"Vikings", "As Crônicas Saxônicas" e os livros de História

57a382937a0a9f16550ae4abf30f5368
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
885

Estreia nessa quarta-feira, dia 30, no History Channel – e também no NatGeo, que exibe a série no Brasil -, a segunda parte da 4ª temporada de Vikings; série inspirada nos feitos do herói nórdico Ragnar. Eu demorei a decidir assistir essa: o seriado estreou em 2013, e eu só fui começar a ver há, bem, uns dois meses – mas devorei os episódios: já assisti tudo e estou louca pra que essa segunda parte da quarta temporada comece de uma vez. Vikings teve, pra mim, uma graça maior ainda pelo fato de eu estar, paralelamente, lendo As Crônicas Saxônicas, série de livros do autor Bernard Cornwell que narra, do ponto de vista dos saxônicos, mais ou menos os mesmos acontecimentos: a batalha entre estes e os vikings e, de quebra, a formação da Inglaterra.

As Crônicas Saxônicas chegou a inspirar, na BBC, uma série chamada O Último Reino, que não vingou muito – eu mesma, apesar de ser fã dos livros, não cheguei a passar dos três primeiros episódios. Acabou que As Crônicas Saxônicas e Vikings tornaram-se, na minha cabeça, muito mais “paralelas”: as duas têm acontecimentos em comum, personagens em comum (nos nomes e/ou nas biografias), até mesmo cenas em comum. Mas não quer dizer que o autor de uma tenha copiado o autor da outra, não. Acontece que ambas são inspiradas em acontecimentos históricos ou lendários – e, em diferentes partes da narrativa, se aproximam ou se afastam mais do que deve ou pode ter acontecido no mundo real. E, para mim, é ainda mais genial ler um livro ou assistir uma série sabendo que muito daquilo ali aconteceu mesmo, mais ou menos daquele jeito, há centenas de anos.

vikings1
Aqui, eu vou traçar um paralelo entre as três coisas – portanto, sim, esse texto é enorme, e, sim está cheio de spoilers (e possíveis spoilers, de coisas que eu ainda não sei se vão acontecer na série, mas que aconteceram no mundo real). Se você ainda não assistiu Vikings, e pretende, é melhor parar por aqui. Se ainda não leu As Crônicas Saxônicas, e pretende, é melhor parar por aqui. Agora, se acompanha um e não pretende se jogar no outro, ou se não se incomoda com spoilers, vá em frente. Talvez as histórias pareçam ainda mais interessantes depois que você souber dessas coisas:

Vikings, As Crônicas Saxônicas e os livros de História
 

Contexto:

De certa forma, temporalmente (digo linhas temporais dentro de cada história, mesmo – não sei dizer o quanto os autores de Vikings se atém a datas, embora Cornwell tente manter uma correspondência entre os acontecimentos de seus livros e aqueles dos livros de História), Vikings parece vir antes de As Crônicas Saxônicas: enquanto na série os dinamarqueses recém descobriram como chegar às ilhas britânicas, nos livros a região que viria a ser a Inglaterra já foi quase completamente tomada pelos chamados vikings – o único reino que resiste é Wessex, aquele que, na TV, é governado pelo rei Ecbert, e que, no papel, batiza o primeiro livro da série, O Último Reino. É a partir de Wessex, portanto, que os saxões reorganizam sua resistência e começam a guerra que expulsará os dinamarqueses de suas terras – unindo, no processo, os reinos de Wessex, Mércia, Nortúmbria e Ânglia Oriental, para formar o que viria a ser a Inglaterra. Ragnar Lothbrok é o protagonista de Vikings, enquanto, em As Crônicas Saxônicas, temos o nortumbriano Uthred de Bebbanburg, que, na juventude, é raptado e criado pelos dinamarqueses: na vida adulta, apesar de servir ao rei saxão e lutar contra os vikings, Uthred nunca deixa de nutrir amizade por eles, ou cultuar deuses como Thor e Odin. Uthred é inspirado no personagem histórico Uhtred o Ousado, lorde que teria governado a fortaleza de Bebbanburg, na Nortúmbria.

