Primeiro álbum solo de Harry Styles é marcante e deve ser levado a sério

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Antes de iniciar esse texto, devo admitir que Harry Styles sempre foi o meu integrante preferido do grupo One Direction. Mesmo não gostando das músicas lançadas pelo grupo, sempre achei que o britânico – um pouco esquisito – teria (e tem) muito a oferecer em uma possível carreira solo. Pois bem, 2017 chegou e trouxe consigo a comprovação de minha hipótese.

De modo sorrateiro e quase sem alarde, o cantor lançou, em abril passado, a música Sign Of The Times, single promocional de seu primeiro álbum solo, Harry Styles. A grande quantidade de referências a ícones do glam rock das décadas de 70 e 80 causou surpresa no público, desde o nome em homenagem ao álbum Sign O’ the Times do cantor Prince, até a sonoridade que, segundo o próprio, emula as músicas de David Bowie e da banda Queen.

 

Sign of The Times, de Harry Styles, tem tons de David Bowie e Robbie Williams

Depois dar um gostinho do que estava por vir, o álbum foi finalmente disponibilizado na última quinta-feira (11). Após ouvi-lo pela primeira vez, somadas à sensação de surpresa, surgem as de alegria e curiosidade quanto ao seu conteúdo.

Durante os 40 minutos de duração do álbum, Styles nos conduz em um passeio por sua vida pessoal. A primeira música, Meet Me in the Hallway, onde ele canta sobre uma pessoa que não consegue se desvencilhar do desejo de ser amada por outra, fazendo uma forte analogia à vida de um viciado em drogas, nos introduz de maneira exímia ao estado de espírito em que o cantor se encontrava durante a criação do conjunto de músicas.

Em seguida, vem a melancólica e já citada acima Sign Of The Times, que, segundo Harry, trata sobre o parto de uma mãe que não irá sobreviver após dar vida a seu filho. Essa interpretação faz total sentido, quando posta em contraste com a letra da música, mas, para mim, podemos ir além, ao ponto de dizer que a composição também reflete os pensamentos turbulentos do cantor quanto aos acontecimentos de sua vida que o fazem querer escapar de tudo, o que ocasiona um certo flerte com a morte.

Relacionamento afetivo é o principal tema aqui. Desde a sensação de quando a paixão surge (abordada em Carolina, Only Angel e Kiwi) até os sentimentos após o termino (From the Dining Table). Também há tons dos períodos em que a paixão se arrefece, o amor se estabelece e as dificuldades passam a surgir (Sweet Creature e Two Ghosts), e o término de um relacionamento (Ever Since New York e Woman).

As influências musicais merecem atenção. O gosto de Harry se mostra impecável ao seguir o exemplo de nomes como Beatles, Rolling Stones, Elton John, Ramones, Pink Floyd, Bob Dylan. Contudo, é válido citar que ainda falta maturidade lírica para o ex-membro da One Direction o que é completamente compreensível em um álbum de estreia. É bom saber misturar os elementos do passado com a contemporaneidade, de modo a não cair em certos clichês que, à época de seus ídolos, eram completamente aceitáveis.

Ademais, outro ponto importantíssimo do álbum é a demonstração de poder do cantor sobre seus vocais. Harry Styles usa de forma brilhante sua voz como elemento das melodias de suas músicas e demonstra uma facilidade estonteante ao fazê-lo. As sensações de divertimento e satisfação que ele passa nas músicas são capazes de contagiar qualquer um, eu assumo, e isso faz a experiência de ouvir o álbum muito mais satisfatória.

Harry Styles traz um frescor diferente à música em 2017 e é um ótimo pontapé para a carreira solo do cantor. Acho que falo por todos os fãs quando digo que mal posso esperar pelo próximo passo de Harry em sua carreira musical, enquanto ouço o álbum em repeat.

A opinião do autor não necessariamente reflete as opiniões e as ideias do Café Radioativo.

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