Erros e acertos das mais famosas adaptações literárias

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Confesso – sou o que chamam por aí de “fã purista”: daquelas que, quando é apaixonada por uma história em uma mídia específica (geralmente, um livro), fica revoltada ao ver grandes mudanças na adaptação da mesma história para outra mídia (geralmente, um filme ou uma série). Entendo que determinadas coisas são feitas para não atrapalhar o ritmo ou a fluência da narrativa – sei que algumas coisas funcionam muito bem no papel, por exemplo, mas não na tela do cinema. Mas outras mudanças são desnecessárias – mais que isso, são imperdoáveis. Capazes de me fazer abandonar a série ou a saga de filmes. Sério mesmo. E eu sei que não sou a única.

De outras adaptações, eu sou fã – em maior ou menor nível. Aqui, fiz uma lista de algumas das adaptações mais famosas do cinema e da TV – e do que deu muito certo ou muito errado em cada uma:

Harry Potter

Ao longo de oito filmes, a adaptação de uma das séries literárias mais bem-sucedidas de todos os tempos tem seus erros e acertos. Há quem considere os dois primeiros filmes os mais fieis aos livros, enquanto outros os julgam infantis demais. O terceiro filme, O Prisioneiro de Azkaban, é, ao mesmo tempo, o favorito de muitos, e também um dos mais criticados – pelas mudanças visuais e de ambiente criadas pelo diretor Alfonso Cuarón e pela imperdoável falta de explicação a respeito de quem, na verdade, são os Marotos (bastava uma cena de dois minutos entre Harry e Lupin!). Enquanto parte do fandom gosta do clima mais leve e cômico do sexto filme, O Enigma do Príncipe, a outra parte detona o pouco espaço dado nas telas ao cerne do volume, a história de Lord Voldemort. Sem contar o elenco, que provoca elogios e críticas em igual medida, tanto pela “semelhança” com alguns personagens quanto pelo talento (ou falta dele) na atuação – mas acho que podemos dizer com certa segurança que o Snape de Alan Rickman é unanimidade de aprovação. (L)

O Senhor dos Anéis

A trilogia de filmes tem cortes que alguns consideram imperdoáveis (como Tom Bombadil e o Expurgo do Condado), mas é indiscutivelmente uma das melhores adaptações já feitas de um livro – ainda mais de um tão denso e extenso quanto a obra de J.R.R. Tolkien. Algumas das cenas mais simbólicas, poéticas e marcantes estão lá; e os efeitos especiais ainda parecem perfeitos, mesmo 15 anos depois da estreia – sem contar o elenco, que agrada 9 em cada 10 fãs da saga. Mas claro: não dá para falar da adaptação de O Senhor dos Anéis sem falar na adaptação de O Hobbit, que, falando de modo delicado, virou uma fanfic – a base, um livro relativamente curto e bem mais infantil do que a trilogia que cronologicamente o sucede, não tinha fôlego para uma trilogia de filmes, o que foi terreno fértil para clichês e absurdos criados pelos roteiristas. Quero dizer, um romance entre uma elfa (que nem existe nos livros, mas ganha status de protagonista nos filmes) e um anão? Sério mesmo? Ouço Tolkien se revirando no túmulo.

Game Of Thrones

As Crônicas de Gelo e Fogo viraram, na HBO, Game Of Thrones – nome tirado do primeiro livro da série, A Guerra dos Tronos. Para quem não leu (ou não é um fã tão purista dos escritos de George R.R. Martin), o seriado nunca deixou de ser bom: batalhas empolgantes, elenco competente, reviravoltas que sempre surpreendem. Mas quem não consegue se desligar dos livros teve que enfrentar um problema: a produção da HBO não podia parar, enquanto os dois últimos volumes da série ainda não foram sequer publicados – ou seja, o seriado, que começou fiel aos originais a ponto de reproduzir cenas e diálogos com exatidão, precisou ter episódios 100% inventados pelos roteiristas nas últimas temporadas. E a coisa virou uma salada: na TV, uma personagem que, nos livros, já morreu, está viva da silva – e mata um personagem, que, bem, não morre nos livros. É pra confundir a cabeça de qualquer um.

