Como o rap dominou a indústria fonográfica

Future
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No momento em que este texto está sendo escrito, o mês de abril do ano de 2017 acaba de começar. Até aqui, já se passaram três meses, ou seja, cerca de 12 semanas, desde o início do ano. Para aqueles que não sabem, o mais popular termômetro de sucesso no mundo da música são as paradas musicais da revista americana Billboard. Tais paradas são atualizadas semanalmente com as vendas de álbuns e singles dos artistas, por isso a escolha de utilizar semanas como marcador de tempo. Pois bem, das 12 semanas citadas acima, seis foram dominadas por artistas do movimento hip hop, os rappers. J. Cole, Migos, Big Sean, Future, Drake e Nicki Minaj representaram o rap no topo da principal parada musical americana, a Billboard 200, que lista os álbuns mais vendidos de cada semana. Isso apenas consagra o rap como a nova galinha dos ovos de ouro da indústria fonográfica.

Billboard – Meghan Garvey [Reprodução]

Por enquanto, focaremos em dois artistas dessa lista: Drake e Future. Para o primeiro, não são necessárias apresentações, e sim salientar seus mais recentes recordes, que acompanham o lançamento do álbum More Life. Primeiramente, o cantor/rapper conquistou seu sétimo álbum no topo da Billboard 200, com uma das maiores semanas de vendas do ano. Enquanto isso, nas outras paradas da revista, Drake batia seus próprios recordes: na Hot 100, parada que representa as músicas mais bem-sucedidas do momento, ele conseguiu fazer com que 21 músicas, do total de 22 inclusas no álbum, entrassem na parada, batendo o próprio recorde de 20 músicas estabelecido com o álbum anterior, Views, o que o tornou em um dos artistas solos com maior número de músicas na parada, ultrapassando lendas como Elvis Presley e Jay Z.

Somado a isso, ainda temos o “caso Future”. O rapper se tornou o primeiro artista a estrear em primeiro lugar na Billboard 200 por duas semanas seguidas com álbuns diferentes (Future e HNDRXX). Também é válido citar que Nicki Minaj ultrapassou Aretha Franklin e, com o lançamento de seus 3 últimos singles, tornou-se a artista feminina com maior número de músicas na parada Hot 100 (74).

De fato, atualmente, quem manda é o rap. Mas nem sempre foi assim, artistas considerados como lendas na história do gênero musical não conquistaram quase nada comparado ao que acontece hoje, comercialmente falando. Notourious B.I.G conquistou o seu primeiro álbum #1 somente após sua morte, Tupac curtiu uma parte de seu sucesso antes de morrer, Dr. Dre nunca dominou as paradas musicais, no entanto, a mudança chegou com o rapper Jay Z.

Shawn Corey Carter, aos 47 anos – 21 de carreira – mantém o recorde de artista com maior número de álbuns em primeiro lugar nas paradas da Billboard, 13. Junto com o rapper, vieram Eminem e Kanye West que estão empatados com Drake, ao possuir apenas sete álbuns no topo das paradas. Kanye West, aliás, é responsável por algo recente memorável. Seu último álbum, The Life Of Pablo foi #1 apenas com vendas digitais e streamings, o rapper recusou-se a permitir vendas físicas. Contudo, nem só de sucesso comercial vive o rap.

Dentre os dez melhores álbuns de todos os tempos listados pelo site de críticas MetaCritic, três foram feitos por artistas do gênero (Kanye West, Kendrick Lamar e a dupla Outkast). Em fevereiro, Jay Z foi o primeiro rapper a ser introduzido como membro da Songwriters Hall of Fame, associação que prestigia o legado lírico dos artistas musicais. Alguns âmbitos da sociedade, no entanto, insistem em renegar o poder artístico existente entre essa classe, como o Grammy. Desde a popularização do rap, no início dos anos 90, somente a Outkast conseguiu levar o prêmio mais importante da premiação, o de “Álbum do Ano”, para casa, em 2003, por Speakerboxxx/The Love Below. Tendo To Pimp A Butterfly, do rapper Kendrick Lamar, um dos listados como melhor álbum de todos os tempos acima, sido esnobado pela Academia de Gravações, em 2016.

Portanto, o que podemos esperar é que o rap mantenha e estenda seu domínio sobre a indústria da música, mas, que, em um futuro próximo, também possa ser condecorado por sua contribuição artística à sociedade.

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