20 filmes, documentários e séries para assistir no Black History Month

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Nos Estados Unidos, o mês de fevereiro também é conhecido como o Black History Month, ou “mês da história negra”, período onde se reflete de maneira mais intensa sobre a história negra americana. O Café acredita que esse tipo de reflexão deve ser frequente e acontecer ao longo do ano, mas, já que a data existe, ela também deve ser usada para chamar atenção das pessoas que talvez ainda não tenham parado para pensar sobre determinadas questões raciais.

Escolhemos os filmes, séries e documentários desta lista por eles abordarem diferentes aspectos da história e cultura negra americana que não se limitam só aos afro-americanos, tratando de situações vividas por negros de várias nacionalidades. Entre os títulos, estão histórias de ficção e biografias de personalidades históricas icônicas.

 

Estrelas Além do Tempo (2017)

 

Na disputa pelo Oscar 2017 nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante, pela atuação de Octavia Spencer, Estrelas Além do Tempo conta a história de mulheres negras que trabalharam na NASA e foram fundamentais no processo da ida do homem à Lua, em 1969. A tradução do título do filme para o português infelizmente foi equivocada, porque, em inglês, ele se chama “figuras escondidas”, e o nome brasileiro deixou para trás o tom de crítica do original, removendo uma análise necessária.

 

Malcolm X (1992)

 

Para quem não sabe, Malcolm X foi um dos principais militantes na luta contra o racismo nos Estados Unidos. No início de seu ativismo, ele adotava uma postura mais radical, separatista, não acreditando na igualdade racial e integração dos negros à sociedade branca. Com o tempo, abrandou sua visão, admitindo a possibilidade de coexistência entre pessoas de diferentes raças, mas acabou sendo assassinado em 1965 por antigos seguidores que não concordavam com seu novo ponto de vista. A biografia do ativista, lançada em 1992, foi dirigida por Spike Lee e tem Denzel Washington interpretando o protagonista.

 

Rainha de Katwe (2016)

 

Protagonizado pela atriz estreante Madina Nalwanga, essa produção da Disney conta a história real de Phiona Mutesi, uma menina ugandense que se tornou a primeira mulher de seu país a ser titulada como Woman Candidate Master de xadrez, certificação atribuída a jogadoras depois de uma série de excelentes resultados em competições mundiais. O filme também conta com a participação da atriz Lupita Nyong’o.

 

Selma: Uma Luta Pela Igualdade (2014)

 

Martin Luther King dispensa apresentações. O ativista americano é interpretado por David Oyelowo neste filme, que narra o período no qual foram realizadas as marchas civis da cidade de Selma até a de Montgomery, capital do estado do Alabama, como forma de protesto. Essas marchas foram organizadas por militantes do movimento negro americano, com a intenção de lutar pelo direito dos afro-americanos ao voto e contra a repressão segregacionista.

 

Cara Gente Branca (2014)

 

Eu infelizmente nunca tinha ouvido falar desse filme até que a Netflix anunciou, recentemente, que faria uma série baseada no enredo dele. Fui imediatamente assistir, e ele é sen-sa-ci-o-nal, o que leva a crer que a série, que terá a mesma equipe de criação, expandirá ainda mais o conteúdo e a crítica social do longa. Tanto o filme quanto a série tratam da vivência de Samantha White, uma estudante de cinema, em uma faculdade fictícia baseada nas grandes universidades de elite americanas.

 

Tina – A Verdadeira História de Tina Turner (1993)

 

Uma das maiores estrelas da música norte-americana, Tina Turner teve sua vida transformada em filme em 1993. A biografia, estrelada por Angela Bassett no papel de Tina, narra a jornada da jovem Anna Mae Bullock (nome de batismo da cantora) até o estrelato, passando por dramas pessoais, principalmente o relacionamento abusivo com o marido e também parceiro musical, Ike, interpretado por Laurence Fishburne.

