Estrelas Além do Tempo: personalidades negras brasileiras esquecidas pelos livros de história

antonieta
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Com estreia no Brasil no último dia 2 de fevereiro, o filme Estrelas Além do Tempo tem provocado um sonoro burburinho na mídia e na sociedade (sejam estas americanas ou brasileiras) quanto aos tópicos polêmicos que discute. A propósito, dentre os motivos causadores de controvérsias, destaca-se o papel do racismo estrutural em uma sociedade.

Para os que não conhecem o enredo do filme, a história se passa durante o que foi considerado o ápice da Guerra Fria, a corrida espacial, onde três mulheres negras funcionárias da NASA são as principais responsáveis pela primeira ida do homem ao espaço. Em resumo, mesmo enfrentando por completo o sombrio passado segregacionista e machista dos Estados Unidos para que um evento histórico desse patamar fosse realizado, tais heroínas tiveram seus nomes esquecidos pela história de seu país por 56 anos, do mesmo modo que dezenas de personalidades negras importantíssimas são ocultadas pelos livros de história de seus países.

Pensando nisso, aqui vai uma lista com quatro protagonistas negros da história brasileira.

1. Ganga Zumba – O Grande Senhor

Quando se fala sobre o “Quilombo dos Palmares”, a primeira associação feita por todos é com Zumbi dos Palmares, o seu mais famoso líder. Contudo, não foi apenas pela liderança de Zumbi que o conjunto de mocambos (refúgios de escravos foragidos) prosperou por quase cem anos. O primeiro grande líder do conjunto de vilas organizadas por negros anteriormente escravizados foi Ganga Zumba que, durante seu governo, viu a população do quilombo atingir o número de 20 mil pessoas. O “Rei de Palmares” chegou a ter um palácio, três esposas, guardas, súditos, ministros e 1.500 casas construídas ao redor de seu palácio onde moravam sua família e a nobreza de seu reino. Zumba morreu em 1678 após fechar um acordo de rendição com o governo de Pernambuco, sendo então sucedido por seu sobrinho, Zumbi.

2. Dandara dos Palmares

Ainda tratando sobre o quilombo mais bem-sucedido da história, Dandara é uma figura que acabou por se tornar extremamente abstrata, adquirindo características de lenda, devido à escassez de informações ao seu respeito. Nem como era seu rosto os historiadores sabem ao certo. No entanto, a esposa de Zumbi tem um lugar reservado para si na história devido à sua força e inteligência. Dandara foi de grande influência para que Zumbi não sucumbisse ao acordo firmado por Ganga Zumba, seu antecessor, com a Coroa, para que os palmeirenses devolvessem os escravos fugidos que passassem por lá em troca de liberdade, ao pressentir que esta seria apenas parcial e não relacionada ao fim da escravidão. Mestre em capoeira, Dandara suicidou-se em 1694, ao ser capturada durante um ataque ao “Quilombo dos Palmares”, para não retornar à condição de escrava.

3. Machado de Assis

Talvez um choque para muitos; sim, Machado de Assis era negro. Em seu tempo, o escritor era considerado como mulato, termo de cunho racista usado para definir pessoas mestiças com características negras menos sobrepujantes. Machado, porém, também fazia a sua parte para esconder seus traços de origem africana; como os lábios mais voluptuosos, por meio de sua grande barba, devido à sua finalidade de ascender social e economicamente. Nascido no Morro do Livramento – na cidade do Rio de Janeiro – de família pobre, tendo estudado em escolas públicas e sem nenhuma faculdade, o autor de grandes clássicos brasileiros chegou a assumir cargos públicos, sendo o de Ministro da Agricultura um dos exemplos, e também foi crucial para literatura brasileira dos séculos XIX e XX, além de ter fundado a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 1908, aos 69 anos, devido a um câncer na boca.

4. Antonieta de Barros

Uma figura realmente mantida nas sombras, a primeira deputada negra do Brasil e primeira deputada mulher do estado de Santa Catarina merece, mais do que ninguém, um lugar nessa lista. Nascida no estado de Santa Catarina, com uma mãe lavadeira e um pai falecido, Antonieta conseguiu formar-se como professora aos 21 anos de idade, pela Escola Normal Catarinense. Seu primeiro passo após a graduação foi fundar o Curso Particular Antonieta de Barros, com o objetivo de ajudar na alfabetização de crianças carentes. Fundou também o jornal “A Semana” e a revista “Vida Ilhoa”, que também dirigiu. Se candidatou à deputada estadual pelo Partido Liberal Catarinense em 1934 e foi eleita no mesmo ano, operando como tal até o início da ditadura Vargas, em 1937. Reelegeu-se em 1947 como deputada suplente, ou seja, substituta, mas continuou lutando por uma maior e melhor distribuição de educação pelo estado. Antonieta de Barros é destacada por ter criado um espaço para que o que ela tinha a falar pudesse ser ouvido, por ser pioneira na luta das mulheres e dos negros por maior espaço na política e por enxergar a educação como a melhor solução para os diversos problemas, principalmente a desigualdade social, de seu estado.

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