in , ,

Como foi fazer parte da Prismatic World Tour?

Katy Perry performs during The Prismatic World Tour at the Tampa Bay Times Forum on June 30, 2014. Photo/Scott Audette

“Vocês amam música certo, esse é o motivo pelo qual todos estamos aqui, porque amamos música certo?! E tem momentos que a música nos salva e nos une, e mesmo que não falemos a mesma língua, nós falamos a linguagem da música” – Katy Perry

Depois de três shows memoráveis no Brasil, há pouca horas encerrou-se a fase brasileira da Prismatic World Tour com um show em Curitiba. Depois de ficar até de madrugada acompanhando para saber o que rolou, senti que era hora de terminar esse relato.

O que agora começa a se desenrolar não é nada além daquilo que muitas das 55 mil pessoas presentes no show em São Paulo, e mesmo em outros shows, viveram. Não tive Meet & Greet, não fiquei em área reservada como no show da Beyoncé e não subi ao palco, porém, tive colegas de fila, tomei muita chuva, passei muito aperto e, principalmente, assisti a um show maravilhoso. Essa é mais uma daquelas histórias que freqüentadores de shows já conhecem bem e tenho certeza que grande parte das pessoas conseguirão se identificar de alguma forma.

Sou uma apaixonada por música e cinema, e confesso que se tivesse qualquer talento que permitisse minha entrada para algum desses mundos largaria meu curso de Direito que também tanto amo. Não me refiro a talentos como cantora, atriz, ou coisas assim, mas algo de Backstage, que é onde sempre achei mais interessante, o realmente fazer acontecer. Voltando ao assunto original antes que eu me perca de vez. Como meus talentos insistem em se esconder, sou mais uma das milhares de pessoas que passam mais horas em fila de show do que propriamente no show só para ver um artista que sou fã ou admiro em ação. Foi assim com Paul McCartney, foi assim com Beyoncé, foi assim com Katy Perry, foi assim em outros momentos, e acho que será sempre assim enquanto eu tiver disposição. É aquela famosa frase – que não existe: “Sofrer na fila hoje, sofrer na fila amanhã, sofrer na fila para sempre”.

Antes de começar o relato propriamente dito sinto a necessidade de antes dizer certas coisas. Como uma amante de música, sempre acompanhei um pouco da carreira de Katy Perry, principalmente depois de ela bater o recorde de minha grande inspiração e motivo da minha paixão pela música, Michael Jackson. Eu já a acompanhava antes, mas depois disso passei a acompanhar mais de perto. Sempre achei ela uma pessoa maravilhosa, bem humorada e sempre atenciosa, além disso suas músicas chicletes, animadas e sua criatividade a destacavam. Porém, um ponto me incomodava bastante – e antes de escrever isso pensei bastante nos xingamentos que receberia e por isso peço que leiam até o final para compreenderem o motivo de eu colocar isso aqui -, ela ainda não tinha evoluído nos vocais como muitas das cantoras que eu costumava acompanhar. Quando cantava ao vivo ainda tinha alguns pontos a serem melhorados, mas isso para mim era algo que poderia ser modificado porque capacidade todos víamos que ela tinha. O tempo passou e eu continuei acompanhando e notei uma evolução muito clara já há muito tempo. Os shows no Brasil e vê-la na minha frente só me fizerem ter a certeza de que a evolução que eu tanto esperava e há muito vinha acontecendo tinha se concretizado e que agora metade dos argumentos utilizados pelas pessoas que tinham algo ruim a dizer tinha ido por água abaixo.

Todo esse tempo acompanhando essa evolução me possibilitou também acompanhar o lançamento do último álbum da cantora, Prism. Pouco tempo depois do lançamento, consegui ouvir o álbum completo e a partir daquele momento foi impossível não me apaixonar novamente por Katy Perry. A cada música que ouvia sentia se tratar de um daqueles álbuns sobre os quais é impossível escolhermos uma música favorita porque todas têm capacidade para tal. Porém, quando cheguei em By The Grace Of God o álbum passou a ter um significado pessoal para mim e entrou para minha lista de álbuns para se ouvir sempre e eternamente.

Acompanhei também todo o processo de desenvolvimento da Prismatic World Tour. Acompanhava atentamente e enlouquecidamente cada novo detalhe que surgia. No show de estréia, em 7 de maio de 2014, a cada vídeo ou foto que surgia o nível de loucura só aumentava. A cada show realizado, a expectativa de um anúncio da Prismatic no Brasil aumentava, e quando isso finalmente aconteceu a histeria foi total e o jeito era esperar a venda dos ingressos.

O primeiro sufoco foi ainda em maio justamente com a compra dos ingressos. No dia em que se iniciaria a pré-venda do show, fiz meus preparos para já garantir o meu e já estava atualizando a página da empresa responsável pelas vendas dos ingressos desde as 23:30 – sim, o desespero era total. Porém, apesar de tudo isso, os ingressos se esgotaram em poucos minutos e eu não consegui garantir o meu. O desespero por não conseguir bateu, se eu não conseguisse o meu não sei o que faria, o coração estava na mão, com medo. O jeito era esperar a abertura para o público em geral. Chegada a hora de uma nova tentativa, felizmente obtive sucesso. O ingresso agora estava garantido, e o resto era só detalhe. Começava então a contagem regressiva para o show.

