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Perfect Illusion levanta a dúvida: pra fazer sucesso tem que ser farofa?

Já não é mais novidade que Lady Gaga lançou o primeiro single de seu próximo álbum, “Perfect Illusion”, na última sexta-feira (09/09). A esse ponto, quase todos já devem ter ouvido a música, formado uma opinião sobre ela e, provavelmente, você a terá amado ou odiado. A pergunta que todos nós (leia-se “little monsters”) estamos nos fazendo é se a música consegue alcançar o #1 nas paradas musicais da revista Billboard, o maior sinônimo de sucesso da indústria musical.

Dentre as reclamações das muitas pessoas que dizem ter odiado o novo single, os destaques são as críticas à mudança radical de gêneros realizada por Gaga. Se seu último álbum solo foi totalmente focado no chamado “pop farofa” enfeitado com um conceito de união entre a arte e o pop, o que não funcionou para a cantora em termos de lucro e sucesso, agora temos uma Lady Gaga se rebelando contra as barreiras desse tipo musical, enquanto testa diversas sonoridades e as mescla de forma brilhante em apenas 3 minutos de música.

Vamos começar pela letra, que foi fruto de uma ideia que Kevin Parker trouxe à cantora durante seus primeiros dias no estúdio sobre as grandes ilusões da vida. Trabalhando e aperfeiçoando a composição arduamente, Gaga e seus produtores chegaram a sua versão final. “Perfect Illusion” trata sobre as ilusões que a vida nos proporciona, focada principalmente em ilusões amorosas. Fazendo alusões entre o seu vício no sentimento ilusório de amor proporcionado por seu amado ao vício em drogas, como anfetamina e LSD, a cantora tenta se convencer de que ambos não são reais e apenas a fazem mal, com uma falsa sensação de tranquilidade.

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Por trás do refrão forte e chiclete, há todo um trabalho e dedicação na produção e melodia da música. Com o auxílio de Mark Ronson (“Uptown Funk”), Kevin Parker e Bloodpop (“Sorry”), a cantora consegue unir os gêneros rock, pop e disco de forma quase indistinguível. Guitarra, bateria, piano, batidas eletrônicas, vozes, gritos, sons de fliperama, e muito mais, dão a “Perfect Illusion” uma identidade própria muito forte e afastam o single das músicas que estão fazendo sucesso no momento.

Ao dar uma rápida olhada nos charts da Billboard dos últimos meses, é visível uma tendência entre os singles que figuram entre as 10 primeiras colocações (as mais importantes): uma produção musical simples, porém, dançante e letras totalmente descartáveis sobre as quais ninguém se importa. Essa diferença de tom também foi sentida por Beyoncé ao lançar “Formation” e “Sorry” como singles promocionais do seu álbum mais recente, “Lemonade”, músicas com um aprofundamento nas questões raciais e de empoderamento feminino. Por tanto, espera-se uma certa dificuldade para que Gaga consiga acessar essa lista.

Será que um hino conceitual vai conseguir ultrapassar o pop farofa nas paradas musicais? #BuyPerfectIllusionOnItunes

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