Melina Matsoukas conta detalhes da produção dos vídeos de "Formation", "We Found Love" e de sua carreira

9c88ab99750b13a19d376afe4883a0a8
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
21

Melina Matsoukas, diretora por trás de inúmeros vídeos da carreira de Beyoncé e Rihanna, conversou com Alexis Okeowo, da revista The New Yorker, para contar um pouco sobre sua carreira, suas inspirações e detalhes dos bastidores de alguns clipes das duas cantoras.

Fizemos a tradução e adaptação de alguns trechos abaixo, mas você pode ler a matéria completa (em inglês), clicando aqui:

Por Alexis Okeowo

Melina Matsoukas, diretora de videoclipes e programas de televisão, tinha acabado de voltar para casa depois de uma viagem à Cuba quando ela recebeu uma ligação de Beyoncé, pedindo que ela dirigisse um vídeo para uma música chamada “Formation”. Matsoukas já havia dirigido nove vídeos de Beyoncé e a considerava como parte de sua família. Mas esse trabalho foi especificamente exigente. Beyoncé estava criando Lemonade, um álbum visual profundamente pessoal, que fala sobre traições em casamentos entre negros – o de seus pais e, supostamente, o seu próprio também. “Formation” seria o primeiro single, uma introdução à nova estética de Beyoncé: tanto vulnerável quanto política. Ela queria lançar a música um dia antes de se apresentar com ela no Super Bowl, o que significava que Matsoukas deveria criar um vídeo em algumas semanas. “Foi o trabalho mais rápido que já fiz em toda minha vida,” ela conta.

(…)

Depois de Matsoukas concordar em dirigir o vídeo, Beyoncé a convidou à sua casa, em Los Angeles, e explicou o conceito por trás de Lemonade. “Ela queria mostrar o impacto histórico da escravidão no amor negro, e como isso afetou as famílias negras,” Matsoukas conta. “E homens e mulheres negras – como nós somos quase socializados a não ficarmos juntos.” Esse era um assunto delicado para Beyoncé. Ela e o marido, o rapper Jay-Z, estão entre os casais mais famosos do mundo, e há muito tempo são cercados de boatos dizendo que ele seria infiel. Beyoncé se considera uma feminista, mas para mulheres negras, o feminismo pode ser um ato de equilíbrio tênue – lutar pelos direitos das mulheres ao mesmo tempo que defendem homens negros contra o racismo. Feministas negras geralmente são forçadas a escolher entre militar politicamente pelo movimento negro ou pela causa feminista. “É uma luta injusta, que apenas mulheres negras podem entender e se identificar,” Matsoukas diz. Com Lemonade, Beyoncé desafiou publicamente os homens de sua vida, o que foi uma decisão inesperada e, para seus fãs, animadora.

O vídeo de “Formation” se tornou um hino do empoderamento feminino negro, filmado no estado da Louisiana, de onde os avós maternos de Beyoncé são. “Conversamos sobre o sul, Nova Orleans, a história da mãe e também do pai dela,” Matsoukas lembra. O conceito era ideal para ela, que é conhecida por vídeos que transmitem o glamour comercial do hip-hop contemporâneo, mas que trazem mulheres negras como heroínas. Mas mesmo que a letra de “Formation” ofereça uma postura feminista – Beyoncé promete que, se seu parceiro a agradar, ela talvez o leve para dar uma volta de helicóptero – não havia um enredo óbvio nela.