Disney

Não é engraçado pensar que a esmagadora maioria dos clássicos da Disney (A Bela a Fera, A Pequena Sereia, Peter Pan, Alice no País das Maravilhas, A Bela Adormecida e tantos, tantos outros) são, na verdade, adaptações? Estamos tão acostumados com as versões dos estúdios Disney que ficamos meio chocados ao descobrir as frequentemente cruéis versões originais dos contos (em que as irmãs de Cinderela mutilam os próprios pés para tentar calçar o sapatinho de cristal, por exemplo); ou conhecer histórias que são uma verdadeira viagem lisérgica, como é o caso de Alice. É um exemplo de adaptação que ficou tão, mas tão popular que acabou engolindo a original – e nós usamos os desenhos da Disney como parâmetro do que é a história “de verdade”.

Percy Jackson

Uma vez eu li no Twitter que “existem dois tipos de pessoas que assistiram Percy Jackson: as que gostam dos filmes, e as que leram os livros” – e eu só discordo para questionar uma coisa: alguém gosta dos filmes? Mesmo entre quem não leu a série de Rick Riordan? Os filmes não são só péssimas adaptações (o primeiro parece um videogame mal feito, com uma série de “chefões” rasos sendo derrotados um atrás do outro; e vem cá, alguém viu o segundo?), são péssimos, bem, filmes. O que é uma pena – a série tinha potencial para ser uma grande saga cinematográfica, ou um seriado dos bons. Mas a esperança nunca morre: quem sabe um dia a Netflix não ressuscita os livros, como fez com Desventuras em Série?

Desventuras em Série

O filme lançado em 2004 não é ruim, mas a franquia foi basicamente abandonada após o lançamento – e a história empacou no final do terceiro livro, já que o longa resumia (de forma inevitavelmente corrida) a narrativa dos três primeiros volumes. A série da Netflix ganhou força ao aproveitar os elementos acertados do filme (como o clima sombrio e o visual de acordo, escuro e melancólico) e consertar outros que não deram tão certo: o tom de humor negro presente no seriado torna mais aceitável, quase justificada, a burrice dos adultos e a extrema inteligência das crianças; e as pistas mais frequentes a respeito dos mistérios que envolvem os pais dos Baudelaire e seus velhos conhecidos servem como um gancho que deixa a plateia muito mais curiosa pelo que vem pela frente. O roteiro resume o que pode ser resumido, mas não chega a correr demais – e o recurso de narração é usado de forma fantástica. Estamos ansiosos pela segunda temporada. (L)

Assassin’s Creed

Uma das adaptações que mais causaram furor nos últimos tempos, Assassin’s Creed vem da longa e triste tradição dos filmes adaptados de games, que nunca deram lá muito certo. O filme prometeu com trailers impecáveis e uma produção caprichada, mas ainda entregou um roteiro raso – e deixou muita gente decepcionada, especialmente pelas altas expectativas. Mas é fato que o longa funciona melhor com quem é fã dos jogos: enquanto quem nunca jogou fica meio perdido em determinados momentos, quem é fã da franquia consegue se empolgar com as lutas e as movimentações idênticas às do jogo – coisa que, confesso, aconteceu comigo. Consegui me divertir com o filme, mesmo sabendo que ele não é uma obra-prima cinematográfica.

O Guia do Mochileiro das Galáxias

Uma das séries mais brilhantemente cômicas já escritas não teve o mesmo sucesso nos cinemas – a adaptação não conseguiu captar a essência do livro, o público ficou abaixo do esperado, e as continuações foram abandonadas. Sempre que eu recomendo essa série de livros a alguém (e eu faço muito isso) e a pessoa fala “tem um filme, né?”, eu respondo “tem, mas não veja” – porque acho que o filme fica tão, mas tão longe do que são os livros que a pessoa poderia acabar desanimando e nem lendo coisa nenhuma.

A Torre Negra

A Torre Negra é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores e mais intrincadas séries que eu já li – e eu recomendo até para quem não gosta do autor Stephen King, já que o estilo é completamente diferente do restante da obra do escritor. Mistura de faroeste com mundo pós-apocalíptico e viagens no tempo, A Torre Negra é uma história tão complexa que é difícil até de tentar explicar – o que justifica meu frio na espinha quando anunciaram uma adaptação cinematográfica. De lá para cá, foi susto atrás de susto: das confirmações no elenco a cada informação e imagem divulgada, a única coisa que eu consigo pensar é “o que diabos esses caras pensam que estão fazendo?”. O filme estreia em julho, e, das duas, uma: ou sairei do cinema xingando até a décima geração dos produtores, ou vou me surpreender positivamente – quanto mais baixas as suas expectativas, maiores as chances de você gostar de alguma coisa, certo?

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