Tudo o que você precisa saber sobre a rixa entre Kanye West e Jay Z

Kanye West & Jay Z
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4:44, o novo álbum de Jay Z, foi lançado na última sexta-feira, surpreendendo tanto a crítica quanto os fãs do rapper pelo nível de vulnerabilidade que Shawn Carter deixa transparecer durante as dez músicas contidas no CD, sobre as quais nós já falamos aqui. Dentre todos os aspectos de sua vida particular compartilhados com o público, uma das coisas que mais intrigou os apaixonados por rap foram as mensagens subliminares direcionadas ao amigo de longa data de Jay, Kanye West.

REUTERS/Benoit Tessier

Durante a primeira faixa do álbum, Kill Jay Z, há versos em que o dono da gravadora Roc Nation expõe as feridas deixadas pelos ataques diretos de Kanye contra ele, em shows de sua última turnê, a Saint Pablo Tour. O rapper diz que deu 20 milhões ao marido de Kim Kardashian sem hesitar e que este o devolveu o favor com 20 minutos no palco.

Além disso, na música, Jay fala sobre si mesmo na 3ª pessoa, o que se torna confuso. Após citar os surtos de West, ele rima sobre alguém que vive chamando os outros de loucos sendo que, na verdade, é essa pessoa quem é insana. Tendo em vista a internação de Kanye por motivos psicológicos no final de 2016, podemos considerar isso como mais uma alfinetada do pai de Blue Ivy direcionada ao rapper.

Kanye West e Jay Z, porém, têm uma longa história juntos. E é sobre isso que nós vamos falar.

Como ambos se conheceram?

Yeezy começou a trabalhar como produtor musical no final dos anos 90, sob a tutela de seu mentor, o já conhecido produtor, No I.D. As batidas de West chegaram aos ouvidos do marido de Beyoncé, que o chamou para produzir a música This Can’t Be Life, do álbum The Dinasty: Roc La Familia, lançado em 2000.

A partir desse momento, foi “amor à primeira vista”. Kanye passou a trabalhar com o rapper em quase todos os seus álbuns desde então, tendo produzido hits como Encore, Run This Town, Izzo (H.O.V.A.), entre outros. No entanto, o jovem produtor sabia fazer muito mais do que apenas batidas eletrônicas, passando a exigir a cada dia mais que fosse contratado pelo dono da gravadora Roc-A-Fella, Jay Z, como um artista solo e não mais como produtor musical.

Houve uma certa demora nesse processo e muitos especulam que foi devido a descrença de Shawn Carter nas habilidades líricas de West. O que fez com que ele desembolsasse de seu próprio bolso o dinheiro para produzir um clipe de seu primeiro single, Through The Wire, provando para todos que deveria ser respeitado como um rapper.

Amigos, amigos, negócios à parte

Os dois primeiros álbuns solos de Kanye West foram um sucesso absoluto e são considerados pela grande maioria como clássicos da cultura hip hop. Por conseguinte, em 2007, ano de lançamento de seu terceiro álbum, Graduation, Yeezy decidiu aproveitar a oportunidade de ter o microfone em mãos para expor seu relacionamento conturbado com Jay, por meio da música Big Brother.

Nela, Kanye conta sobre diversas atitudes desapontadoras tomadas por Hov (apelido de Jay Z), como, por exemplo, roubar sua ideia de gravar uma música com a banda Coldplay. Nem tudo é desapontamento, no entanto. Ye também assume ter certa parcela de culpa devido ao seu ego incontrolável e também declara sua admiração pelo rapper nativo do Brooklyn. Novamente, os dois voltam a se amar.

O estilista foi produtor executivo do 3º álbum da série Blueprint de Shawn, o Blueprint III e isso só fez aumentar a vontade de ambos de trabalharem juntos em um disco. Em 2011, é lançado o Watch The Throne, álbum conjunto de Jay Z e Kanye West, onde os dois juntaram forças com nomes como Beyoncé, Frank Ocean e Pharrell Williams para retificar seus status de realeza do rap.