Quando Matsoukas desenvolve uma ideia para um vídeo, ela passa horas navegando na internet e por livros e revistas de arte, procurando imagens que causem algum impacto. “Eu trato cada vídeo como um projeto de tese,” ela diz. Pilhas de antigas fontes ficam atrás do sofá dela: livros de Chimamanda Ngozi Adichie, Noam Chomsky, e C. L. R. James; edições passadas da Wallpaper; livros de matemática e ciência da escola. Para o vídeo de “Formation”, ela encontrou ideias nos trabalhos de Toni Morrison, Maya Angelou e Octavia Butler. Ela começou a misturar cenas da história negra, desde a escravidão até os desfiles de Mardi Gras e os protestos sobre Rodney King. “Eu queria mostrar – esse é o povo negro,” ela disse. “Nós triunfamos, nós sofremos, nos afogamos, levamos surras, dançamos, comememos e ainda estamos aqui.” Ela escreveu um tratado e o enviou a Beyoncé no meio da noite. Em algumas horas, a cantora respondeu, dizendo que tinha amado.

Matsoukas, ao procurar um cenário que se parecessem com uma fazenda de plantações, alugou um museu em Pasadena e o decorou para evocar o clima de E O Vento Levou e 12 Anos de Escravidão. Depois disso, ela pediu que seu diretor de arte “enegrecesse” a casa, pendurando retratos negros no estilo da Renascença francesa. Filmes sobre escravidão “tradicionalmente dão destaque às pessoas brancas em papeis de poder,” ela diz. “Eu queria transformar essa imagem na cabeça deles.” Matsoukas planejou detalhes técnicos para criar um sentimento de verossimilhança, filmando algumas cenas com uma câmera Bolex – para um “visual granulado”, como em um documentário – e outros com um camcorder. Ela contratou um operador de câmera chamado Arthur Jafa, que foi o cinematógrafo de Daughters of the Dust, filme icônico de 1991 sobre mullheres da cultura Gullah, na Carolina do Sul, cujo foco na irmandade negra ecoa no vídeo de “Formation”.

Matsoukas teve dois dias para filmar Beyoncé, que ensaiava para o Super Bowl, na época. Ela criou uma cena onde Beyoncé canta em cima de um carro de patrulha, enquanto ele afunda lentamente na inundação causada pelo furacão Katrina. “Eu queria que fosse uma viatura policial para mostrar que eles não apareceram por nós,” ela conta. “E que ainda estamos aqui em cima, e que ela estava com as pessoas que sofreram.” Ela filmou a cena em um estúdio de Los Angeles, com um lago artificial e uma tela azul de fundo, que simulou Nova Orleans. Um guindaste suspendeu a câmera enquanto um elevador abaixou o carro de polícia e Beyoncé para dentro da água. Matsoukas operou outra câmera dentro de uma lancha. “Todo mundo estava assustado, porque a água estava fria,” ela disse. “E a senhorita Tina” – mãe de Beyoncé, Tina Knowles – “estava me chamando, e dizendo ‘Você vai fazer ela ficar com pneumonia, e ela tem que se apresentar no Super Bowl.'”. Beyoncé, que vestia uma roupa de mergulho por baixo do figurino, não reclamou.

Na primeira edição, o vídeo terminava com a imagem de Beyoncé afundando na água, mas a cantora queria que a cena final fosse mais alegre. Uma amiga de Matsoukas tinha brincado recentemente sobre a “agarrada no ar das meninas negras”, um gesto incisivo feito com o antebraço estendido enquanto os dedos tentam alcançar o teto e depois se fecham em um punho. No material filmado, Matsoukas encontrou um momento em que Beyoncé estava sentada na casa de fazenda, usando um vestido branco, agarrando o ar enquanto encarava a câmera. “Pareceu perfeito,” ela diz. Ela o colocou depois da cena de afogamento como um gesto final enfático.

A resposta ao vídeo foi imediata e controversa. Na revista Slate, uma cineasta de documentários chamada Shantrelle Lewis acusou Beyoncé de lucrar com tragédias, escrevendo “Precisamos tanto da negritude no mainstream que confundimos exploração com validação?” Unidades policiais de todo o país protestaram, dizendo que Beyoncé estava passando uma “mensagem anti-polícia.” Mas o vídeo foi enormemente popular entre fãs e críticos, ganhando o Grand Prix Lion Award, em Cannes, o Vídeo do Ano no B.E.T. Awards e no VMA e, mês passado, um Grammy por Melhor Videoclipe. “Eu não sabia que o vídeo incitaria todas essa repercussão,” disse Matsoukas. “Mas estou feliz que tenha o feito.”