Esperar o dia 25 de setembro foi torturante. A sensação era de que se passavam anos mas não passavam os meses que faltavam para termos Katy Perry em solo brasileiro. E a cada novo show, a expectativa. Até que, finalmente, o esperado dia chegou.

HISTÓRIAS PRÉ-SHOW

Poucos são os dias que você acorda tendo certeza de que será um grande dia e nada estragará isso, e talvez seja esse um dos motivos pelo qual eu tanto ame ir a esses shows. Aquele 25 de setembro de 2015 foi um desses dias que a gente acorda e diz “Não importa o que aconteça, o dia será maravilhoso”.

No dia anterior, eu havia ido dormir às 00:30, confesso que não foi por causa do show, nunca tive esse tipo de problema, apenas cheguei em casa da faculdade já quase meia noite e depois fiquei nas redes sociais. Às 02:30 acordei, tinha que me preparar porque precisava tentar a sorte e mudar o horário da minha passagem que originalmente seria para as 10:00 mas queria transferir para as 05:30, o que deu tudo certo no final. Isso feito, chegava a hora de sair de Goiânia com destino à São Paulo juntamente com o Bruno, meu amigo há mais de 7 anos.

Durante nosso vôo, a vontade de que chegasse logo a hora do show era tão grande que não conseguimos dormir, pouco me importei com as somente duas horas de sono. O assunto Katy Perry era recorrente. Prova disso é que fiz uma aposta de brincadeira com o Bruno, dizendo que se ele conseguisse ficar meia hora sem citar o nome “Katy Perry” em qualquer situação ele ganharia todo o dinheiro da minha carteira, pois bem, bastou passarmos para o próximo assunto que ele soltou “Imagina a Katy vendo isso….”.

Chegando em São Paulo foi o tempo de deixarmos nossas coisas no Guarda-Volumes do aeroporto e partir para a fila, chegamos lá pouco depois das 08:00.

HISTÓRIAS DA FILA

Filas de show são as grandes responsáveis por boa parte da diversão. É claro que o show em si é a atração principal da noite, mas as filas seriam os shows de abertura. É aquele momento de interagir com pessoas que estão vivendo o mesmo momento que você. Aquele momento em que pessoas totalmente diferentes quanto aos estilos e gostos conseguem achar um ponto de intersecção e interagirem. Aquele momento em que pessoas totalmente estranhas se tornam sua boa companhia do dia. É ali também que você entende o real significado de dividir. É claro que tem seus momentos de confusão e problemas, principalmente com pessoas que tentam furar a fila, mas a harmonia sempre prevalece.

Quando eu e Bruno chegamos ao Allianz tivemos que dar uma volta para chegarmos ao nosso destino, primeiro porque o táxi que pegamos nos deixou na entrada destinada a outros setores que não Pista Premium e, depois, porque a fila já estava um tanto quanto grande. Quando chegamos na entrada correta a fila já estava enorme então comecei a achar que ficaria muito distante do palco. Conforme foram organizando a fila ficamos mais perto e a esperança de ficar mais pertinho de Katy Perry voltou, ainda mais pelo fato de estarem ali as filas tanto para Cadeira – só não me recordo se superior ou inferior – e Pista Premium juntas.

Eu e Bruno tentamos nos enturmar com um pessoal próximos a nós. Havia um grupo de mais ou menos 6 pessoas a nossa frente, um menino que havia chegado na fila juntamente conosco, e mais algumas meninas ao nosso redor. Acabamos adotando como nossos colegas de fila Junior, um garoto de Maceió, Isabella e Lucas, ambos de São Paulo – espero não ter escrito errado os nomes. Aquela história que disse no começo de que pessoas totalmente estranhas se tornam sua companhia do dia e que você entende o significado de dividir começam a valer a partir daqui. Quando começou a chover e depois, quando o sol resolveu atacar com força, o Junior foi o responsável por dividir o guarda-chuva conosco (Obrigada, Júnior!) – e a história de estranhos dividindo guarda-chuvas se repetia em vários locais da fila. Meu estoque de comida que sempre levo para shows que contava com dois pacotes de Fini, dois bolinhos, um pacotão de Clube Social e uma Ruffles foi praticamente todo atacado pela Isabella, e o resto foi dividido com uma galera. Quando a sede apertava, bebíamos a água do coleguinha que gentilmente nos oferecesse. Não se abre nada de comer ou beber em fila de show sem oferecer para as pessoas ao seu redor, ainda que você não as conheça. Sobrou tempo até mesmo para brincarmos um com o sotaque do outro, afinal, ali tínhamos dois goianos, uma paulista e um maceioense, com sotaques completamente distintos, era Katy Perry unindo o Brasil. Além disso discutimos sobre as gírias que usamos em cada estado, ou seja, foi tudo muito produtivo.