A gente nunca se esquece de quem se esquece da gente

Depois disso, a relação de amizade entre os dois foi ficando cada vez mais abalada, em grande parte, devido a seus relacionamentos amorosos. A forte especulação na mídia da total falta de interesse do casal Jayoncé em se aproximar de Kim Kardashian, esposa de Kanye, e, para piorar, sua ausência na cerimônia de casamento destes fez com que ambos se distanciassem bastante.

West ainda participou do remix da música Drunk In Love, da cantora Beyoncé, ao lado de seu big brother, mas as colaborações entre os dois se tornaram esparsas. Em 2016, as estruturas do mundo do rap foram abaladas por um single lançado por Drake, de nome Pop Style, em parceria com The Throne – apelido adotado por Kanye e Jay. Contudo, a participação de Hov se resumiu a dois simples versos. Mais tarde, em um de seus discursos durante a Saint Pablo Tour, Kanye explicou que Jay Z decidiu não aparecer na música devido à antiga rixa entre Drake e o rapper Meek Mill – que tem contrato assinado com a Roc Nation, gravadora de Jay -, e também a alguns problemas envolvendo Apple e Tidal.

No mesmo ano, Ye contou na música Saint Pablo, do álbum The Life Of Pablo, que chegou a negociar com o serviço de streaming Apple Music, citando até que teria usado os 100 milhões que receberia pelo contrato para sanar sua dívida de 20 milhões com Jay Z – dívida essa que, como vimos em Kill Jay Z, realmente existe. Mas Kanye preferiu se manter no Tidal, junto a seu amigo.

Amor é fumaça, sufoca e passa

Algum tempo depois, durante um show da turnê Saint Pablo Tour na cidade de Seattle, West afirmou que não haveria uma sequência para o álbum Watch The Throne devido a “alguma palhaçada entre a Apple e o Tidal”. As declarações do rapper não pararam por aí, ele ainda atacou Hov por não ter tentado confortá-lo após o famoso assalto sofrido por Kim Kardashian em Paris, tendo apenas ligado para Kanye perguntando como este se sentia.

Dias após as declarações polêmicas de Kanye, Kareem Biggs Burke, um dos fundadores da gravadora Roc-A-Fella, afirmou ter tido uma conversa com Jay na qual ambos disseram sentir falta do antigo Kanye e que eles já estavam muito velhos para começarem a brigar de novo.

O idealizador do serviço de streaming Tidal, finalmente, deu a sua versão para os fatos em seu novo álbum, 4:44, que inclui diversas outras mensagens, possivelmente, endereçadas ao dono de hits como a música Famous. Dentre elas, temos a parte de Bam, onde Jay reafirma seu poder como “rei do rap” e adereça as piadas sobre a grossura de suas pernas, dizendo que, enquanto ele pula os dias de malhar as pernas para dominar o mundo, outros rappers fazem o mesmo só para falar besteiras. Na música 30 Hours, do álbum The Life Of Pablo, Kanye afirma que só malha os peitos e nada de pernas.

Kanye em show da Saint Pablo Tour. Foto: Kenny Sun.

Somente três dias depois do lançamento do 13º álbum de Jay, o site de notícias TMZ descobriu que Kanye West abandonou o time de artistas que é dono da empresa Tidal. Segundo o site, Ye abandonou a empresa devido a uma dívida de mais de 3 milhões de dólares do app com ele, resultado de um bônus que o serviço de streaming deveria pagar pelos mais de 1 milhão de novos inscritos que o lançamento exclusivo do álbum TLOP trouxe consigo, somado a um reembolso que ele também deveria receber pelo lançamento de clipes exclusivos para a plataforma. O criador da gravadora GOOD Music, contudo, está atado juridicamente ao aplicativo, por um contrato de exclusividade assinado por ele. A empresa já deixou claro que, caso ele tente ir para outro serviço de streaming, irá processá-lo.

Outra curiosidade importante é que 4:44 foi totalmente produzido por No I.D., mentor de Kanye.

A história dessa amizade é digna de roteiro de uma novela de horário nobre, não é? Não podemos aguardar pelos próximos capítulos!

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