Ragnar Lothbrok (ou Lodbrok, ou Lodbrog):

Ragnar é uma dessas figuras misteriosas da História: provavelmente ele existiu de verdade, mas tanto se inventou a respeito de seus feitos e de sua vida que é difícil distinguir mito e realidade. A maior parte do que se sabe sobre ele foi escrito na Escandinávia na Alta Idade Média, cerca de 300 ou 400 anos depois de sua morte, com inspiração na tradição oral da região. Ragnar teria reinado na Dinamarca e na Suécia entre os séculos VIII e IX; e, ao contrário do que é contado na série, era descendente de outro rei, Sigurd. Esse Ragnar semi-histórico é realmente famoso por suas muitas conquistas e invasões; e foi casado três vezes: com a skjaldmö (“donzela do escudo”) Lagertha, com uma nobre chamada Tora Borgarhjört, e com a princesa Auslaug. Uma lenda mais heróica sobre sua morte diz que ele foi capturado pelo rei Aelle, da Nortúmbria, e jogado em um poço cheio de cobras; ação que motivaria uma invasão vingativa realizada por seus filhos (na série, aliás, Aelle jurou que será, um dia, o assassino de Ragnar). Mas a versão mais provável diz que ele morreu em consequência de doenças e ferimentos adquiridos durante sua primeira tentativa de invadir Paris – na série, ele escapa por pouco desse destino. Em As Crônicas Saxônicas, Ragnar é o nome do dinamarquês que rapta e cria Uthred, e também de seu filho, Ragnar Ragnarson, um grande jarl que nunca deixou de ser amigo de Uthred e considerá-lo seu irmão.

ragnar1

Lagertha:

de acordo com as lendas norueguesas, Lagertha – que provavelmente é uma latinização do nome “Hladgerd” – foi a primeira esposa de Ragnar; e uma guerreira formidável: embora Vikings dê a entender que, entre eles, era tão comum ver homens quanto mulheres duelando, não era bem assim na vida real – e também não em As Crônicas Saxônicas, onde Lagertha não é mencionada. “Ladgerda, uma surpreendente e bem preparada skjaldmö que, como mulher, teve a coragem de um homem, lutando na frente entre os mais corajosos, com o seu comprido cabelo sobre os ombros. Todos se surpreendiam com as suas proezas insuperáveis”, diz um registro sobre ela.

lagertha1

Björn Ironside:

Björn também existiu de verdade, mas não há indícios de que ele tenha tido qualquer coisa a ver com Ragnar ou Lagertha. De origem dinamarquesa, Björn governou na Suécia e comandou expedições à Inglaterra, França, Espanha e Itália – como, na série, o Vidente disse que ele fará, navegando mares nunca antes explorados pelos vikings.

bjorn1

Auslaug:

Provavelmente a personagem de Vikings com mais elementos mitológicos em sua história original, Auslaug, órfã de mãe e pai, teria sido criada por Heimer, pai adotivo de sua mãe Brunhilda. Segundo as lendas, Heimer viajava com uma harpa enorme, grande o suficiente para esconder Auslaug dentro dela, com o objetivo de protegê-la, principalmente por sua extrema beleza. Após a morte de Heimer, Auslaug passou a ser criada por camponeses; até que foi descoberta por homens de Ragnar Lothbrok. Ragnar ficou encantado com sua beleza, mas, querendo testar sua inteligência, pediu que ela viesse até ele nem vestida nem nua, nem faminta nem cheia e nem sozinha nem acompanhada – igualzinho ao que acontece na série, quando Auslaug visita Ragnar vestida em uma rede, comendo uma maçã e acompanhada por um cão. Ragnar e Auslaug teriam tido quatro filhos: Ivar the Boneless, Hvitserk, Ragnvald, e Sigurd Cobra-no-Olho (na série, em vez de Ragnvald, temos Ubbe, o mais velho).

Ubbe (Ubba, Ubbi ou Hubba):

Na vida real, Ubba teria sido um dos comandantes do grande exército pagão que invadiu a Inglaterra em 865, muito depois das primeiras invasões vikings na região – lembra que uma das lendas sobre a morte de Ragnar afirma que ele foi morto por um rei nortumbriano, e que seus filhos se organizaram para vingá-lo? Em As Crônicas Saxônicas, Ubba é um dos maiores e mais temidos guerreiros entre os vikings, e o segundo em comando no exército, atrás de seu irmão Ivarr, que, aqui, é mais velho que ele. Nos livros, Ubba acaba morto por Uthred, no primeiro dos grandes feitos que tornarão o protagonista da série famoso.

Hvitserk (ou Halfdan):

Hvitserk é um exemplo de como distinguir as coisas é complicado quando se trata da história viking – muitos estudiosos acreditam que Hvitserk e Halfdan são a mesma pessoa: os dois nomes aparecem ao lado dos de Ubbe, Sigurd e Ivarr na narrativa de como o grande exército pagão invadiu a Inglaterra (segundo alguns, para vingar a morte de Ragnar), mas sempre em narrativas diferentes, nunca juntos, como se fossem dois personagens distintos. Em As Crônicas Saxônicas, Halfdan apoia o dinamarquês Guthrum, que captura o forte de Werham, em Wessex – Halfdan seria a chave para manter a conquista de Guthrum, chegando para apoiá-lo com um exército, mas é morto antes disso, deixando Guthrum em uma posição vulnerável. Já na série Vikings, Halfdan é irmão de Harald, outro earl que se junta à segunda tentativa de Ragnar de invadir Paris, na quarta temporada.