O tempo de São Paulo merece um parte separada. Aqui em Goiânia raras são as vezes que somos pegos de surpresa com muita chuva ou muito sol, geralmente quando o dia está com muito sol ele tende a continuar assim ou a aumentar o calor, e quando está nublado ou chove ou fica nublado por algum tempo. Porém, na fila do show presenciei o tempo de São Paulo sendo o mestre da enganação. Quando chegamos estava um sol da manhã e, portanto, não fazia tanto calor. Depois de algumas horas o céu foi escurecendo, e os vendedores já começaram a oferecer capas de chuva, preço inicial: R$ 5,00. Passado algum tempo o tempo fechado se transformou em um leve chuvisco, nesse momento o preço da capa de chuva subiu para R$ 10,00, prevendo que poderia aumentar ainda mais resolvi garantir a minha. O chuvisco não durou muito tempo e o sol voltou com força total, os paulistanos já sentiam muito calor, enquanto nós, goianos, acostumados com os 35° para cima ainda estávamos na fase inicial do calor. Algum tempo após a volta do sol, a chuva resolveu aumentar, cair com um pouco mais de força, porém não por muito tempo. Outra coisa que aumentou foi o preço inicial da capa de chuva que agora já estava custando R$ 20,00 e tinha muita gente comprando. Durante meu “horário de almoço” – o grupo que se juntou na fila decidiu revezar para poder ir almoçar no shopping ao lado do Allianz -, segundo relatos, a chuva caiu mais forte, porém como não presenciei isso direi que o resto do dia foi de sol muito forte.

Enquanto esperávamos na fila a ansiedade era compartilhada por todos e tentávamos passar o tempo conversando sobre vários assuntos. Mas nem mesmo as brincadeiras ajudavam. O tempo em filas parece correr fora do normal, demasiadamente devagar. Minutos parecem horas e segundos minutos. Isso possibilita você desenhar na cabeça as coisas que podem acontecer e experiências que podemos ter, porém isso faz a ansiedade aumentar ainda mais, ou seja, é uma grande bola de neve. Depois de algumas horas, o cansaço começa a bater, porém é um cansaço diferente do dia a dia porque você sabe que quando os portões abrirem, e quando o show começar, haverá uma descarga de adrenalina tão forte que todo o cansaço se esvairá. Porém, enquanto o portão não abria ou o show começava o cansaço dominava. Sentávamos, porém, passado algum tempo, ficar sentado era cansativo e então levantávamos. Mesmo assim, depois de algum tempo em pé sentíamos a necessidade de sentar de novo, e esse senta e levanta embalou as quase 10 horas que passamos na fila.

Havia se passado quase 9 horas que estávamos na fila. O horário previsto para a abertura dos portões se aproximava e com ele a vontade de adentrar o Allianz. Cada movimentação na fila fazia com que o pessoal que estava sentado se levantasse e se preparasse, porém foram vários alarmes falsos e a cada novo alarme falso o coração já se preparava para a descarga de adrenalina. O atraso na abertura dos portões nos deixou um pouco chateados. Precisávamos daquele sopro de energia o mais rápido possível pois o cansaço já havia batido. Quarenta minutos depois do horário previsto os portões se abriram, e qualquer reclamação ou chateação foi deixada de lado.

O pessoal foi sendo liberado aos poucos e alguns minutos depois finalmente chegava nossa vez de entrar. Enquanto aguardávamos chegava a ser engraçado ouvir o pessoal da organização do show gritando “Não é correr, pessoal, não corra”.

A abertura dos portões é uma momento clássico e a correria é um ritual. Como diria nossa grande pensadora contemporânea Valesca Popozuda, “é só tiro porrada e bomba”. É também conhecido como o momento “Não me importo se nunca fiz atividade física mas correrei como o Usain Bolt” ou momento “amigo eu vou indo e depois a gente se encontra, mas sinto muito não vou te esperar se você não correr tanto quanto eu”, ou também momento “senhora”:

Começamos a correr. O Bruno um pouco mais a frente quase junto com o Junior, eu e um pouco mais atrás de nós a Isabela e a mãe dela. O Bruno em respeito a nossa amizade de muuuuitoos anos ainda olhava para trás e tentava me esperar e eu mandava ele correr para que guardasse lugar para nós. Eu corria tanto que acho que se em outra ocasião eu for até o Allianz não serei capaz de reconhecer. Em um certo momento vi que o Junior voltou para fazer algo – mais tarde descobriria que ele havia voltado para pegar os famosos óculos – mas eu continuei correndo até chegar no campo. Depois de menos de 2 minutos correndo, finalmente foi possível ter a primeira visão real e completa do palco e junto com isso veio aquela sensação de “Puts, isso é real, está realmente acontecendo, eu vou ver Katy Perry”.

Quando finalmente entrei já tinham algumas pessoas na BudZone, porém as cadeiras estavam mais lotadas. Ao pisar ali as energias foram realmente renovadas, principalmente quando cheguei no lugar que eu ficaria o resto do show. Eu e Bruno ficamos bem em frente a passarela, apenas uma 3 pessoas a nossa frente, ou seja, estávamos bastante próximos. Vi que Isabella havia ficado do lado esquerdo da grade e seria a última vez que a veria no show. Pouco tempo depois o Junior chegou do nosso lado e comemorando muito o fato de ter finalmente entrado e ficado tão perto. Foi essa a visão que tivemos do show (ficamos bem de frente a passarela):

HISTÓRIAS DE DENTRO DO ALLIANZ

Chegando no gramado finalmente tivemos a primeira visão do palco e foi quando o coração bateu mais forte, tanto figurativa quanto literalmente. Depois da correria era hora de cair a ficha. Quando você está esperando na fila a ansiedade já bate e você já começa a pensar “Puts, esperei tanto e agora estou aqui”. Porém, a partir do momento que você entra no local do show e vê o palco aí sim você se liga que aquilo ali irá acontecer.

Ao fim da correria estávamos todos locos por um refresco, sabendo disso, os vendedores de bebidas que estavam dentro do estádio aumentaram o preço da água naquele momento de R$ 5,00 para R$ 7,00, mas tentando seguir aquela coisa de “nada vai estragar meu dia”, fui otária e comprei duas águas de 200 ml por R$ 14,00.

