As 10 músicas pop que mais empoderam as mulheres

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Como “feminismo” foi eleita pelos leitores da revista americana Time como a palavra que mais deveria ser banida da existência (o que fez com que a revista se desculpasse publicamente), o feminismo parece estar de fato causando incômodo, o que sugere que está atingindo seu objetivo de modificar o status quo.

Isso se deve, em grande parte, à adesão cada vez maior de artistas femininas da música e do cinema ao movimento nos últimos anos, o que fez com que o feminismo se tornasse tema constante de seus trabalhos artísticos e pauta em todas as publicações que tratam de arte e cultura.

Minhas artistas preferidas da música sempre se mostraram extremamente engajadas no movimento, e listo abaixo dez de suas músicas que mais empoderam mulheres em todo o mundo (clique nas imagens para ouvi-las).

 

Can’t Hold Us Down, Christina Aguilera

“É sério que não devo ter uma opinião e ficar quieta só porque sou mulher?”, questiona Aguilera logo nos primeiros momentos de Can’t Hold Us Down. “Então pode me chamar de vadia por eu falar o que penso, pois seria mais fácil para você se eu só me sentasse e sorrisse”. Se eu pudesse (e não fosse ocupar o post todo), destacaria a letra inteira da música. Para abreviar as coisas, encerro com o refrão “Esse recado é para as meninas do mundo todo que se depararam com um homem que não respeitam seu valor, achando que as mulheres devem ser vistas, mas não ouvidas. O que fazemos então, meninas? Gritamos bem alto! Para que eles saibam que conquistamos nosso território, levantem suas mãos e acenem com orgulho. Respirem fundo, e digam em voz alta: nunca poderão, nunca irão nos impedir!”

 

Flawless, Beyoncé

O mais recente hino do feminismo, Flawless é um marco na carreira de Beyoncé, artista que já se proclama feminista há mais de quinze anos. A faixa contém, além das partes cantadas pela Queen B, trechos do discurso Nós Deveríamos Todos Ser Feministas, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, apresentado originalmente em uma palestra do TEDx (clique aqui para assistir). Além disso, ao se apresentar com a música no Video Music Awards de 2014, Beyoncé criou um momento icônico da televisão americana, quando apareceu em frente a um telão gigante com apenas a palavra FEMINIST escrita, enquanto o discurso de Chimamanda era tocado no fundo. Épico.

 

Not Fair, Lily Allen

Lily Allen ousou ao escrever para o segundo álbum de sua carreira uma música sobre o namorado que nunca a fez atingir o orgasmo. Lily, que sempre adiciona crítica social e acidez às suas letras, canta “Ele me trata com respeito, diz que me ama toda hora. Nunca conheci alguém que me deixasse tão segura. Mas há algo atrapalhando: quando vamos para cama, não é tão bom, é uma vergonha. Não é justo!”. Ela continua: “Fico aqui deitada, cansada por ter ficado um tempão fazendo boquete. Daí lembro de todas as coisas boas que você já me disse, talvez eu esteja exagerando e você seja o cara certo para mim. Mas há algo atrapalhando… Você deveria ligar para isso, mas nunca me fez gritar.” Mulher sendo honesta sobre as habilidades (ou a falta de) sexuais masculinas: tá tendo!

 

S&M, Rihanna

Também em relação à sexualidade feminina, Rihanna canta este hit do pop eletrônico recente sobre práticas sadomasoquistas. “Eu posso ser má, mas sou perfeitamente boa nisso. O sexo está no ar, eu não ligo, adoro esse cheiro. Coisas pesadas podem me machucar, mas correntes e chicotes me excitam.”

 

Body of My Own, Charli XCX

Em mais uma música relacionada à sexualidade da mulher, a novata Charli XCX canta, em seu segundo álbum, Sucker, um hino à masturbação feminina. “Você é frio, não tem sentimentos. Não estou satisfeita, seu sexo é ultrapassado. Tenho a arma na mão e aponto direto para o alvo. Não preciso de você, meu toque é melhor, eu me curto. Consigo fazer melhor quando estou sozinha, no escuro, chego tão alto, eu tenho meu próprio corpo.” Pow!

 

A Woman’s Worth, Alicia Keys

Alicia Keys manda um recado a todos os caras: se você não souber dar valor a sua parceira, ela vai achar quem dê. “Um homem de verdade não nega o valor de uma mulher. Não dê por garantidas as paixões que ela tem por você. Você vai perder caso se recuse a colocá-la em primeiro lugar. Ela poderá e irá encontrar um cara que reconheça o valor dela.”

 

Still Dirrty, Christina Aguilera

Aguilera aparece de novo na lista por motivos de: diva feminista. Quando se casou e começou a divulgar o seu disco Back to Basics, que explora uma temática nostálgica de anos 40, 50 e 60, Aguilera começou a ser tratada pela imprensa como a fera que foi domada, já que suas músicas e aparência anteriores eram mais sexualmente explícitas e rebeldes. Por esse motivo, ela precisou mostrar que ainda era a mesma mulher independente, livre e empoderada de antes, escrevendo Still Dirrty, em referência a um de seus primeiros grandes sucessos, Dirrty. “Se você me vir nas revistas, parecendo um pouco diferente, mostrando um lado mais suave meu, não se engane pelo que vê, a safada em mim ainda está a solta.” Ela mostra que sua situação é universal a todas as mulheres “Por que a sexualidade de uma mulher é sempre tratada com escrutínio? Por que ela não pode fazer exatamente o que lhe dá prazer sem ser xingada de um milhão de coisas?” e encerra “Se você fica falando da minha vida, só está perdendo seu tempo. Se eu quiser usar lingerie por cima da roupa, ou ser erótica nos meus próprios vídeos, ou ser provocante, bem, isso não é pecado. Talvez você não esteja confortável em sua própria pele.”

