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Se você gostou de Joanne, também pode curtir essas 6 músicas

Depois do sequestro de Tony Bennett por Duny e Priscilão (entenda a referência), Lady Gaga se libertou da parceria com o cantor de jazz e finalmente voltou a trabalhar em sua carreira solo. Joanne, o quinto disco da nova-iorquina, será lançado no dia 21, mas acabou vazando na internet há dois dias.

O álbum é um paradoxo em si, porque, ao mesmo tempo que não traz nada novo ao mundo musical, pode ser considerado inovador justamente porque nunca vimos nada do tipo vindo de Lady Gaga, que sempre apostou em super produções, super performances, super figurinos e super polêmicas e agora vem repaginada, com visual simples e focada na música.

Joanne

Na verdade, tenho para mim que provavelmente Gaga gostaria de ter seguido este estilo desde o início da carreira, o que suponho ao ouvir o primeiro EP dela, Red and Blue, gravado antes da fama. Só que o mundo musical é cruel, e foi preciso que ela criasse todo um aparato pop, uma persona excêntrica para atingir o nível de fama que tem agora e então, finalmente, ser livre para criar sua arte da maneira que quiser.

A parceria com Tony Bennett claramente foi uma época de transição, cuidadosamente planejada para que os fãs fossem desacostumando com a figura mais performática e fossem dando boas-vindas à Gaga mais “crua”. Joanne é resultado, então, da soma da sonoridade original de Stefani Germanotta com as referências que ela foi juntando ao longo da carreira e uma pequena pitada dos hits atuais, mas com um toque pessoal de Lady Gaga que não poderia ser reproduzido por nenhum outro artista.

Conforme fui ouvindo as faixas do disco, elas me remetiam a outras músicas que podem (ou não) ter servido como referência e inspiração para Gaga, o que não é demérito nenhum, afinal, gêneros musicais existem justamente por produzirem músicas parecidas, que possam ser categorizadas sob o mesmo rótulo.

Hey Girl -> All the Time (Bahamas)

O synth-funk de Hey Girl remeteu a maioria dos críticos musicais a Prince e Elton John, mas me lembrou de All the Time, do não-tão-conhecido cantor canadense Bahamas. Se essa o feat. com Florence Welch é sua faixa preferida do Joanne, você pode gostar também de All the Time.

Sinner’s Prayer -> Stay Gold (First Aid Kit)

Essa foi a comparação que me inspirou a escrever esse post. Não só em Sinner’s Prayer, mas a todo momento mais country de Joanne, eu lembrava da dupla folk sueca First Aid Kit. E essa referência pode mesmo ter inspirado Lady Gaga, porque ambas estão na trilha-sonora do documentário The Hunting Ground. Então, se Gaga assistiu ao documentário (o que é óbvio), ela já ouviu Stay Gold e pode, de fato, ter querido fazer parecido. Você pode gostar da faixa se o ar country-folk de Joanne é seu aspecto preferido do disco de Gaga.

Joanne -> Goodbye Kiss (Kasabian/Lana Del Rey)

Eu queria ao máximo evitar comparações com a Lana, porque elas nunca acabam bem haha, mas já deixo claro que a comparação vem de uma pessoa que gosta e admira tanto uma quanto a outra, então, paz! A linda balada Joanne, em homenagem à tia de Gaga que morreu muito jovem de lúpus, mesma doença enfrentada pela cantora, acabou me lembrando a música Goodbye Kiss, dos britânicos do Kasabian, mais especificicamente do cover feito por Lana, que deu um toque especial à música. A faixa título do disco também tem ares do primeiro disco de Jake Bugg, bem folk-country, além das já citadas First Aid Kit.

A-YO -> All About that Bass (Meghan Trainor)

É claro que inúmeros artistas atuais acabaram se rendendo à nostalgia ao criar faixas que parecem ter sido feitas lá na década de 60, como Rehab, de Amy Winehouse, e Beautiful Girls, de Sean Kingston. Mas ao ouvir “A-YO”, a todo momento a minha cabeça já emendava em “yeah, my momma she told me don’t worry about your size”, trecho do badabes de Meghan Trainor. Foi aqui que eu percebi aquele pequeno toque de “o que anda tocando nas rádios” no Joanne, além de Dancin’ in Circles, que mira no dancehall de Drake e Rihanna.

Diamond Heart – All You Need (Lana Del Rey)

De novo Lana Del Rey? De novo Lana Del Rey. Quem conhece ambas artistas sabe que a trajetória das duas é tão parecida quanto diferente, e acaba ficando impossível não traçar esses paralelos e comparações. O começo da faixa que inicia o Joanne lembra muito o conjunto de faixas mais acústicas da Lana, da época que seu nome artístico era May Jailer, lá na adolescência, músicas bem simples, só violão e vocal. Conforme se desenrola, Diamond Heart acaba explodindo e mostrando uma mistura perfeita entre Stefani e Lady Gaga, como se fosse a faixa que resumisse o desenvolvimento da carreira da popstar nos últimos anos.

John Wayne – Teeth (Lady Gaga)

A indicação mais fácil de todas, sem dúvidas: que Little Monster não percebeu que John Wayne segue a mesma lógica de Teeth, da própria Lady Gaga? Duas faixas fantásticas, diga-se de passagem.

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