Algumas músicas tocavam para animar a galera, entre elas Michael Jackson, Beyoncé, Britney Spears, Rihanna – RihKaty shippers foram a loucura – etc. E a galera realmente se animava e cantava junto.

No telão, a imagem colorida da Prismatic World Tour tornava tudo mais real e a cada hora que passava a propaganda de Killer Queen, a gritaria era total.

Mas o principal que quero comentar aqui é em relação à lotação do show, que merecia um texto a parte. Nos primeiros minutos que chegamos estava tudo bastante tranqüilo. Tínhamos espaço para nos mexer, para respirar, para tomarmos uma água tranquilamente e até mesmo para o pessoal que vendia bebidas passar entre nós. Porém, conforme o resto do pessoal foi entrando a bagunça foi se instalando. Começou a ficar bastante apertado, aquele tipo de situação que contraria a regra da física que diz que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. Chegou um momento em que você não sabia onde terminava um corpo e começava outro e tínhamos que contar com a solidariedade dos outros para fazer coisas simples, como por exemplo: alguns pediam a estranhos para levantarem suas calças porque estavam caindo e era impossível mexer os braços; tive que contar com a ajuda do Junior e de uma menina que ficou próxima à nós para amarrar me cabelo pois não tinha como mexer os braços para eu mesma fazer; um dos copos de água que eu tinha comprado tive que pedir para abrirem para mim e depois de beber um pouco o resto dos 200 ml foram divididos entre 7 pessoas e assim vai. O pessoal que vendia bebidas já não passava mais entre nós porque isso era impossível e a situação era agravada porque no calor que estava não tínhamos água. A segurança passou a distribuir alguns copos de água porém um copo de 200 ml tinha que ser dividido entre várias pessoas. Era aquela situação que não se podia mexer os braços, você só mexia quando ficavam dormentes porque aí você forçava alguma outra localização. Além disso, se você levantasse os pés não tinha mais onde colocar. Foram vários os momentos que case cai porque empurravam e não tinha como mudar o apoio do corpo. Além da quantidade de pessoas tínhamos ainda o problema do “empurra empurra” – aproveitar aqui e mandar um abração para uma das mulheres que trabalhava na segurança que toda hora brigava com o pessoal para que parassem de empurrar. Já não tinha espaço nem para uma agulha e as pessoas ainda insistiam em empurrar. Para entender o que estava ocorrendo essa era a situação poucos minutos depois da abertura dos portões:

CPyCwqgXAAEE1raO calor devido à quantidade de gente no mesmo local era imenso, então quando a chuva começou a cair foi um certo alívio. Ficamos durante muito tempo debaixo de chuva e nessa hora já sabíamos que o show atrasaria mas o mais importante era que ele começasse, não importava o horário. Passados um bom tempo debaixo de chuva forte ela começou a diminuir e as roupas molhadas começaram a fazer com que eu sentisse muuuito frio. Meu corpo todo tremia e eu batia queixo insistentemente. O que era ruim, ou seja, a quantidade de gente, acabou se tornando uma coisa boa por alguns minutos, porque possibilitou que eu esquentasse um pouco. A camaradagem dos shows mostrou sua face novamente com o pessoal me ajudando a me esquentar. Com a chuva e o empurra empurra algumas pessoas decidiram sair da frente e pude ficar ainda mais perto.

Toda essa lotação e o “empurra empurra” quase me fizeram desistir de ficar onde eu estava. Meu problema na coluna começou a atacar porque eu estava forçando-a demais para me manter no meio daquela confusão e o fato de não ter como eu mudar de posição ou esticar a coluna tornava o problema ainda maior. É claro que assim como todo mundo eu sentia dor nas pernas e nos pés, porém a dor na coluna chegou a um nível quase insuportável, tanto que comecei a compartilhar com o Bruno que estava pensando em pedir licença para o pessoal e passar para a grade para que me tirassem dali – a essa altura os bombeiros já tinham tirado 3 pessoas do meio do pessoal porque passaram mal. Juntando o frio que eu sentia com a dor as coisas foram ficando difíceis. Porém, mais uma vez aquela camaradagem entre estranhos que vigora em shows falou mais alto e alguma alma bondosa fez meio que uma massagem na minha lombar que deu uma melhorada, mas ainda assim doía muito. Quando eu estava quase tomando a decisão de sair dali o show de abertura foi anunciado e todo o sofrimento se transformou em mais uma dose de adrenalina.

HISTÓRIAS DO SHOW

O duo AlunaGeorge ficou responsável pelo show de abertura em São Paulo. E aqueles até então desconhecidos para mim entraram para a lista dos “ouvir mais quando chegar em casa”. O início do show deles foi um sopro de energia por vários motivos. Primeiro, porque isso significava que depois de anos de espera – nesse caso literalmente – o show finalmente começaria. Segundo, porque quando começou a tocar o pessoal se concentrou no show e o empurra empurra cessou por alguns instantes permitindo que mexêssemos o corpo um pouco. Não sei ao certo quanto tempo durou o show, estava completamente perdida no tempo, porém, finalizada a abertura era hora de aguardar alguns minutos até que Katy Perry iniciasse sua mágica. Enquanto esperávamos o início do show, qualquer movimentação no palco era gritaria total.