Sigurd Snake In The Eye:

as histórias realmente contam que Sigurd nasceu com um símbolo em volta da pupila do olho esquerdo, que era visto por muitos como uma cobra mordendo o próprio rabo – daí seu apelido. Sigurd teria lutado ao lado de seus irmãos contra os saxões na Inglaterra, e ajudado na captura do rei Aelle, que teria morrido pelo terrível método da Águia de Sangue. Mais tarde, Sigurd ainda teria se casado com uma das filhas de Aelle. Em As Crônicas Saxônicas, Sigurd é, ao lado de Cnut, um dos dinamarqueses mais poderosos da Nortúmbria.

Ivarr the Boneless:

Ivarr foi um chefe viking dinamarquês ou sueco do século IX, que só passou a ser referido como um dos filhos de Ragnar Lothbrok muito após sua morte – ou seja, é possível que os dois só tenham sido ligados para tornar os mitos ainda mais incríveis. Após atacar a Inglaterra com Ubbe, Hvitserk e Sigurd, Ivarr teria se estabelecido em York e, em seguida, atacado a Ânglia Oriental, aprisionando e matando o então rei Edmundo, que mais tarde se tornaria santo: as histórias sobre o martírio de Santo Edmundo descrevem como o rei foi torturado por um viking chamado Ivarr. Ivarr teria morrido em Dublin, onde também se fez rei, e é considerado fundador da casa Uí Ímair, dos governantes do reino de Dublin entre os séculos IX e X. Seu apelido “o sem ossos” tem uma origem incerta; mas o mais provável é que ele tivesse uma doença degenerativa dos ossos – segundo relatos, Ivarr seria carregado por seus homens sobre um escudo. Ele também aparece em As Crônicas Saxônicas, onde, como nos relatos históricos, participa da execução do rei Edmundo, e, mais tarde, morre em combate em Dublin.

Rollo:

“Rollo” é provavelmente a latinização do nome “Hrolf Ganger”, um líder viking que viveu entre os anos de 860 e 932. Não, o Ragnar e o Rollo da vida real não tiveram nada a ver – juntar os dois foi uma maneira de colocar na mesma história as vidas e os feitos de dois dos mais famosos líderes vikings da história. O Rollo da vida real realmente fez um acordo com o rei francês Carlos o Simples, para cessar uma série de invasões à região, e recebeu em troca uma ampla região costeira, tornando-se duque (ou conde, segundo alguns relatos) e o primeiro governante da Normandia – nome que, aliás, vem justamente de “homens do norte”, como eram chamados os dinamarqueses e escandinavos. O bisneto do verdadeiro Rollo, Guilherme o Conquistador, tornou-se rei da Inglaterra em 1066, fazendo de Rollo, indiretamente, o ascendente histórico de toda a monarquia britânica (chupa, Ragnar). Gisela da França, a princesa Gisla de Vikings, foi na verdade a segunda esposa de Rollo; e os relatos contam que ela ainda era uma criança quando o casamento foi oficializado – ou seja, a coisa aconteceu só no papel, sem nada daquele romance mostrado na série. Ah: Rollo é descrito nos relatos como “um homem tão grande que nem mesmo um cavalo podia carregar” – o que provavelmente é um exagero; mas na série dá para notar como sempre tentam mostrar o personagem como mais alto e mais forte que os outros à sua volta. E o ator Clive Standen, com seu 1,90m de altura, não é nada pequeno, não.

rollo1

Floki:

O Floki da vida real também não está diretamente ligado a Ragnar: Flóki Vilgerdarson teria sido o primeiro explorador norueguês a navegar para a Islândia, em meados do século IX. Floki teria levado toda sua família com ele, e usado corvos para descobrir se havia terra por perto – recurso também utilizado em Vikings, durante as primeiras viagens de Ragnar para a Inglaterra.

floki1

Aethelstan:

Eu acabo vendo semelhanças entre o Aethelstan de Vikings e o Uthred de As Crônicas Saxônicas – ambos saxões raptados por dinamarqueses, que acabam aprendendo com eles a lutar e tornam-se amigos muito próximos de Ragnar. Mas é claro que os dois não tem nada a ver. Na vida real, Aethelstan era um nome saxão bastante comum – mas o mais famoso deles foi Etelstano (pois é, o nome “aportuguesado” fica assim) da Inglaterra, o primeiro rei a, de fato, unir a região e governá-la como um só país. Na vida real – e também em As Crônicas Saxônicas -, Etelstano é filho de Eduardo o Velho, que, por sua vez, é filho de Alfredo o Grande: Alfredo foi rei de Wessex e o primeiro monarca a imaginar uma Inglaterra reunida sob seu comando, sendo inclusive considerado criador do termo. Enquanto Alfredo é um dos personagens principais dos livros de Cornwell, em Vikings Alfred é, olha só que ironia, filho de Aethelstan e Judith; e protegido do rei Ecbert, justamente de Wessex. Ecbert, aliás, decidiu proteger a criança por sua amizade com Aethelstan, e por acreditar que, um dia, ele possa vir a realizar grandes feitos – será que esse Alfred será o Alfredo o Grande sobre os quais falam os livros de história? Outra coisa interessante sobre Aethelstan é ele ter sido capturado no mosteiro de Lindisfarne, um ataque que realmente aconteceu; e é considerado o marco que dá início aos ataques vikings na Inglaterra, em 793. Essa cena também aparece em As Crônicas Saxônicas, de um modo quase idêntico – até parece que a série foi inspirada nos livros do Cornwell.