No vídeo de Formation, um homen negro vestindo uma camiseta amarela e um chapéu de caubói aparece andando a cavalo em um beco deserto, cercado de arbustos e paredes de tijolo vermelho; seus tênis Adidas brancos são enfeitados com esporas. A cena foi inspirada no avô paterno de Matsouka, Carlos, um pregador e músico afro-cubano, conhecido pelos amigos como o “Nat King Cole cubano,” que participava de rodeios no Harlem e no Bronx. “Nós víamos ele em seu cavalo branco e ele parecia mesmo um caubói negro de aparência nobre,” ela lembra.

(…)

Em 2006, na noite do VMA, Matsoukas conheceu Jay-Z e Beyoncé em uma boate em Nova York, e Jay-Z a parabenizou por ser uma estrela em ascenção. Matsoukas apertou a mão de Beyoncé e disse a ela “Estou chegando para você”. Dois meses depois, Camille Yorrick, uma executiva que trabalhava com Beyoncé, ligou para pedir que Matsoukas dirigesse quatro vídeos para o próximo álbum da cantora. “Eu só tinha feito quatro vídeos na minha vida inteira! Fiquei realmente assustada.”

(…)

Em 2011, Rihanna pediu que Matsoukas fizesse um vídeo para uma música chamada “We Found Love.” Na época, Matsoukas tinha se cansado de criar vídeos que simplesmente mostrassem um determinado tipo de situação. “Eu já tinha feito muita coisa com base em performances, e eu queria contar histórias,” ela disse. (…) Matsoukas criou um texto para Rihanna, que evocava Romeu e Julieta e Réquiem para um Sonho: uma narrativa de um relacionamento carregado de paixão, cheio de drogas e violência doméstica. Para interpretar o protagonista masculino – “aquele cara que todas queremos mas sabemos que não podemos mexer com ele,” Matsoukas disse que encontrou um boxeador amador em Londres chamado Dudley O’Shaughnessy. No set de filmagens, em uma fazenda próxima a Belfast, a química entre Rihanna e O’Shaughnessy surgiu de improviso. Antes da primeira cena, Rihanna “estava no trailer dela, se arrumando, e ele estava no set esperando, e é claro que nós também estávamos lá. Então, quando ela chegou, não houve tempo para apresentações formais. Foi tipo ‘Ok, pega a mão dela e corre, e se percam por aí’. E eu falei ‘Se tiver vontade, pode beijar ela.’ E ele fez isso – eles se beijaram no primeiro take.”

Dois anos antes dessa filmagem, o namorado de Rihanna na época, Chris Brown, a espancou em um carro, e fotos do rosto dela machucado encheram as páginas dos tabloides. Os fãs de Rihanna viram uma semelhança inegável entre Brown e O’Shaughnessy. Matsoukas nega que isso tenha sido intencional, dizendo apenas que o vídeo “foi baseado na minha vida amorosa terrível e na vida amorosa terrível dela e na vida amorosa terrível de todas as mulheres.” Mesmo assin, a violência vista no relacionamento fictício se parece desconfortavelmente com a da vida real de Rihanna. “Ela estava aberta para fazer isso,” Matsoukas diz, “para ser honesta e mostrar como a vida realmente é.”

