Oito histórias que inspiraram os filmes de "Piratas do Caribe"

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Em 25 de maio, estreia A Vingança de Salazar, quinto filme da franquia Piratas do Caribe. Se você está no time das pessoas que não param de resmungar que “afe, já deu de Piratas do Caribe, né?”, saiba que é pouco provável que a Disney largue o osso por enquanto: 11ª série de filmes mais lucrativa da história, a saga foi a primeira a arrecadar mais de 1 bilhão de dólares em bilheteria com apenas um filme – e um deles foi justamente Navegando em Águas Misteriosas, o quarto longa, considerado mesmo pelos fãs o mais fraquinho dos Piratas já lançados (o outro foi O Baú da Morte, segundo episódio da saga). Ou seja: a sensação é que, enquanto Johnny Depp continuar topando, a Disney vai continuar bolando aventuras mirabolantes para os seus piratas – e ganhando alguns bons milhões a cada título lançado.

O mais engraçado é que, lá em 2003, ninguém botou fé em A Maldição do Pérola Negra, filme que estreou a franquia: além de histórias de piratas estarem há décadas fora de moda e de Johnny Depp jamais ter, até então, protagonizado um blockbuster, o longa era inspirado em um brinquedo dos parques da Disney, uma ride super antiga (a primeira atração, na Disneyland da Califórnia, completou 50 anos agora em 2017, e foi o derradeiro brinquedo dos parques a ser projetado por Walt Disney em pessoa) e até meio bobinha, que usava bonecos animatrônicos para narrar uma história cômica, com os tais piratas como personagens principais. Mas, quem diria?, a coisa deu mesmo super certo.

Mas é claro que a ride da Disneyland não foi a única inspiração para Piratas do Caribe: ao longo dos anos, a série se aproveitou de diversas lendas e mitos relacionados com o mar, alguns aproveitados de modo mais ou menos literal. Abaixo, você confere uma lista com algumas dessas inspirações:

1. Tesouros amaldiçoados

Em A Maldição do Pérola Negra, a tripulação do navio que dá nome ao filme está à procura dos 882 medalhões que precisam ser devolvidos ao baú de onde foram retirados, para que a maldição que recaiu sobre os piratas – tornando-os uma espécie de mortos-vivos, incapazes de morrer, mas também de sentir qualquer tipo de sensação ou prazer – termine. Tesouros enterrados (e, muitas vezes, amaldiçoados) são um dos elementos mais recorrentes em clássicas histórias de piratas – fictícias ou com inspiração na realidade.

Acredita-se que a Ilha Charles, por exemplo, na costa de Millford, Connecticut, guarda um tesouro enterrado pelo pirata Capitão Kidd em 1699, e dá azar a todos os que pisam naquelas terras. O tesouro do próprio Barba Negra (que aparece no quarto Piratas do Caribe) jamais foi encontrado – e, como não podia deixar de ser, é cercado de superstições. O tesouro de A Maldição do Pérola Negra é referido como tendo sido enterrado por Hernán Cortés, conquistador espanhol que acabou com o governo do imperador asteca Montezuma, levando consigo quilos e mais quilos de ouro dos nativos – ouro cujo destino final até hoje não foi descoberto, provocando o surgimento de vários mitos a respeito.

2. Davy Jones, o Holandês Voador e Calipso

Personagem central no segundo e no terceiro filmes da série, Davy Jones é a personificação do próprio oceano – como ele próprio deixa claro em determinado momento, quando afirma: “Eu sou o mar.” Na franquia, foi Jones que tirou das profundezas o naufragado Pérola Negra e transformou Jack Sparrow em seu capitão – depois de 13 anos como capitão do navio, Sparrow deve servir 100 anos a bordo do Holandês Voador, barco de Jones, para pagar sua parte do trato. Para escapar desse destino, Sparrow busca o baú que guarda o coração de Jones: quem possuir o baú controla os mares, e quem apunhalar o coração de Jones toma seu lugar como capitão do Holandês.