Mais um daqueles momentos perdida no tempo, não sei quanto levou entre o fim do show de AlunaGeorge e o início do show de Katy Perry, minha memória fez questão de trabalhar tudo para ficar parecendo um sonho mesmo, ou seja, tem alguns momentos que por mais que eu tente puxar na memória não vêm. Só me lembro que a menina que estava conosco me entregou o celular dela para que eu filmasse a abertura e em questão de minutos os refletores apagaram e os dançarinos começaram a entrar um de cada vez, tinha início ali o primeiro dia da Prismatic World Tour no Brasil.

show_-_katy_perry_-_pedreira_paulo_leminski_-_curitiba_pr_-_29_09_2015_-_foto__giuliano_gomes_pr_press_1Nesse momento foi só gritaria e confusão – em um bom sentido obviamente. Nós que estávamos na frente fomos empurrados ainda mais para frente por uma multidão de pessoas que tentavam se aproximar chegando as vezes inclusive a nos dar cotoveladas de propósito para ver se saíamos de lá. Eu fiquei meio sem reação, tentei me proteger das cotoveladas que estava levando mas sem tirar os olhos do palco. Em poucos segundos lá estava ela, vestida na roupa roxa – que deixou muita gente querendo parar o show para pedir que ela trocasse pela roupa que usou no Rock In Rio. Os gritos se fizeram mais forte, as pessoas empurrando para frente e quase que literalmente pulando em cima uma das outras. Os primeiros acordes são tocados e os primeiros bailarinos entram, é hora de Roar. É tudo tão surreal nesses shows porque, por mais que você já tenha ido a vários, é sempre uma sensação diferente. Assistir ao momento em que ela entra no palco é entender um dos motivos que fazem Katy Perry ser apaixonada pelo público brasileiro, o barulho quando ela entrou no palco foi ensurdecedor, e o público todo cantando junto era de arrepiar. Quem assistiu ao Rock In Rio vai conseguir entender o que estou descrevendo, quando ela entra é só a gritaria e quando a música começa é todo mundo cantando junto muito alto.

Após pular corda em Roar começa Part Of Me e é hora de ficar louca. O Allianz inteiro pulava e cantava junto e ela. Foi também a primeira vez que ela veio na passarela e então, a primeira vez que vi toda aquela perfeição de perto. Quando finalmente pude finalmente ver de perto vi que sim, ela é tudo aquilo. Meu relato aqui agora fará muitas pessoas perguntarem em qual time jogo a minha resposta seria: TEAM PERRY com certeza. Aquela mulher é simplesmente uma humilhação para a minha pessoa. O corpo dela me faz querer freqüentar a academia todos os dias para ver se alcanço. Os olhos te hipnotizam. E por favor, o que são aquelas pernas?! Tudo bem que tinha uma meia calça ali, mas que pernas ein Katy?! Tudo isso te faz querer ser o John Mayer, e olha que jogo no time que normalmente deseja o John Mayer.

São tantos detalhes que você não sabe para o que olhar, não sabe se olha para a perfeição daquela mulher, se pula, se olha os detalhes no palco, você fica completamente perdida. E ela ainda vem para a passarela fazer a dancinha, faz um quase Matrix na minha frente, aí fico ainda mais desnorteada.

Enquanto eu tentava decidir o que olhar primeiro chegou a hora de Wide Wake e a dúvida persistiu. Porém era impossível ficar parada, todo mundo pulando e ela ainda falando para pularmos, aí o Allianz explodiu. Mais uma vez Katy cantava bem na nossa frente.

Após Wide Wake, é hora de mudança de roupa para ela, vídeo no telão para nós e Dark Horse para todos. Terminado o vídeo no telão surgem as “pirâmides”, as dançarinas egípcias e pouco depois Katy Perry aparece montada no cavalo ao som dos primeiros acordes de Dark Horse. A música é realmente contagiante e mais daqueles momentos que você não sabe para onde olha, mais um daqueles momentos ensurdecedores, mais um momento de dancinhas – dessa vez com direito a rebolada até o chão – e mais um momento daqueles que você canta junto sem medo de perder a voz. Katy novamente vem para perto de nós. E então chega a hora de mais um momento que só o público brasileiro é capaz: começa “Are you ready for, ready for, a perfect storm, perfect storm, ‘cause once you’re mine, once you’re………. Meu Nome é Julia”, sim amigos, a galera cantou “Meu nome é Julia”, vejam:

E isso não foi só em São Paulo, para aqueles que assistiram à transmissão do show pelo Multishow se prestarem bem atenção perceberão que o público se dividiu entre “There’s no going back” e “Meu nome é Julia”.

E.T começa a tocar e é mais um daqueles momentos no estilo “Socorro Giovanna, me ajuda a segurar esse forninho porque está difícil”. Katy veio correndo – e eu torcendo para ela não cair porque estava correndo feito louca – e novamente cantou na minha frente, depois Katy na minha frente sendo carregada pelos dançarinos – esses dançarinos já eram um show a parte -, parte do Kanye West e todo mundo cantando junto.

Chegava a hora da música injustiçada, a “fan favorite” conforme a própria Katy: Legendary Lovers. E realmente é uma “fan favorite” porque antes de a música começar pessoas ao meu lado gritavam “Single, Single, Single” e confirmava que eu deveria ter levado o cartaz que eu havia dito para o Bruno que levaria escrito “Why isn’t Legendary Lovers a single?!”, confiram:

Em Legendary Lovers você não sabe se você quer ser a Katy para dançar com o dançarino magia ou se você quer ser o dançarino magia para dançar com a Katy. Já que eu não podia ser nenhuma dos dois me restava aproveitar a música que deveria ter sido single e não foi. Teve direito ainda de rebolada até o chão.

