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O episódio final de ‘The Handmaid’s Tale’ resume quão visceral é a série

Passado o choque inicial e o incômodo causado em diversos momentos dos primeiros episódios, The Handmaid’s Tale acaba ficando mais fácil de ser digerida e não são mais tão constantes as surpresas, ou seja, de certa maneira nos acostumamos aos absurdos inaceitáveis mostrados ali. Mas aí chegou a season finale para nos lembrar quão ferrado (pra não usar um termo chulo mais propício) é seguir essa linha de pensamento.

O décimo episódio da obra prima do serviço de streaming Hulu traz de volta à memória do espectador quem são os vilões e os mocinhos da história, além de alertar sobre o perigo dessa perda de foco. Tia Lydia, por exemplo, que já há algumas semanas parecia não ser tão durona assim, desenvolvendo até um certo tipo de empatia no público, teve essa falsa imagem totalmente desconstruída logo no primeiro flashback, reforçando o lado em que ela está nessa guerra.

A bem sucedida fuga de Moira, que a levou a uma situação aparentemente absurda em comparação à realidade sofrida até poucas horas antes, também foi mais um lembrete. A surpresa da personagem ao ser tratada com a dignidade que nunca devia ter sido tirada dela corta o coração e faz com que o espectador reflita sobre o que está em jogo ali.

A batalha travada na trama é cheia de aliados em ambos os lados. O alívio que Offred sentiu no começo da temporada ao descobrir que existia um grupo lutando contra o novo regime político imposto foi multiplicado na cena do pacote misterioso e as centenas de cartas escritas por aias denunciando a situação vivida por elas diariamente. Saber que não está sozinha deu forças à protagonista e a quem assistia a cena também. Foi um sopro de esperança em meio a tanta injustiça.

Em outro momento, pela primeira vez as aias tão subordinadas tiveram a chance de dizerem “não”, e mesmo com as consequências (ainda desconhecidas) foi libertador ver tal escolha sendo possível. A própria Offred explicou muito bem essa sensação enquanto aguardava seu castigo, na cena seguinte à tentativa de punição de Janine. “Eu deveria estar aterrorizada, mas me sinto serena. E parece que há algum tipo de esperança, mesmo na futilidade. Eu tentei fazer as coisas melhores para minha filha. Mudar o mundo, mesmo que só um pouquinho.” Ao som de Nina Simone, não havia opção melhor que representasse essa liberdade.

O poder alcançado por Offred com a gravidez lhe deu essa oportunidade e também a oportunidade de ser mais realista com a matriarca de sua casa, cujo castigo (ou ameaça) após o desrespeito de sua aia serviu como mais uma forma de alívio para o público, que até então não fazia a menor ideia de onde estava Hannah. Mesmo com o sofrimento de Offred em não poder sequer se aproximar da filha, há de se admitir que saber do paradeiro dela e que, dentro das circunstâncias, está tudo bem já é alguma coisa.

The Handmaid’s Tale foi renovada para mais duas temporadas. A produção, que logo após a estreia já se destacou por seu tom assustadoramente premonitório, é uma das apostas da crítica para no mínimo uma indicação ao prêmio principal no Emmy deste ano. Com o gancho deixado ao final e as possibilidades trazidas por este novo arco, os próximos episódios devem ser tão desconcertantes quanto os que foram exibidos até aqui. E para isso o nível tem que ser bem alto, porque o conteúdo nos mostrado até agora foi completamente visceral.

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