 

The Get Down (2016)

 

Com o selo de “original Netflix”, The Get Down foi a reposta da gigante do streaming aos constantes pedidos da audiência por mais representatividade em suas produções, e também uma aposta inédita, por se tratar de uma série musicada. O enredo trata do surgimento do hip-hop nos Estados Unidos, e os personagens são todos interpretados por atores negros ou latinos. Apesar das ótimas avaliações, a série não se saiu tão bem em relação à audiência, o que levantou questionamentos sobre quais seriam os motivos desta falta de interesse.

 

A Cor Púrpura (1986)

 

Esse clássico do cinema, que foi indicado aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Atriz (Whoopi Goldberg), Melhor Atriz Coadjuvante (Margaret Avery e Oprah Winfrey), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino, Melhor Canção Original, Melhor Trilha Sonora e Melhor Maquiagem, não tendo ganhado nenhum dos 11 prêmios, é baseado no livro de mesmo nome, ganhador do prêmio Pulitzer, de Alice Walker. O longa conta a história de Celie Harris, uma jovem negra americana do começo do século XX que enfrenta problemas estruturalmente encarados por mulheres negras, como violência doméstica, pobreza, racismo e machismo.

 

12 Anos de Escravidão (2013)

 

Tive dúvidas quanto a colocar este filme na lista por ele ser tão explicitamente violento, como a histórias sobre a escravidão de fato são, e por entender quando o movimento negro alerta para a falta de filmes que mostrem as conquistas dessas pessoas, preferindo mostrar apenas seu sofrimento. No entanto, ao consultar minha querida amiga Ana Beatriz sobre o assunto, ela imediatamente indicou o filme, dizendo que ele é “o melhor filme dos últimos tempos”. “12 Anos” é baseado no livro biográfico de Solomon Northup, homem livre que foi raptado e vendido como escravo nos Estados Unidos, em 1841. O longa segue a trajetória de Solomon até a liberdade novamente.

 

What Happened, Miss Simone? (2015)

 

Esse documentário, produzido pela Netflix, traz entrevistas e imagens inéditas da cantora, pianista, compositora e ativista Nina Simone, falecida em 2003 devido a um câncer de mama. Nina sempre foi uma figura vista como polêmica por causa de comportamento transgressor das regras sociais da época em que ela esteve no auge do sucesso. O documentário, que diz ter a intenção de explicar a incompreendida personalidade da artista, foi criticado por ter dado espaço de fala ao ex-marido de Simone, de quem ela foi vítima de violência doméstica. Você pode ler essas críticas mais aprofundadamente no Geledés.

 

Bem-vindo a Marly-Gomont (2016)

 

Outra indicação da Ana Beatriz, esse filme conta a história de Seyolo Zantoko, um médico congolês que vai trabalhar e morar com sua família em uma pequena cidade francesa. Seyolo, sua esposa e seus filhos, no entanto, precisam aprender a lidar com os habitantes do local, que nunca haviam convivido com pessoas negras anteriormente. Baseado na vida do pai do rapper francês Kamini.

 

Preciosa (2009)

 

Mais um preferido da Ana Beatriz, acredito que Preciosa também dispense grandes apresentações. Muito falado na época em que concorreu aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Gabourey Sidibe), Melhor Direção e Melhor Edição e ganhou os de Melhor Atriz (Mo’Nique) e Melhor Roteiro Adaptado, o longa se passa em 1987, no Harlem, em Nova York, onde uma adolescente ainda analfabeta e grávida pela segunda vez vê sua vida começar a mudar quando passa a frequentar uma escola alternativa e conta com o apoio de uma professora dedicada para aprender a ler e a escrever, ao mesmo tempo que os traumas de sua infância vão se revelando.

 

O Mordomo da Casa Branca (2013)

 

Estrelado por Forest Whitaker e Oprah Winfrey, o filme é levemente inspirado na vida de Eugene Allen, e conta a história de um dos mordomos da Casa Branca, a casa presidencial americana, durante o mandato do oitos presidentes. Nas palavras do presidente Obama sobre o filme, “Fiquei com os olhos marejados ao pensar não só nos mordomos que trabalharam aqui na Casa Branca como em toda uma geração de pessoas que eram talentosas e capacitadas, mas que por causa das leis segregacionistas, por causa da discriminação, tinham um limite até onde podiam chegar.”