Antes de “I Kissed a Girl” mais um vídeo no telão e eu como a grande nerd que sou penso logo em homem aranha com aquelas teias que surgem no vídeo. Começa a música e temos dançarinas com super bundas e peitos dançando além de uma coreografia bem provocante. E para quem achava que aquilo era tudo Katy ainda fez um desafio do cocô – para quem não entendeu a referência, veja aqui:

Finalizado I Kissed a Girl temos mais um vídeo no telão, dessa vez o de gatos, e mais uma mudança de roupa. Katy deixa de fazer a egípcia e volta toda gatinha – tentei fazer um trocadilho mas não funcionou muito bem. Começa então Hot N Cold e depois International Smile. No meio de International Smile ela usa as palavras “Morta. Linda” antes de vir desfilar na passarela ao som de Vogue. Depois do desfile ela fica parada encarando o público por alguns segundos antes de cantar e é impossível tirar os olhos dos olhos daquela mulher, “sem or” o que são aqueles olhos?!

Isso finalizado sabíamos que chegava a hora das lágrimas também conhecida como parte acústica que é o momento em que ela toca By The Grace Of God, The One That Got Away e Unconditionally. Ela sobe ao palco com o público gritando “Katy eu te amo”, realmente de arrepiar. E chega a hora de Katy interagir ainda mais com o público e todo mundo enlouquecer. Ela fez questão de agradecer todo o carinho do público e diz “Até agora já fizemos 142 shows, esse é o melhor show. Todos os fãs deveriam ser exatamente como vocês”, a câmera não mostra, mas quando ela disse isso a equipe toda da Katy balançou a cabeça concordando. Era hora então de tornar a noite ainda mais incrível para dois KatyCats. Palavras não descrevem o momento, então vejamos:

Impossível não sofrer junto com o Lucas, que apesar de estar ali, lado a lado com Katy Perry, não conseguia entender uma só palavra do que ela dizia. Katy ainda tentava de todas as formas, tanto que quando ele consegue entender Pizza ambos comemoram. Colocando-se no lugar dele conseguimos entender as caras de desespero que ele fazia. Ainda mais lindo foi ver o discurso de Katy para ele:

 

Quando Katy foi procurar outra pessoa para subir no palco, apesar de todos os esforços daqueles que estavam ao meu lado e do meu próprio, a escolhida – muito justamente escolhida – foi Débora. E ela foi responsável por mais uns dos momentos épicos da Prismatic no Brasil, primeiro pois ela foi a responsável por matar a já antiga curiosidade de Katy sobre “What the fuck does morta means?!” e sobre “What does linda means, is that a person?!”, depois de descobrir o que ambas palavras significam começa a repetir “Morta. Linda. Morta. Linda”, depois porque é ela a responsável por Katy dizer “não fala da momma” e Katy depois completou “não fala da momma, or morta!” – e só um comentário, que ouvido bom essa Katy tem ein?! Foi preciso dizer só uma vez e ela repetiu certinho. Depois desse teríamos outros momentos épicos de fãs subindo no palco como o caso de Rayane, no Rock in Rio, que passou a se chamar Raiaiaia, levou um tapa na bunda de Katy e retribuiu ou do Mateus, em Curitiba, KatyCat que foi reconhecido pela Katy que o chamou no palco dizendo, “are you katyskelter?”, ou seja, ela reconheceu o garoto pelo seu usuário no Twitter e ainda brincou dizendo que achava que a Raiaiaia tinha passado gripe para ela.

Depois de soltar um “Get off my stage” para Lucas e Débora, é hora de começar a parte acústica com By The Grace Of God – o momento culto do show. Antes de começar a música Katy já nos preparou para chorar dizendo que nós éramos parte da inspiração daquela música pelo o que São Paulo tinha feito por ela anos atrás, agradeceu por estarmos do lado dela e por dar a ela uma razão para continuar todos os dias e terminou dizendo “Te Amo”. Já na primeira linha da música metade do Allianz estava chorando, a outra metade chorou ainda na primeira palavra. Quem conhece a música sabe que a letra já é bem forte, quem conhece a história por trás da música sente ainda mais, agora quem tem uma relação pessoal com a música por vários motivos, assim como eu, é simplesmente razão para desabar e se jogar no chão – só não me joguei no chão porque seria pisoteada. Já em lágrimas, olhei para trás e vi o Allianz todo iluminado e com os balões brancos que os KatyCats vinham há muito tempo planejando, a última vez que tinha visto algo tão bonito foi quando Paul McCartney tocou Let It Be na sua passagem por Goiânia e o estádio tinha ficado da mesma forma. São momentos como esse que me fazem apaixonar ainda mais pela música.

