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O Diário de Anne Frank: O que o torna atemporal?

diarioannefrankDurante a invasão nazista na Europa, oito pessoas dividiram, entre 1942 e 1944, os cômodos escondidos da rua Prinsengracht, 263, em Amsterdã, na Holanda. Uma das moradoras, a adolescente Anne Frank, incentivada pelo porta-voz do governo holandês no exílio Gerrit Bolkestein que declarou a iniciativa de reunir testemunhos dos holandeses vítimas da ocupação nazista, decidiu escrever um livro a partir das anotações de seu diário.

Após a guerra, Otto Frank, pai da menina e único sobrevivente do Holocausto entre os residentes do Anexo, decidiu realizar o desejo da filha e publicar O Diário de Anne Frank, um dos livros mais importantes e lidos da literatura mundial. A obra apresenta não somente o dia-a-dia de um país sob jugo do nazismo, mas os sentimentos e ideais da juventude.

Três razões para ler O Diário de Anne Frank:

3 – Documento Histórico
Por meio de O Diário de Anne Frank é possível entrar em contato com a rotina dos europeus em países ocupados pelo Führer, sob a perspectiva de alguém perseguido pelo regime nazista. O livro também revela a compra de alimentos no mercado negro que não abrandava a preocupação com comida, os bombardeios que assustavam a população, a onda de furtos e assaltos, bem como a tensão das pessoas que acompanhavam o desenvolvimento da guerra através das transmissões de rádio. O diário também é uma fonte para saber como era a qualidade de vida daqueles que viviam escondidos. Inclusive, antes de morrer, Otto Frank deixou os manuscritos de Anne para o Instituto Estatal Holandês para Documentação de Guerra.

2 – Relacionamentos na clandestinidade
A convivência no Anexo Secreto é assunto constante nas páginas do diário. Anne descreve o temperamento difícil e vitimista da sra. Van Daan, assim como, as brigas com o marido, sr. Van Daan, que ecoam pelo esconderijo. Dussel, último morador do Anexo, também é alvo de muitos comentários de Anne, pelo temperamento ranzinza, intolerante e egoísta com o qual ele se apresenta.

Entre a família, Anne mantém um afetuoso e admirável relacionamento com o pai, Otto e desenvolve uma amizade com a irmã Margot, conforme o tempo passa. No entanto, a relação com a mãe é fria e distante, por motivos que a jovem frequentemente questiona.

O relacionamento entre Anne e Peter Van Daan, filho do casal Van Daan, é um dos pontos mais interessantes do testemunho. Jovens e excluídos do mundo exterior, os dois criam uma cumplicidade com a qual conversam abertamente sobre qualquer assunto. Um vínculo, com o transcorrer da narrativa, cada vez mais forte e íntimo.

Além dos inquilinos, há relatos sobre as visitas dos amigos e benfeitores: Miep Gies, Yan, Bep Voskuijl, e os senhores Kluger, Voskuijl e Kleiman que estiveram ao lado dos moradores do Anexo Secreto até eles serem descobertos.

1 – Sobre ser adolescente
Este livro é, antes de tudo, um relato de uma adolescente. O leitor acompanha o crescimento da jovem, o processo que é tornar-se uma mulher e o amadurecimento impresso não unicamente nas observações sobre as mudanças físicas, mas também, perceptível na linguagem, na escrita, que desabrocha e torna-se cada vez mais intimista e reflexiva. Anne ressalta o desejo de liberdade, a vontade de só poder ser uma adolescente que pode amar e experimentar o mundo, sentir a natureza. Ela se sente incompreendida, preterida, pelos pais, mesmo que também tenha dificuldade em entendê-los. É fácil se identificar com Anne, afinal, por meio dos relatos que a jovem tece é possível, ao leitor, contatar uma parte que se sente ou já se sentiu reprimida pelos adultos e pelo mundo. Ao longo da narrativa, registrada de junho de 1942 até agosto de 1944, Anne relembra conversas com amigas, os garotos que pediam para acompanhá-la de bicicleta, ao mesmo tempo, que manifesta o quanto quer sair, voltar a frequentar a escola e compartilha as reflexões sobre Deus e a guerra.

O Diário de Anne Frank
Literatura Estrangeira
Preço:
R$ 37, 40
Páginas:
 352 páginas
Editora:
 Record
Ano:
2015 – Edição definitiva

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