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O machismo no centro do preconceito

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Lena Dunham, autora da prestigiada série, Girls.

A repercussão, nas redes sociais, da manchete de um dos colunistas de um grande jornal sobre Lena Dunham, premiada autora da série “Girls”, me fez pensar em como o preconceito é capaz de reduzir as pessoas a um estereótipo, sempre da forma mais pejorativa e cruel.

Na chamada, o blogueiro disse: “Gordinha Estrela de ‘Girls’ adora correr na vida real”, como se o sucesso da série, os prêmios e o talento de Dunham fossem minimizados a uma condição estética.

Como mulher, gay e gorda, passei a vida inteira fora dos padrões. Aprendi que o problema não está só em como você se veste, se está ou não acima do peso ou em quem decide beijar. O problema reside no incômodo causado pelo sucesso, ou em quão resolvidos e felizes são, aqueles que não estão nem aí para os padrões impostos.

PRECISAMOS FALAR DE GORDOFOBIA

Recentemente quando realizei um exame médico, ouvi da profissional que me atendia, na clínica, que as empresas normalmente não contratavam pessoas acima do peso. É lógico que, por um lado, o cuidado com a balança está ligado à melhora na qualidade de vida, a evitar problemas de saúde e não vou negar que pense nesses fatores. Mas, esteticamente, ser gorda nunca me prejudicou socialmente. Tenho amigos e uma namorada com quem estou há quase dois anos. No entanto, afirmações como a da médica que me atendeu contribuem negativamente para os que sofrem com as pressões sociais, como milhares de jovens ao redor do mundo que lutam contra distúrbios alimentares como a anorexia e a bulimia, em busca do corpo perfeito, além da auto estima destruída.

Somos instruídos a amar e cultuar os corpos esbeltos e definidos. Se você está acima do peso, é imediatamente taxado de preguiçoso e relapso, independentemente se precisa lidar com problemas hormonais, ansiedade, ou se simplesmente é feliz com o seu corpo e com as suas gordurinhas.

 

    PRECISAMOS FALAR DE MISÓGINIA E HOMOFOBIA

Sou o tipo de lésbica que muitos taxariam como “caminhoneira”. Compro roupas na sessão masculina e gosto do meu cabelo cortado à escovinha. Cansei de ouvir que este visual me prejudicaria profissionalmente. Apostei no meu talento,  na minha capacidade e o fato de usar calça social e All Star, no lugar de vestido e salto alto, também não me prejudicaram, em dois anos que estou no mercado de trabalho.

Casal de mulheres durante um protesto em, em 1970.
Casal de mulheres durante um protesto em, em 1970.

O Brasil tem índices alarmantes por crime direcionados a população LGBT. Enquanto isso, políticos que representam toda a população brasileira professam discursos de ódio, sem levar em conta a taxa de homicídios e agressões sofridas por gays, lésbicas, bissexuais e trans e suas famílias. Colocar casais gays em programas e novelas de nada adianta se a falta de informação continuar, assim como o cumprimento de políticas públicas que protejam as vítimas de discriminação sexual, como já é previsto na constituição.

 

        O MACHISMO NO CENTRO DO PRECONCEITO

Nesse cenário, não há como negar que as mulheres são as maiores vítimas, uma vez que, nesta sociedade extremamente misógina, somos vistas como objeto sexual ou para contemplação masculina. Se não servimos aos homens, segundo essa visão arcaica, não temos valor. Ou seja, o machismo alimenta diretamente a homofobia, a misoginia e a gordofobia.

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