Ecbert:

Ecbert, ou Egberto de Wessex, viveu entre os anos de 769 e 839, e foi rei de Wessex de 802 até sua morte. Como na série Vikings, Ecbert realmente lutou contra os dinamarqueses e contra a Mércia, e é considerado o primeiro monarca a ter conseguido estabelecer um controle estável sobre a Inglaterra; sendo proclamado, em 829, Bretwalda, ou “rei de todos os bretões”. Ecbert foi sucedido por seu filho Aethelwulf, ou Etelvulfo, que também existe no seriado.

ecbert1

Aelle:

Ao contrário do que é retratado em Vikings, o reinado de Aelle na Nortúmbria foi curto, podendo ter durado pouco mais de um ano. Mesmo assim, Aelle é descrito como um tirano – e, às vezes, retratado como o homem responsável pela morte de Ragnar Lothbrok. O monarca morreria logo depois, ainda em guerra contra os vikings.

Kwenthrith (ou Cwenthryth):

a Cwenthryth da vida real foi uma princesa da Mércia, filha do rei Coenwulf e irmã de Cenelm, que morreu em batalha (possivelmente por armação da irmã) e foi, mais tarde, proclamado santo. Cwenthryth chegou a reivindicar o trono após a morte de seu pai e irmão, mas por um curto período, renunciando logo depois.

Horik:

Horik, derrotado por Ragnar na terceira temporada de Vikings, realmente existiu: foi rei da Dinamarca de 827 a 854, quando morreu; e, ao longo da vida, fez diversos ataques ao império carolíngio de Luís o Pio, filho do famoso Carlos Magno. O mais irônico é que suspeita-se que grande parte dos feitos atribuídos a Ragnar tenham sido alcançados, na verdade, por Horik I.

Harald:

Harald, que aparece com seu irmão Halfdan para se juntar a Ragnar na quarta temporada de Vikings, foi, na vida real, o fundador e primeiro rei da Noruega, e governou entre 872 e 930. Considerado o viking que finalmente uniu a região, Harald realmente tinha o apelido “Cabelo Belo”, como na série, por seus longos e belos cabelos – Harald teria feito uma promessa de não cortar seus cabelos até se tornar rei de toda a Noruega, objetivo estabelecido, como em Vikings, para conquistar Gyda, filha de um rei vizinho. Em As Crônicas Saxônicas, o apelido é um pouco diferente: Harald é conhecido como “Cabelo de Sangue”, por seu costume de banhar-se no sangue de animais antes de cada batalha, para ganhar força e coragem.

Kattegat/Uppsala:

Kattegat e Uppsala, lugares que aparecem em Vikings, realmente existem: o primeiro é um estreito entre a Dinamarca e a Suécia – esse nome significa “buraco do gato”, referindo-se à sua largura estreita, que torna a navegação bastante difícil. Já Uppsala é uma cidade da Suécia, localizada cerca de 70 quilômetros a norte de Estocolmo. Hoje, é a quarta maior cidade sueca, e uma cidade universitária – lá fica a mais antiga universidade da Escandinávia, a Universidade de Uppsala.

Ufa, é isso. Se alguém leu até aqui (digam que sim, por favor), Guerreiros da Tempestade, último livro da série As Crônicas Saxônicas, saiu no Brasil este ano. E Vikings já está aí: quarta-feira tem episódio novo. Espero que esse texto faça você assistir (ou ler) tudo com outros olhos. Já sabemos que Ragnar vai voltar a Kattegat depois de um longo exílio, que Björn vai navegar pelo Mediterrâneo, e que Ecbert e as tramas da Inglaterra estarão de volta. Quanto do que aconteceu de verdade nós veremos no seriado? Ragnar vai continuar vivo? Seus filhos vão invadir a Inglaterra? Alfred vai crescer para se tornar rei de todos os saxões? A quinta temporada de Vikings já está confirmada. Agora, é esperar para ver até onde essa história vai ser (re)contada.

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
885

Comments

comments