🇧🇷Mãe está em casa!🇧🇷 Sao Paulo 9.25.15 📷 @ronyalwin

Uma foto publicada por KATY PERRY (@katyperry) em Set 26, 2015 às 12:27 PDT

O Allianz todo iluminado, a música forte como é By The Grace Of God, todo mundo ao redor também chorando e cantando junto, Katy gritando “You’re the mirror” em referência à letra da música que diz “I looked in the mirror and decided to stay” eu simplesmente abaixei a cabeça e continuei chorando – sim, eu perdi ela cantando por alguns instantes. Quando levantei de novo juro que ela olhou para mim, e apontou, ainda bem que já era o final da música senão não sei o que seria de mim com By The Grace Of God tocando e Katy Perry olhando para mim em desespero. A sessão corte os pulsos continua, com The One That Got Away, Thinking Of You e Unconditionally, agora eu já conseguia cantar junto. Antes de Unconditionally mais uma declaração de amor: Katy diz “You guys are the best, you know you’re the best”, ela agradece por termos esperado por ela, ela diz que se lembra de quando nós achávamos que seriamos deixados de fora da turnê e ficamos bastante chateados no Twitter e diz que nunca esqueceria de nós, que nós éramos importantes para ela, que estivemos do lado dela há muito tempo, ela agradece por nossa paciência. Ela ainda diz “Vocês amam música certo, esse é o motivo pelo qual todos estamos aqui, porque amamos música certo?! E tem momentos que a música nos salva e nos une, e mesmo que não falemos a mesma língua, nós falamos a linguagem da música”. Estava tudo tão lindo, o Allianz mais uma vez iluminado, Katy com a bandeira do Brasil enrolada na cintura, os balões, tão lindo que as Backing Vocals tiveram que segurar as lágrimas, a Katy também e nós não sabíamos se era lágrimas ou chuva que estava rolando. Eu continuava arrepiada com tudo que tinha acabado de acontecer ali, me sentia um pouco fora de mim. A sessão acústica mais uma vez comprovou a evolução de Katy Perry nos vocais e a força que a música tem. É desse momento a foto publicada pela própria Katy Perry em seu Instagram com a legenda em português “Mãe está em casa”. Essa é uma daquelas partes que vale assistir,então aí está – quem tiver curiosidade vale a pena procurar também vídeos de By The Grace Of God e Thinking Of You: https://www.youtube.com/watch?v=1gWmwdPsLXw Acabada a sessão acústica tivemos o Mega Mix e então Walking On Air. Foi hora de mais uma troca de figurinos e muitas, mas muitas cores. Bora espantar as lágrimas e começar a pular de novo. Começa então This Is How We Do com um TGIF no meio e depois This Is How We Do de novo. Apesar do cansaço e da chuva que insistia em cair nada nos abalava. Continuávamos cantando junto e pulando, ainda mais quando em This Is How We Do ela nos diz, bem na minha frente: “If you’re gonna get wet I’m gonna get wet”. O palco todo molhado e escorregadio e ainda assim ela e os dançarinos foram até lá e dançaram – um deles inclusive chegou a dar uma breve escorregada e ela ao voltar para o palco principal teve de ir bem devagar e dois dançarinos meio que segurando ela.

💦💧when you get wet, we get wet💧💦 S.P. 9.25.15 📷 @ronyalwin

Uma foto publicada por KATY PERRY (@katyperry) em Set 26, 2015 às 12:33 PDT

Chegava a hora das três últimas músicas. E apesar de aproveitar ao máximo todas, o coração já apertava sabendo que estava acabando. Teenage Dream e todo mundo pulando, na parte do “We drove to Cali”, ela troca por São Paulo e enlouquece ainda mais o pessoal. Mais uma das várias vezes que ela vem cantar na passarela e eu ainda sem acreditar. California Gurls, penúltima música. Ela fica ali cantando bem próximo da gente por um bom tempo. Vai subir a passarela e dá uma leve escorregada no palco molhado. É hora de dar “tchau” para os dançarinos magia porque Katy voltará sozinha para a última música.

Katy Perry sai de cena, mas não está acabado ainda. Volta com seu belo vestido azul, pronta para cantar Firework, última música. O show que durou cerca de 2 horas foi finalizado em grande estilo. A explosão de papeizinhos sinalizam o final do show e o início de muitas memórias maravilhosas.

HISTÓRIAS PÓS-SHOW

Acabado o show era hora de tentar dizer adeus e eu como boa goiana que sou “não aprendi dizer adeus, mas deixo você ir, com lágrimas no olhar”. Eu e Bruno esperamos um pouco do pessoal sair. Procurei a galera que estava conosco porém já tinham saído. Ficamos ali, debaixo de um pouco de chuva, tentando processar tudo o que tinha acontecido. Ainda estava meio em transe e completamente anestesiada, nada doía e eu não sentia frio, leve engano meu pensar que continuaria assim. Faziam poucos minutos que o show tinha acabado e eu já queria voltar no tempo e viver tudo de novo. Acredito que a sensação era a mesma para todos que esperaram por tantos anos, estávamos ainda sem acreditar, um pouco perdidos, tentando entender o que tinha acontecido e apesar das horas e horas que passamos ali o sorriso no rosto pela experiência se mantinha. Era ótimo saber que a Prismatic World Tour tinha estreiado com pé direito no país.

O frio fora do Allianz tomou conta de cada centímetro do meu corpo, e as roupas molhadas não ajudavam. Rodamos por vários locais lá ao redor buscando um táxi e depois de quase uma hora finalmente achamos um motorista que aceitou nos levar para o aeroporto, se não fosse por ele estaríamos lá até hoje.

Cheguei ao aeroporto já 02:00. Meu plano original era dormir lá ou não dormir mas o frio e as dores que eu sentia me impediu de seguir adiante com o plano e procuramos um hotel. Dormimos menos de 2 horas porque tínhamos que acordar até as 05:30 para pegarmos nosso vôo.