Não se sabe ao certo como a lenda de Davy Jones surgiu; mas desde o século XIII já há menções do termo como sinônimo de “mar” ou “fundo mar”: quando se diz que alguém foi para o “davy jones’ locker”, podemos entender que a pessoa se afogou, ou morreu em uma batalha em alto-mar. Outra lenda conta a versão que conhecemos em Piratas do Caribe: Davy Jones seria um capitão pirata por quem Calipso, ninfa considerada a rainha das sereias (ou, segundo Hesíodo, uma das Oceânides, filhas dos titãs Oceano e Tétis), se apaixonou – ao ser abandonada por Jones, Calipso amaldiçoa o capitão, que passa a só poder pisar em terra uma vez a cada dez anos, e ganha a tarefa de cuidar de todos aqueles que morrem em alto-mar. Nos filmes, Calipso aparece pela primeira vez como Tia Dalma, uma misteriosa feiticeira.

o Holandês Voador é o navio-fantasma mais famoso de todos os tempos: existe um registro real de um barco com esse nome que zarpou de Amsterdã em 1680, e acabou naufragando no Cabo da Boa Esperança, durante uma tempestade. A lenda conta que, diante da insistência do capitão em desafiar a tormenta, seus marinheiros começaram a rezar desesperadamente, e a própria Nossa Senhora apareceu diante deles, aconselhando-os a desistir e retornar. O capitão, porém, ignorou os conselhos, dizendo que provavelmente a tal “aparição” era a causadora daquele sofrimento – e, por isso, foi condenado por Deus a vagar pelos mares por toda a eternidade, sem descanso. Ao longo dos séculos, foram registrados diversos relatos de marinheiros que juram ter avistado o Holandês – o navio aparece justamente durante as tempestades, e uma de suas características mais marcantes é navegar contra o vento. Avistar o barco, aliás, seria sinal de má sorte.

3. Kraken

O “bichinho de estimação” de Davy Jones tem inspiração no folclore nórdico: o Kraken era descrito como tendo “o tamanho de uma ilha” e “cem tentáculos”, e acreditava-se que a criatura habitasse as águas profundas do Mar da Noruega, entre a Islândia e as Terras Escandinavas. Com fama de destruir e afundar navios, o Kraken provavelmente teve sua origem em avistamentos reais de lulas gigantes e lulas colossais – maiores invertebrados do planeta, que podem ultrapassar 15 metros de comprimento.

4. Barba Negra

Edward Teach é provavelmente um dos piratas mais famosos que já existiu – e já apareceu em outros filmes e séries além de Piratas do Caribe, como Black Sails (se você gosta de piratas e ainda não assistiu, eu recomendo fortemente). Teach viveu entre 1680 e 1718, e, a bordo do Vingança da Rainha Ana, foi um dos mais ricos e bem-sucedidos piratas de que se tem notícia. Considerado um líder astuto e calculista, Teach provavelmente era menos cruel e violento do que os mitos gostam de mostrar, e aprendeu que apenas construir uma imagem temível já era o suficiente para garantir seu sucesso em diversos momentos.

A volta de “Black Sails” – e as histórias por trás dos piratas do seriado

Foi outro capitão, Henry Bostock, quem descreveu Teach como “um homem alto, com uma barba negra muito longa”, criando a imagem que ficou para a história. Barba Negra morreu em batalha, sendo baleado cinco vezes, e teve sua cabeça cortada e amarrada à proa do navio inimigo, como troféu. Em Piratas do Caribe, Jack Sparrou acaba a bordo do Vingança da Rainha Ana depois de um truque de Angelica, um ex-affair seu, filha do próprio Barba Negra.

5. Fonte da Juventude

Em Navegando em Águas Misteriosas, está todo mundo atrás da Fonte da Juventude – a fonte que, de acordo com diversas lendas, possui águas capazes de rejuvenescer quem as beber. Diversas expedições reais foram organizadas para procurá-la; sendo a mais famosa aquela liderada pelo conquistador espanhol Ponce de Léon – há quem acredite que ele encontrou a tal fonte na Flórida, nos Estados Unidos. Em sua homenagem, foi criado no mesmo estado o Parque Nacional da Fonte de Juventude, em Saint Augustine.

