Não julgue 'American Gods' pelo primeiro episódio

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Desde que foi anunciada, a adaptação para a TV do livro American Gods era apontada como uma das melhores estreias do ano, sendo eleita por alguns até como “a nova Game of Thrones“. Tanto os trailers de divulgação quanto os nomes envolvidos na produção reforçavam essa promessa, aumentando cada vez mais a expectativa pela série que, ao finalmente estrear, não foi exatamente o que prometia.

Assim como a obra literária de Neil Gaiman, a versão televisiva conta a história de Shadow Moon, ex-presidiário que passa a prestar serviços para um homem misterioso com poderes sobrenaturais. Sr. Wednesday, como é chamado, é um antigo deus em busca da ajuda de seus colegas mitológicos para combater o avanço de novos deuses, que estão ganhando cada vez mais espaço e fiéis. Esses “deuses americanos” representam tudo o que a sociedade atual venera, como celebridades, tecnologia e dinheiro.

A sinopse, que remete a um conflito de proporções bíblicas, é promissora e funciona muito bem no material original. Levá-la para a TV não parecia arriscado, uma vez que o público já está acostumado a histórias de fantasia adaptadas da literatura, mas o primeiro episódio não convence.

O piloto não apresenta direito os personagens, deixando difícil para o espectador a missão de se importar com qualquer um deles, além de não desenvolver decentemente plot nenhum. A tentativa de passar uma primeira impressão frenética, na intenção de captar a atenção da audiência logo de cara, sai pela culatra quando o roteiro duvidoso não segue a magnitude do visual estiloso trazido por Bryan Fuller (responsável pela maravilhosa adaptação televisiva de Hannibal).

O excesso é justamente o principal erro desse primeiro contato, e pode desanimar aqueles que esperavam outro nível de produção. Mesmo o gancho deixado ao fim do episódio não gera curiosidade para que o espectador assista ao próximo e descubra o que acontece com o protagonista. No entanto, aqueles que dão uma segunda chance à série são recompensados.

O segundo episódio apaga todos os erros do primeiro, da primeira à última cena. Os diálogos, locações, edição e atuações são excelentes. A narrativa é tão bem elaborada que os 59 minutos de duração passam voando. O irônico é que aqui somos apresentados a ainda mais personagens, mas suas aparições são pontuais e muito bem desenvolvidas, sem a visível forçação vista anteriormente. Até o mistério deixado ao final é mais eficaz do que o outro, gerando uma espera grande pela resolução na próxima semana.

É uma pena que a entrega do que prometia não venha logo de cara, mas se continuar nesse ritmo American Gods tem tudo para atingir a expectativa gerada antes de sua estreia. O potencial está ali, como foi provado nesse último episódio, basta que os produtores saibam trabalhar em cima dele. Vendo pelo lado positivo, é melhor que a série evolua a partir daí do que se tivesse começado de maneira extraordinária e decaísse cada vez mais. Vamos aguardar.

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