No set, enquanto Matsoukas se preparava para filmar uma briga entre Rihanna e O’Shaughnessy em um carro estacionado, fãs surgiram e os cercaram. Matasoukas os afastou com um megafone e depois voltou para o banco de trás para dirigir os artistas enquanto um cameraman filmava de fora do carro. Na cena, Rihanna e O’Shaughnessy podem ser vistos gritando um com o outro. “Eles estavam dizendo coisas completamente sem sentido, como ‘Sua calça é apertada demais!'”, ela lembra. “Mas certos ânimos ficaram exaltados.” O dono da fazenda acabou ficando incomodado com o espetáculo, e expulsou a equipe. “Eu queria que tudo corresse de forma livre, como se eles estivessem vivendo a vida livre, e Rihanna tirou a roupa,” diz Matsoukas. “Isso provavelmente foi longe demais para ele.” Mas o vídeo ajudou Rihanna a estabelecer uma imagem mais ousada. E fez com que Matsoukas levasse para casa um Grammy de Melhor Videoclipe Curta-Metragem, fazendo ela a primeira diretora mulher a ganhar sozinha o prêmio.

(…)

Os vídeos de Matsoukas também foram criticados por serem inspirados em outras fontes. Em 2011, ela dirigiu Rihanna no vídeo da música “S & M”, no qual a cantora dançou em roupas de látex, segurando um chicote, e levou um homem para passear em uma coleira. A provocação funcionou: mesmo com a censura do vídeo em diversos países, ele recebeu milhões de visualizações no YouTube. Mas o artista David LaChapelle acabou processando Rihanna, alegando que a estética do vídeo seria um plágio de suas fotografias (Rihanna fez um acordo). Durante a produção de “Formation”, Matsoukas intercalou suas próprias imagens com takes de Nova Orleans de um documentário sobre a bounce music chamado That B.E.A.T.. O material do documentário foi cedido pela empresa que possuía os direitos autorais, mas mesmo assim os cineastas ficaram chocados ao verem suas imagens sendo usadas em uma produção diferente, de alto nível. Abteen Bagheri, o diretor, tuitou que o uso do material “não era legal”, adicionando, com aparente resignação, que “essa é a triste realidade da indústria musical.” Matsoukas disse que ela ficou magoada pelas críticas, mas também disse que a indústria da cultura-pop prospera ao pegar emprestado. “Também já vi coisas que penso serem semelhantes às minhas criações,” ela disse. “As pessoas são influenciadas por coisas semelhantes. Eu tento passar longe de referências muito próximas.”

(…)

Sendo uma mulher negra em uma indústria dominada por homens brancos, Matsoukas tem uma afinidade incomum com suas colaboradores mais frequentes. Beyoncé disse “Me sinto segura trabalhando com ela, e expresso e revelo coisas sobre mim mesma que não faria com nenhum outro diretor, porque temos uma amizade genuína e eu confio na arte dela.” Os primeiros vídeos delas juntas foram brincadeiras sem ambição: um teaser para a música “Kitty Kat”, em 2007, foi uma vinheta de um minuto, na qual Beyoncé usava um macacão com estampa de leopardo. Com o tempo, o trabalho delas se tornou mais sombrio. Em “Why Don’t You Love Me,” de 2010, Beyoncé bebe Martinis e grita a letra da música em um telefone, com a maquiagem escorrendo, como uma dona-de-casa louca de Valley of the Dolls.

Matsoukas criou um concurso de beleza fictício para o vídeo da música de 2013 “Pretty Hurts”, focando em como os padrões de beleza afetam as mulheres. Ela retratou Beyoncé com bulimia, e filmou uma cena da cantora vomitando no chão de um banheiro. (Apesar de, mesmo nesse momento, não ter falhado em fazê-la parecer cativante.) “Elas são garotas legais que brincam juntas,” diz Dream Hampton, cineasta e compositor, sobre Matsoukas e Beyoncé. “Melina tem muito apoio. Cineastas negros geralmente não conseguem trabalhar com filmes – custa muito dinheiro. Mas Beyoncé está disposta a investir.”