6. Sereias

As sereias são um mito universal: quase todos os povos que viviam próximos do mar tinham alguma lenda a respeito de uma figura marítima que enfeitiça e afoga os homens – as histórias serviam como uma representação dos perigos apresentados pelo próprio oceano.

Um dos mitos mais antigos a respeito a chegar até nós é o grego, onde as sereias eram metade pássaros: filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore, elas causavam naufrágios ao distrair os marinheiros com sua voz. A deusa síria do céu, da chuva e da vegetação, que podia ser representada como uma deusa-serpente ou deusa-peixe, também é associada às sereias. Na Idade Média, o primeiro relato de sereias com caudas de peixe foi feito por um monge da Abadia de Malmesbury, na Inglaterra, no ano 680 d.C. Os japoneses também têm lendas antigas a respeito das sereias, mas as suas não são bonitas e sedutoras: pode-se dizer que são até mesmo mais “realistas”, com dedos longos, dentes proeminentes, mãos com membranas natatórias, guelras e até mesmo chifres. Há quem acredite que as histórias de sereias foram originadas nas primeiras observações, de longe, de animais da ordem dos sirênios, como os peixes-boi.

7. Triângulo das Bermudas

Na sinopse de A Vingança de Salazar, ficamos sabendo que o vilão, o tal Salazar do título, “escapa do Triângulo das Bermudas” decidido a perseguir e exterminar todos os piratas – Jack Sparrow entre eles, é claro. Ainda não sabemos muito sobre como o Triângulo será aproveitado no filme, ou qual exatamente será sua importância, mas essa é com certeza uma das lendas marítimas mais populares. O Triângulo das Bermudas fica entre as ilhas Bermudas, Porto Rico, Fort Lauderdale e as Bahamas, e é uma área de mar e céu que ficou famosa por ser palco de desaparecimento de diversos aviões e navios – muitos deles jamais encontrados ou sequer explicados (uma olhada rápida na Wikipédia nos fornece mais de 50 exemplos).

Diversas explicações já foram boladas para os fenômenos, variando de extraterrestres a resíduos de cristais da Atlântida, vórtices de outras dimensões, campos magnéticos incomuns ou emissões de gás metano do fundo do oceano – essas duas últimas, as mais “científicas” até agora. A área é de fato frequentemente atingida por tempestades, furacões, terremotos e até mesmo tsunamis, o que poderia explicar grande parte dos acidentes. O mito se consolidou em 1974, com o lançamento de O Triângulo das Bermudas, livro escrito por Charles Berlitz.

8. Poseidon

Deus supremo do mar na mitologia grega, Poseidon era filho de Cronos e Reia, irmão de Héstia, Deméter, Hera, Hades e Zeus, conhecido pelos romanos como Netuno. O humor de Poseidon era instável, e os filhos que teve com deusas e mortais eram frequentemente malévolos ou violentos – características que destacam os aspectos por vezes mortais do mar. O deus do mar também deve aparecer em A Vingança de Salazar; ou pelo menos ser citado: também segundo a sinopse do filme, Jack Sparrow estará atrás do tridente de Poseidon, arma frequentemente associada ao deus, que, na série de filmes, será um artefato que dá a seus possuidor “o controle sobre os mares”. O engraçado é que, como falamos lá em cima, teoricamente quem controla os mares é Davy Jones – ou, agora, Will Turner, personagem dos primeiros filmes que apunhala o coração no final de No Fim do Mundo, e estará de volta em A Vingaça de Salazar. Como é que fica, então? Vai ter briga pelo poder supremo nos mares?

Ah: A Vingança de Salazar foi super elogiado na CinemaCon deste ano, onde já foi exibido – então as expectativas estão mais altas do que na época de Navegando em Águas Misteriosas. Falta um pouco mais de um mês para descobrirmos se o filme é isso tudo mesmo – por enquanto, temos que nos contentar com o trailer:

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