 

I Don’t Need a Man, The Pussycat Dolls

O próprio título entrega: as Pussycat Dolls não precisam de nenhum homem para serem poderosas, talentosas e bem sucedidas. “Não preciso de um homem para fazer acontecer, sou livre, não preciso de um homem para me sentir bem, me viro sozinha, não preciso de um anel no meu dedo para me sentir completa, então deixe-me explicar: eu vou bem quando você não está por perto,” canta Nicole Scherzinger.

 

We Can’t Stop, Miley Cyrus

Tão criticada quanto Madonna nas décadas de 80 e 90, Miley Cyrus já foi chamada, recentemente, depois de chocar o púbico que a conhecia somente como Hannah Montana e cantora da Disney e mostrar quem realmente era, de vadia, safada, periguete, vendida, ridícula, maluca, entre outros adjetivos carregados de misoginia. O fato é que Miley não está nem aí para as críticas dos odiadores e passa essa mensagem valiosíssima aos ouvintes: “Lembrem-se que somente Deus pode nos julgar, esqueçam os odiadores, porque alguém nos ama. É a nossa festa, então podemos fazer, dizer e amar o que quisermos. Nós não podemos parar, nós não vamos parar.” Miley ainda é muito subestimida, infelizmente, mas acredito que assim como a já citada Madonna, ela vai deixar um legado bem bacana para a geração atual e a futura.

 

Bo$$, Fifth Harmony

As meninas do Fifth Harmony representam a nova geração de feministas! Se não me engano, algumas delas sequer atingiram a maioridade. No entanto, tendo crescido em um mundo sob forte influência das já citadas Christina Aguilera e Beyoncé, elas já mandam, mesmo tão novinhas, letras como “Trabalho pelo meu dinheiro porque foi o que minha mãe me ensinou, então é melhor me respeitar. Eu sou confiante, não quero seus elogios. Eu juro lealdade a todas as garotas independentes.” Além disso, elas prestam homenagem, no refrão, a uma das mais poderosas mulheres do mundo atualmente, a primeira-dama norte-americana, Michelle Obama.

 

Man! I Feel Like a Woman, Shania Twain

Shania Twain emplacou este hino à liberdade da mulher de fazer o que quer que ela queira, independentemente de julgamentos de gênero, em 1997 e, ainda assim, a mensagem é atualíssima. No vídeo, Shania brinca ao recriar o vídeo de Addicted to Love, de Robert Plant, mas invertendo papeis interpretados por homens e mulheres. Afinal, “Nós não precisamos de romance, só queremos dançar. A melhor coisa em se ser mulher é a prerrogativa de ser divertir. Vou pintar meu cabelo e fazer o que eu quiser. Cara! Me sinto como uma mulher.”

 

Like a Boy, Ciara

Ciara também propõe uma inversão de papeis tradicionalmente relacionados a gêneros. “Gostaria que invertêssemos nossos papeis e eu poderia te dizer que te amo e nunca mais telefonar. E se eu tivesse um amante? E se eu fizesse você chorar? As regras ainda se aplicariam se eu te tratasse como um brinquedo? Às vezes eu queria poder agir como um garoto.” Você pode, Ciara, você pode!

 

Sex Yeah, Marina and the Diamonds

A maravilhosística Marina and the Diamonds lançou Sex Yeah em seu segundo álbum de estúdio, Electra Heart, no qual aborda diferentes facetas dos esteriótipos da feminilidade. Também destacaria a letra toda da música se não fosse ocupar todo o espaço do post, então seguem alguns dos trechos mais maravilhosísticos: “Se as mulheres fossem religiosamente reconhecidas sexualmente, não sentiríamos a necessidade mostrar a bunda para nos sentirmos livres. Se a História pudesse te libertar daquilo que esperam que você seja, se o sexo na nossa sociedade não dissesse para uma garota quem ela deve ser… Toda minha vida eu lutei contra aquilo que a História me deu. Questione o que a TV te diz, questione o que uma estrela do pop te vende, questione sua mãe e seu pai, questione o bem e o mal.”

 

Independent Women, Destiny’s Child

Nos longínquos tempos de 2001, o grupo feminino mais poderosos de todos os tempos, o Destiny’s Child, lançou esse hino à independência financeira feminina em uma época onde o assunto não era tão popular quanto hoje em dia. “Compro meus próprios diamantes e anéis, só te ligo quando estou me sentindo solitária. Quando acabamos, levante-se e vá embora. Se tentar me controlar, será dispensado. Pago minha diversão e minhas contas. Todas as mulheres independentes, todas as queridas que estão ganhando dinheiro, todas as senhora que lucram, todas as mulheres que realmente entendem o que estamos dizendo, se juntem a nós.” Divas!

 

Loba, Shakira

Shakira entende a liberdade feminina como algo instintivo, animal. Tanto que, em uma de suas inúmeras músicas sobre empoderamento feminino, ela metaforizou a libertação da mulher através de alusões à licantropia, ou seja, a metamorfose fantástica do ser humano em lobo. “Quem nunca quis uma deusa licantropa no ardor de uma noite romântica? Meus uivos são o chamado. Eu quero um lobo domesticado. A loba que está no armário tem vontade de sair. Deixe-a comer o bairro antes de ir dormir.” O melhor trecho vem no final: “Quando é quase uma da manhã a loba cumprimenta a lua no céu. Não sabe se anda pela rua ou se entra em um bar para tentar a sorte. Já está sentada a sua mesa quando avista a próxima presa. Pobre do desprevenido que não esperava uma dessas.” Fenomenal.

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