hoje em dia. Decidi, então, me auto-convidar para o orkut, mas daí, a partir de um perfil fake. Foi com ele que fiz amigos que levo até hoje. Se a memória não falhar, foram mais de 6 anos sendo fake no Orkut. Participei de comunidades sobre Beyoncé, Destiny’s Child, tentei fazer uma média com o pessoal da comu da Aguilera – que era muito blasé, na época – até que, em 2008, decidi assumir a pessoa que eu era. Revelei a identidade do fake, desativei o Orkut por alguns meses e resolvi encarar a vida real como ela era. Estava cansado de fingir sobre tudo. Retornei ao Orkut, com meu perfil real, e fui tocando minha vida. Em 2008/2009, a rede social ainda era muito badalada no Brasil. Além das comunidades, fiz uns amores aqui, outros ali. Amigos novos, comunidades novas. Brinquei novamente de ter perfil fake mas, dessa vez, para interagir com os outros fakes de comunidades como Jovem Pan e Billboard Charts. E não durou nem um mês. Não tinha mais cabeça pra isso.

Meu perfil no Orkut era, basicamente, a minha identidade social. Sempre fui uma pessoa tímida e conseguia, através do Orkut, socializar de alguma forma. Assim, certamente, também foi com muita gente. Foi através do Orkut que conheci gente para investir no meu primeiro site, Beyoncé Now, ainda em 2006. Gente essa que levo comigo até hoje para outros projetos, inclusive o Café. Foi com o Orkut que descobri que amor virtual é realmente capaz de existir. Foi com ele, inclusive, que fiz grandes amigos.

Acho que o que o Orkut mais vai deixar saudade é no quesito memória. Tá tudo ali. O Rian pré-adolescente, o recado de feliz aniversário da tia, por scrapbook, de 2007; o depoimento escrito “te amo rih! :)”, de 2009, deixado por aquela especial que, uma vez, fez muita diferença na minha vida (e que tá guardado, não aceito, até hoje), a foto do corte de cabelo que todo mundo gostou, as primeiras fotos com o pessoal da faculdade, na faculdade. E muito mais. Desistir do Orkut é como demolir um museu pessoal, de coisas, pessoas e memórias. O Orkut marcou a história de muita gente e foi a porta de entrada de muitas pessoas no mundinho online. E é por isso que ele vai deixar tanta saudade.

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