Billboard explica o que cada vencedor de álbum do ano significaria no Grammy 2017

aoty
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A revista Billboard publicou hoje um artigo explicando o que cada uma das cinco possíveis vitórias na categoria de Álbum do Ano do Grammy desse ano significaria para a narrativa geral da premiação.

Texto original por Andrew Unterberger

Como muitos outros eventos midiáticos de 2017, o Grammy possui uma narrativa geral, e nenhuma outra categoria de prêmios resume a história da noite melhor do que a de álbum do ano.

Diferentemente de outras grandes premiações, onde os vencedores parecem pré-determinados e “zebras” são raras, os favoritos ao Grammy só lideram por uma pequena margem, e todos os indicados chegam à cerimônia com pelo menos uma chance remota de levar o troféu para casa. Então, quando o evento acabar, uma dessas cinco histórias possíveis será contada.

O que significaria para a votação da Recording Academy – e até para música popular, em geral – se cada um dos cinco indicados à maior categoria da maior noite da música ganhasse a honra suprema? Vamos dar nossos melhores palpites.

Adele, 25

O que essa vitória significaria: A tradição ainda é forte no Grammy

Não importa o ano e não importam os concorrentes, um álbum como 25, de Adele, sempre será uma escolha lógica para álbum do ano nos Grammy. Um sucesso de vendas de proporções sem precedentes – praticamente impossível de ser superado em 2017 – de uma artista amada pela indústria, 25 basicamente cumpre todos os requisitos: é um disco pop, mas com os elementos críticos necessários (composições confessionais, poder vocal técnico, produção de sonoridade clássica) para ser o favorito dos votantes. Não seria a escolha mais corajosa, e muitos fãs argumentariam que os álbuns anteriores, 19 e 21 (que ganhou o prêmio em 2012), mereciam mais, mas se um desenhista tivesse que desenhar o vencedor ideal para os Grammy, seria bem parecido com o 25.

Beyoncé, Lemonade

O que essa vitória significaria: É hora de mudança nos Grammy (e em todos os lugares)

É a terceira vez que Beyoncé é indicada a álbum do ano, tendo perdido o prêmio para Taylor Swift em 2010 e para (o pouco conhecido) Beck em 2015. As chances dela nesse ano parecem ser as maiores, até então: tendo conquistado o posto de queridinha da crítica tanto quanto o de estrela pop dominadora mundial com seu disco homônimo surpresa, ela lançou Lemonade no ano passado, sendo o mais aclamado unanimemente até hoje, além de incríveis números de vendas.

Esses números não chegam perto dos de 25, claro, mas enquanto Adele é a garota propaganda do sucesso do Grammy tradicional, Beyoncé é o rosto do Grammy progressista: Lemonade é o trabalho mais explicitamente portador de mensagens entre os indicados, e indiscutivelmente o mais ousado sonoramente também. A escolha pela Queen B seria uma escolha pela modernização dos Grammy – e talvez uma escolha pelo ativismo, em geral, pois alguns já especulam que o sentimento anti-Trump irá pesar a balança da academia em direção ao Lemonade por motivos políticos.

Justin Bieber, Purpose

O que essa vitória significaria: Sucesso de vendas é o novo sucesso de prêmios no Grammy

Apesar de ela ter ganho anteriormente o prêmio em 2010 por Fearless, a vitória de 1989, de Taylor Swift, nos Grammy de 2016, foi uma surpresa para alguns. Apesar do prestígio e do número de vendas vacilante, 1989 era, em seu núcleo, um disco pop bem mainstream. Tais discos não tiveram bons resultados nas escolhas do século 21 para álbum do ano – artistas de sucesso comercial tem tido melhores chances na categoria se fazem parte do mundo do rock, como Santana, U2 e Mumford and Sons.

Mas por mais que 1989 possa ter representado uma mudança, não seria nada comparado às implicações de uma vitória de Purpose. Enquanto Swift se tornou uma queridinha da indústria instantaneamente, Justin Bieber não era considerado seriamente para concorrer às maiores categorias do Grammy até um álbum atrás, quando suas músicas abriram mão do pop adolescente descartável e sua persona adulta causadora de problemas garantiu a ele um pouco de respeitabilidade adulta. Mas Purpose tem músicas fortes o suficiente para contar uma história de redenção – e colocá-lo de volta no top 40, com um trio de #1 no Hot 100 que forçou os adultos a prestarem atenção também. Uma vitória de Bieber um ano depois da de 1989 consolidaria a noção de que sucesso comercial é agora um caminho para cair nas graças da Academia, da mesma forma que o sucesso dos artistas rock era, dez anos atrás.

Drake, Views

O que essa vitória significaria: Streaming se tornou um fator importante no Grammy

Apesar do maior buzz relacionado ao streaming no Grammy de 2017 ter sido focado em artistas avessos aos lançamentos físicos, com as múltiplas indicações de Chance the Rapper, mais notavelmente por melhor artista revelação, o gerador de lucros que cresce mais rapidamente da indústria poderia ter um papel importante na escolha do álbum do ano, também. Apesar de Views, de Drake, ter de fato tido um lançamento tradicional através de um selo tradicional, pergunte a qualquer pessoa qual serviço eles mais associam com o MC de Toronto. Eles dirão Apple Music, onde o artista tem seu próprio programa de rádio, onde Views estreou com stream exclusivo, e de onde uma grande parte de seus ouvintes – e vendas – vieram.

Views não foi um lançamento que ficou apenas em um serviço: One Dance também se tornou a primeira música a atingir um bilhão de execuções no Spotify, no final de 2016. Se Drake ganhar, – uma vitória que seria meio que uma “zebra”, vistas as faltas de indicações anteriores às principais categorias do Grammy e a recepção crítica morna que Views recebeu – isso significaria que o poder crescente desses serviços de streaming é um influenciador da indústria.

Strugill Simpson, A Sailor’s Guide to Earth

O que essa vitória significaria: Não ache que o rock já está de fora do Grammy

Apesar de Sturgill Simpson dificilmente ser um representante do rock tradicional – ele entrou na indústria através de Nashville e é mais comumente visto como um artista country – como um cantor-compositor guitarrista ele é facilmente a coisa mais próxima entre os concorrentes desse ano, e seu álbum A Sailor’s Guide to Earth tem influências rock suficientes para que ele tenha apelo entre os tradicionalistas do gênero. (Simpson também escreveu e interpretou a música tema de Vinyl, da HBO, um óbvio indicador de credibilidade no rock clássico).

Apesar de ser um artista novo sem nenhuma história no mainstream, e o pouco reconhecimento de seu nome ser parecido com o de recentes vencedores surpresa da categoria álbum do ano vindos do mundo do rock (especificamente, Beck), Simpson poderia reunir o contingente remanescente de fiéis do rock (junto com os fiéis ao country), e poderia se beneficiar dos votos divididos entre os outros indicados pop no processo. Se ele ganhar, isso mostrará que, apesar de sua presença relativamente pequena entre os indicados de maior peso, a sonoridade rock e tradicional ainda tem um papel grande entre os votantes, e sua saída dos Grammys pode ter sido prematuramente prevista.

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  • Um Texto sensacional, parabéns!!!