 

Flor do Deserto (2010)

 

Outra indicação da Bia, Flor do Deserto conta a história, baseada na vida de Waris Dirie, de uma jovem somali que foge da África ao ser vendida em casamento aos 13 anos e se torna uma supermodelo americana e porta-voz da ONU contra a mutilação genital feminina, que ela mesma sofreu aos três anos de idade. Protagonizado pela atriz etíope Liya Kebede.

 

Raízes (2016)

 

Raízes é a mais clássica história sobre a época da escravidão americana de todos os tempos. Adaptação do livro Negras Raízes, de Alex Haley, a primeira versão da série que imortalizou o guerreiro gambiano Kunta Kinte foi exibida em 1977, se tornando um dos maiores fenômenos televisivos dos EUA. Em 2016, o History Channel produziu um remake, estrelando nomes como Malachi Kirby, Forest Whitaker, Laurence Fishburne e Anika Noni Rose.

 

Histórias Cruzadas (2011)

 

Indicado ao Oscar por Melhor Filme, Melhor Atriz (Viola Davis), Melhor Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain) e Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer), o filme ganhou apenas o último prêmio. Baseado no livro homônimo de Kathryn Stockett, o filme conta a história de uma jornalista que decide expor os casos de racismo cometidos pelas famílias do subúrbio americano contra as mulheres que trabalham em suas casas como empregadas e permanece atualíssimo, mesmo que sua história se passe na década de 60.

 

Homens de Honra (2000)

 

Também inspirado na história real de Carl Brashear, o filme conta a trajetória do primeiro afro-americano a ser mergulhador da marinha dos Estados Unidos, superando o impedimento racista que ainda existia entre militares do país em 1948. Carl é vivido por Cuba Gooding, Jr no longa.

 

Ray (2004)

 

Esse filme de 2004 narra a trajetória do cantor e compositor Ray Charles, desde seu começo humilde, quando ficou cego por causa de um glaucoma, até sua ascensão ao estrelato mundial do R&B. Apesar de ter morrido meses antes da estreia do longa, o musicista teve a oportunidade de ler uma versão em braile do roteiro do mesmo. Estrelado por Jamie Foxx como Ray Charles.

 

Dreamgirls (2006)

 

Adaptação do musical da Broadway de 1981, o filme se inspira na história da cantora Diana Ross e seu grupo musical, The Supremes. Nenhum personagem é inteiramente correspondente a pessoas reais, mas eles são levemente baseados em Berry Gordy, Jr, fundador da Motown, com Eddie Murphy interpretando um mix de James Brown com Marvin Gaye. O filme oferece um ponto de vista muito interessante sobre como os negros americanos foram pioneiros em diversos estilos musicais, que só se popularizavam quando artistas brancos passavam a lançar músicas desses gêneros. Com Jennifer Hudson, Jamie Foxx, Beyoncé, Eddie Murphy e Anika Noni Rose.

 

Nascimento de Uma Nação (2006)

 

Esse filme, lançado no final do 2016, foi queridinho nos festivais e tinha de tudo para concorrer a diversas categorias no Oscar 2017. No entanto, uma polêmica envolvendo o diretor e também protagonista do longa, Nate Parker, e o roteirista, Jean Celestin, acabou surgindo: ambos foram acusados – sendo um inocentado e o outro, considerado culpado e preso – de estuprar uma mulher em 1999. A produção rapidamente se tornou alvo de boicote e de fato não foi indicada a nenhum prêmio da academia. O assunto é ainda mais delicado, pois a rebelião de escravos que acontece no filme é justamente motivada pelo estupro de duas mulheres. O caso nunca foi totalmente resolvido, o que acabou levando ao fracasso do filme entre as premiações e entre o público e ao suicídio da vítima, em 2012. Porém, para quem não se importa em separar a arte do artista, o filme continua sendo um retrato histórico provocativo, até mesmo por levar o mesmo nome que o filme de 1915, do diretor D. W. Griffith, que servia de propaganda para a Ku Klux Klan.

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