Lana Del Rey está consciente, alerta e viva em 'Lust for Life'

Lana-Del-Rey-LustForLife
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
41

Lana Del Rey é uma das artistas mais misteriosas de nossa geração. Desde o início de sua carreira, quando ainda cantava em bares por Nova Iorque, a cantora vem tentando encontrar sua identidade artística. Ao que parece, com seu mais recente álbum, Lana – finalmente – alcançou esse objetivo.

Seu primeiro álbum, Born to Die, levantou a ideia de que ela seria um produto da gravadora e que, de tão artificial, não duraria mais do que um hit single. Então vieram Video Games, Born to Die, Blue Jeans e Summertime Sadness, músicas que provaram que Lana tinha muito mais a oferecer do que um – quase – polêmico preenchimento labial.

O sucessor de Born To Die, Ultraviolence, veio para solidificar os passos dados, até então, por Lana em sua jornada artística. Enquanto no primeiro álbum a aura melancólica prevalecia, no segundo, uma aura de maior poder pairava sobre a era. Algumas das canções mais fortes de Del Rey estão presentes neste disco, que acabou se tornando um divisor de águas na carreira da cantora. A partir desse momento, ela já não precisava provar mais nada para ninguém.

Foi em Honeymoon, seu terceiro álbum de estúdio, que as pessoas deixaram de perceber Lana Del Rey. A cantora continuou lançando singles interessantes, como High By the Beach e Music to Watch Boys to, mas não trouxe um discurso sólido ou algo além destas músicas. Foi apenas um álbum para ‘encher linguiça’ na carreira da cantora, que passou despercebido tanto pelo público, quanto pela crítica (e talvez pela própria cantora).

Já agora em 2017, com o álbum Lust for Life, ela resolveu inovar como não fazia desde Ultraviolence. A cantora deixou para trás o tom melancólico de suas canções e, finalmente, resolveu seguir em frente. Percebemos isso logo na capa do disco, que ilustra bem o conceito de ‘desejo de vida’ (‘lust for life’ em tradução livre para o português). Diferente de outras eras da cantora, aqui, a própria Lana sabia que deveria sorrir para a câmera.

O álbum não reflete mais aquele desejo americano de voltar aos anos 50, como uma dona de casa triste. Em Lust for Life parece que a dona do bordão ‘Queria estar morta’ está, por fim, viva e, para ela, isso é muita coisa. O álbum conta com algumas músicas de destaque, como as já conhecidas Summer Bummer e Groupie Love, além do single Love e a faixa título, Lust for Life.

Um dos destaques do novo conjunto de músicas é a crítica a política americana atual. Na canção When the World Was at War We Kept Dancing, Lana fala sobre como as coisas agora parecem sem saída, porém, se já conseguimos superar coisas piores antes, agora também conseguiremos. “Este é o fim de uma era? Este é o fim da América? Não, é só o começo. Se mantivermos a fé, teremos um final feliz. Quando o mundo esteve em guerra antes, nós continuamos dançando”, diz a letra da música.

Outra música que toca no assunto, é God Bless America, uma composição sobre o poder das mulheres nos EUA. Del Rey chegou a dizer, em entrevista para a revista Elle, que a canção é sobre a preocupação coletiva das mulheres em relação ao rumo da política nos States. Ela chegou a dizer que previu as Marchas das Mulheres que ocorreram este ano e esta foi uma das inspirações para a canção. “Deus abençoe a América e todas as lindas mulheres nela”, diz a letra.

Change é uma canção que fala sobre a possibilidade de uma guerra nuclear. “Há algo no ar, eu posso sentir. Há algo chegando nas asas de uma bomba”. Aqui, a cantora transmite a ideia de que uma pessoa só não pode fazer tudo, mas pode dar o primeiro passo para uma mudança. “Ultimamente venho pensando, não é o meu trabalho me importar com isso. Mas quem sou eu para tentar?”, diz a letra da música. Na faixa, a ideia de que precisamos nos conscientizar para mudar o rumo das coisas. “Mudança é uma coisa poderosa, as pessoas são coisas poderosas. Tento encontrar o poder em mim para continuar acreditando. Mudança é uma coisa poderosa, sinto acontecendo em mim”.

O álbum têm muitas músicas interessantes e outros destaques são as que continuam no conceito de Lana Del Rey, como White Mustang, In My Feelings e 13 Beaches. Diferente dos outros álbuns – e até de outras promessas políticas feitas por outras cantoras – o ponto forte deste disco é o sentimento de pé no chão que a cantora transmite para os ouvintes. Se antes ela tentava escapar da realidade através de sexo, drogas e rock’n’roll, em Lust For Life, ela está consciente e, acima de tudo, viva.

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
41

Comments

comments