A reinvenção dos X-Men na TV e no cinema tem muito a ensinar

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Se hoje em dia o gênero de super-heróis é um sucesso comercial indiscutível para o cinema, muito se deve ao primeiro filme dos X-Men, lançado logo após a virada do milênio, no longínquo ano 2000. Antes dele era difícil acreditar que personagens dos quadrinhos e dos desenhos seriam levados a sério pelo grande público, o único tratamento possível era uma visão infantilizada, ingênua e cômica da coisa.

Dadas as mudanças necessárias da adaptação entre uma mídia para a outra, X-Men – O Filme conseguiu cumprir essa missão quase impossível. É louvável a coragem do estúdio Fox em levar para as telonas uma nova versão de personagens até então restritos ao nicho nerd, passando a introduzi-los de forma mais abrangente na cultura pop.

Todos os heróis campeões de bilheteria que vieram depois devem à equipe de mutantes um agradecimento por esse primeiro passo, que mudou a história do cinema nas décadas seguintes. Agora coube a eles mais uma vez a função de reinventar o gênero, introduzindo um ar mais adulto a essas produções.

O sucesso comercial e crítico de Logan é o mais recente exemplo dessa mudança. Um filme para maiores de idade, cheio de violência, palavrões (e até um pouco de nudez) definitivamente não é o que as pessoas relacionam a um longa de super-heróis. Mas deu certo, o público comprou a ideia, e o resultado é um dos melhores filmes do ano, dentre qualquer categoria cinematográfica.

A realização dessa produção se deu principalmente ao êxito inesperado de Deadpool, que é do mesmo estúdio e segue a mesma linha, ainda que tenha no humor o seu ponto mais forte. Levar em consideração que o mercenário falastrão é do mesmo universo dos X-Men no cinema, inclusive com seus personagens transitando entre uma história e outra, é só mais uma prova do pioneirismo dos pupilos de Charles Xavier.

Essa nova visão, porém, não se resume apenas aos filmes. A série Legion, a primeira a levar os mutantes em carne e osso para a TV, também deu uma nova roupagem aos personagens, com um visual diferente e uma narrativa maluca, fugindo do tratamento habitual dos super-heróis.

Outro ponto favorável dessa produção, e que também se aplica a Logan e Deadpool, é a falta de pretensão em agradar todo mundo. Abre-se mão do leque enorme de públicos-alvo em favor da qualidade, e o retorno positivo se dá justamente por conta da liberdade criativa.

Essa reinvenção pode servir de lição para a Marvel e sua fórmula desgastada, cheia de filmes parecidos, e que só encontra algum respiro nas séries feitas para a Netflix. Serve de lição também para a concorrente DC, cujo tom “sombrio e realista” não tem agradado muito, ainda que eles mesmos já tenham feito produções adultas, como a adaptação cinematográfica de Watchmen. Por outro lado, nenhuma delas recebeu a aclamação dos mutantes da Fox, despertando o interesse de Hollywood por essa tendência.

Já há promessas de que o próximo filme reunindo os X-Men no cinema vá seguir essa linha mais “corajosa”. É uma ótima saída para a queda de qualidade que os longas da equipe têm tido desde 2014, com Dias de Um Futuro Esquecido, e um alívio para a franquia que merece todo o reconhecimento por seu pioneirismo mas que também ainda tem muito potencial a ser explorado.

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