'A Bela e a Fera' é um clássico que representa a nova geração

A Bela e a Fera
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O live-action de A Bela e a Fera, com Emma Watson no elenco, estreou em 16 de março e eu, como um bom amante da Disney e um eterno apaixonado por animações, não pude esperar para conferir o resultado da nova produção.

Entrei na sessão, e o primeiro impacto foi perceber que a sala de cinema estava lotada por jovens adultos, o que se traduz em um sentimento: todos estavam ali para reviver a infância. O grande desafio do filme era a modernização do conto mantendo a história original produzida pela Disney.

O longa inicia causando um estranhamento misturado com alívio. A nova produção trouxe aquilo que todos torcíamos: representatividade. Há personagens negros no baile da realeza e na vila; LeFou (Josh Gad), amigo de Gaston (Luke Evans), é gay e, durante um trecho, um do cavalheiros da vila aparece de vestido se identificando com o que vê. E claro, a mudança da imagem ingênua de Bela para uma mulher empoderada.

Por um histórico de conservadorismo, quando foi anunciado que no remake d’A Bela e a Fera teria um personagem gay, eu imaginei que a produtora não arriscaria de tal forma. Fiquei surpreendido. LeFou é afeminado e diversas vezes mostra sua queda por Gaston, e isso é perfeito! Não consegui parar de pensar nas crianças afeminadas, que crescem sofrendo bullying pelo seu jeito, encontrando representação pela primeira vez. A representatividade se faz necessária, as minorias devem ser exibidas de forma natural, para que seja entendido que este comportamento é tão normal e humano como qualquer outro e, no futuro, se passe de forma desapercebida pelas crianças.

Um outro ponto impressionante de A Bela e a Fera é a reprodução fiel da animação. Muitas vezes, até mesmo frame a frame, os diretores do filme conseguiram executar esse desafio com maestria.

O grande destaque do filme, como todos esperavam, é a interpretação da atriz Emma Watson. Ao mesmo tempo que está delicada e doce, Emma também nos convence que Bela é uma mulher firme e corajosa. Aquela velha história de que para ser princesa é preciso ser mulher submissa e sensível cai por terra. Em diversas cenas, a “nova Bela” mostra que essa conversa é diferente. Ela joga o vestido no chão para salvar a Fera, impõe-se diversas vezes a frente dele e é julgada por ser à frente de seu tempo.

Antes de escolher Emma Watson para representar Bela, a Disney já pensava nesse formato de releitura da história, e todos nós já tínhamos certeza. Até porque Moana, Frozen e Valente já mostraram esse interesse nas novas produções. O que não esperávamos é que a escolha mostraria tanta versatilidade da feminista. Se Daniel Radcliffe dificilmente poderá interpretar outro papel desvinculando sua eterna imagem de Harry Potter, Emma Watson mostrou que pode ser muito mais do que apenas Hermione Granger.

Os figurinos e as animações dos personagens do longa encantam. As vestimentas foram modernizadas e, ainda assim, mantêm o tom clássico. Enquanto assistimos, reconhecemos as cenas originais. Os móveis vivos, que foram um desafio para a produção, são versões adultas e divertidas da história. Assistir a A Bela e a Fera em 3D tornou-se uma experiência no melhor estilo dos parques temáticos da Walt Disney World. Os efeitos especiais são tão perfeitos que em alguns momentos eu jurava que sentiria água ou vento na sala de cinema (como nas atrações dos parques).

O remake possui 2h10 de duração, mais músicas do que na versão infantil e em nenhum momento ele se torna cansativo. O roteiro adaptado mantém a ação constante e prende sua atenção durante todo o tempo. E sem spoiler, a nova história explora melhor o que aconteceu com a mãe de Bela.

Desde o ano passado, A Bela e a Fera criou expectativa por se apresentar como um filme excepcional. A escolha da atriz, o trailer (o mais visto em 24 horas) e até música-tema cantada por John Legend e Ariana Grande alimentaram a esperança. É muito difícil suprir as altas expectativas, entretanto, em diversos aspectos a produção da Disney conseguiu superar. Muito melhor do que um filme bom, ele representa a nova geração. Uma geração que mostra que é possível modificar uma história clássica e sem perder sua real essência. Que é possível ser bela e feminista. E que é possível ser quem você quiser.

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