Matsoukas também se tornou próxima da família de Beyoncé; ela dirigiu vídeos para Solange e, em 2014, discursou no casamento dela. “Uma das coisas mais especiais sobre nossa amizade é que, nove em dez vezes, estamos na mesma vibe,” Solange diz. “O fato de ela ser uma mulher negra capaz de contar essas histórias de uma maneira corajosa e única é realmente raro.” Em “Losing You”, de 2012, Solange queria trabalhar com sapeurs, uma sociedade informal de homens do Congo que competem pelas roupas mais estilosas e ostensivas. Matsoukas se lembra de que preocupações com a segurança as impediram de filmar no Congo, então elas resolveram filmar na África do Sul, convidando alguns sapeurs. “Nós não tinhamos dinheiro algum,” Solange disse. “Não tínhamos um plano de verdade, porque não tínhamos um time de produção completo.” Para uma cena para a qual Matsoukas queria clippings de revistas nas paredes de uma boate, ela e Solange ajudaram a equipe a recortar as revistas.

(…)

Quando Matsoukas começou a trabalhar no vídeo de “Formation”, artistas negros do mainstream não estavam mostrando interesse em problemas como brutalidade policial. “O povo se ergueu, e os artistas estavam ficando para trás – eles ainda estavam apenas contemplando a situação,” diz Hampton. “Para o movimento Black Lives Matter, os artistas não são relevantes se não estiverem falando sobre o que está acontecendo nas ruas.” Um das cenas mais marcantes de “Formation” mostra um garoto negro encarando uma fila de policiais brancos, fazendo o que Matsoukas chama de “uma dança da paz”. A câmera corta para um muro cheio de graffiti, que diz “parem de atirar na gente”. “Eu queria falar sobre brutalidade policial e falar sobre nós morrendo, nós sendo assassinados, mas de uma maneira artística,” ela diz. O garoto dançaria sem camisa, mas ele chegou no set vestindo um capuz preto. Matsoukas disse para ele continuar de capuz. Quando Beyoncé viu a filmagem, questionou a mudança. “Eu fiquei tipo, ‘Por favor, deixa ficar assim,'” conta Matsoukas. Beyoncé concordou. A cantora e suas dançarinas então se apresentaram no Super Bowl vestindo boinas pretas e couro militar, lembrando o uniforme das Panteras Negras.

Depois da performance, Beyoncé contou a Elle que ela não é anti-polícia. “Tenho muita admiração e respeito pelos oficiais e pelas famílias dos oficiais que sacrificam a própria vida para nos manter seguros,” ela disse. “Mas sejamos claros: sou contra a brutalidade policial e a injustiça.” As críticas foram intensas, com cobertura extensiva da Fox News e unidades policiais ameaçando não oferecer segurança para Beyoncé em sua turnê Formation; em resposta, a Nação do Islã ofereceu sua própria proteção. Matsoukas ficou preucupada com os ânimos exaltados das reações. “É meio assustador,” ela diz. Mas ela não se arrepende de suas escolhas artísticas. “Quando eles disseram que ‘Formation’ era anti-polícia, eu pensei ‘Então vocês são o que, a favor de atirar na gente?'”.

(…)

Trechos do artigo escrito por Alexis Okeowo para a The New Yorker.

Melina Matsoukas tem entre seus trabalhos mais conhecidos os vídeos de “Green Light“, “Kitty Kat“, “Suga Mama“, “Upgrade U“, “Move Your Body“, “Diva“, “Why Don’t You Love Me“, “Pretty Hurts“, “Formation” (Beyoncé), “RUN” (Beyoncé e Jay-Z), “I Decided“, “Losing You” (Solange), “Rude Boy“, “Rockstar 101“, “S&M“, “We Found Love“, “You da One” (Rihanna), “Bleeding Love” (Leona Lewis), “Just Dance“, “Beautiful, Dirty, Rich” (Lady Gaga), “Tambourine” (Eve), “Hold It Don’t Drop It” (Jennifer Lopez), “Thinking of You” (Katy Perry), “Your Body” (Christina Aguilera), “Not Fair” (Lily Allen), “In My Arms“, “Wow” (Kylie Minogue), “Sensual Seduction” (Snoop Dogg) e “Because of You” (Ne-Yo).

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
21

Comments

comments