Nada era capaz de acabar com a Vibe que eu estava, nem mesmo o fato de ter perdido meu vôo de Brasília para Goiânia. Chegando aqui Katy Perry Vibes continuava no som do carro.

Só tive tempo para finalmente pensar no que tinha acontecido 5 dias depois, os outros dias foram todos muito corridos. E confesso que após processar tudo o que tinha acontecido bateu aquela famosa depressão pós-show, sem saber exatamente o que fazer, o que antes era BudZone agora é BadZone dando créditos à referência porque não sou tão criativa assim.

 

RESUMO DAS HISTÓRIAS

Quem conseguiu chegar até aqui, meus parabéns e muito obrigada, depois envio um chocolate virtual para cada um. Agora, se você correu para cá porque leu a palavra “Resumo” escrita em um texto enorme, meus parabéns também, porque sei que muita gente faz isso na vida escolar. É hora de começar o resumo então.

A experiência é mais uma daquelas para anotar no livrinho de “Melhores Experiências”. Valeu a pena as quase 4 horas de viagem, as quase 12 horas na fila, cada centavo gasto, o sol e a chuva, o cansaço, os quatro dias sem dormir mais de 4 horas/dia e tudo mais. As pessoas costumam dizer que não entendem porque perder tanto tempo assim em fila, esperando etc, eu digo não entender como conseguem viver sem ter essa experiência. Foi incrível ver Katy elogiando São Paulo, ainda mais incrível é lembrar que, em 2011, o show com 25 mil pessoas era seu maior show até então e que agora, em 2015, foram simplesmente 55 mil pessoas.

Katy Perry conseguiu mostrar que apesar do grande sucesso que já fazia desde 2007 ela não se acomodou e continuou a evoluir. O álbum Prism foi uma prova da sua evolução – talvez não somente profissional mas também pessoal –  e a Prismatic World Tour também. Suas idéias amadureceram, seus vocais e sua capacidade de agradar cada vez mais pessoas – o fato de os ingressos terem se esgotado, sendo que alguns setores em questão de horas, comprova isso.

Sua passagem pelo Brasil lhe rendou muitos novos fãs com toda certeza. Seu carisma foi capaz de conquistar mesmo aqueles que nada conheciam do seu trabalho. Suas demonstrações de carinho pelo Brasil e pelo público acabou mimando os KatyCats e os deixando órfãos da moma – a saudade já era tão grande que depois do show de Curitiba os KatyCats se uniram e colocaram “MÃE FICA EM CASA” nos Trends.

Sem título

Foi incrível ver de perto a capacidade que Katy Perry tem de unir gerações. Seu público ia desde de crianças a adultos e isso é um mérito que poucos hoje em dia alcançam. Ela consegue juntar em um só espetáculo algo que permite às crianças permanecerem nesse universo colorido e aos adultos voltar a ele, mas ao mesmo tempo possui uma carga medida de sensualidade e sexualidade, tudo tão bem dosado que consegue agradar a todos. Tudo parece uma grande brincadeira séria e, em parte, te faz sentir naquele mundo que você sempre desejou quando era criança mas sem esquecer do seu lado crescidinho. Sinceramente acredito ser esse o segredo do sucesso de Katy Perry, seus shows nos possibilita ver mundos diferentes, mundos que estiveram em nossa imaginação por muito tempo e que, muitas vezes, abandonamos por motivos diversos.

Outro grande mérito dessa turnê foi conseguir fazer que cada show fosse único. Os três shows realizados no país possuíam a mesma Setlist, as mesma coreografias e praticamente os mesmos figurinos, mas ainda assim, ter assistido a um dos shows não significava ter visto tudo. Cada um rendeu uma nova história, algo novo para se comentar e se amar sobre Katy Perry. Se você viveu qualquer dos momentos épicos dessa turnê e perdeu os outros tenho certeza que, assim como eu, você está se sentindo incompleto.

Sobre esses momentos épicos épicos e memoráveis tivemos vários. Se Júlio de Sorocaba já tinha sido assunto em 2011, 2015 teve: “Não fala da Momma”, “So far I’ve done 142, this is the show, every person, every music lover, every fan should be just like you”, “What the fuck means ‘morta’?”, “Morta.Linda”, “Although we do not speak the same language, we speak the language of music. Love you unconditionally, São Paulo”, “If you get wet, we’ll get wet”, “Raiaiaia”, “She’s kissing my neck”, tapa na bunda, lembrar de fã pelo user do Twitter com o “Are you katyskettle?” e muito mais.

Depois de tanto esforço que muitos KatyCats e amantes da música fizeram para finalmente fazerem parte da Prismatic World Tour foi incrível ver a forma como Katy Perry se entregou para o público. E esse relato enorme deixou bem claro que ninguém se arrepende por nenhum segundo dedicado a essa turnê – tanto que você leu toda essa página só para ter mais um gostinho dela.

Com toda certeza a Prismatic World Tour Brasil foi um sucesso, tanto de público quanto no coração daqueles que tiveram a oportunidade de viver esse momento. E se você ainda não teve esse oportunidade, não se preocupe, a paixão de Katy pelos seus KatyCats brasileiros fará com que ela volte, disso eu tenho certeza.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O machismo no centro do preconceito

30 hits da década de 2000 que você esqueceu que existiam