Um passeio por Westeros com "O Cavaleiro dos Sete Reinos"

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Quem leu As Crônicas de Gelo e Fogo pode ou não se lembrar de Ser Duncan, O Alto, citado aqui e ali como um dos antigos Cavaleiros da Guarda Real: um homem enorme, Ser Duncan fez sua fama durante o reinado de Aegon V (que inclusive batizou de “Duncan” seu primogênito e herdeiro); escoltou Aemon Targaryen durante sua viagem para se tornar Meistre na Patrulha da Noite (sim, aquele Meistre Aemon que aparece em Game of Thrones); lutou na Quarta Rebelião Blackfyre e matou pessoalmente Daemon III Blackfyre, pretendente ao Trono de Ferro; e derrotou Lyonel Baratheon (bisavô dos familiares Robert, Stannis e Renly Baratheon) em combate singular quando este se desentendeu com o rei. Mais tarde, Ser Duncan foi derrotado em torneio por um jovem Barristan Selmy, que mais tarde se tornou Lorde Comandante da Guarda Real, durante o reinado de Robert Baratheon.

Muitos nomes? Talvez – mas você pode ignorar tudo isso enquanto lê O Cavaleiro dos Sete Reinos, livro de George R.R. Martin que narra justamente a juventude de Ser Duncan, então chamado simplesmente de Dunk, e suas jornadas como um cavaleiro andante, antes de se tornar uma espada jurada do rei. Dunk é acompanhado por seu escudeiro, Egg – que é, na verdade, o futuro Aegon V, disfarçado. A obra é dividida em três contos: O Cavaleiro Andante (que conta como diabos um príncipe foi se tornar escudeiro de um cavaleiro que nem era assim tão importante, e narra os primeiros atos que tornaram Dunk famoso), A Espada Juramentada (quando Dunk e Egg se envolvem em uma disputa territorial na Campina, entre e o velho Eustace Osgrey e a misteriosa Viúva Vermelha) e O Cavaleiro Misterioso (que narra o envolvimento da dupla em outro torneio, que acaba por barrar quase acidentalmente uma segunda Rebelião Blackfyre).

Ser Duncan, O Alto

O livro é muito mais curto que qualquer um dos volumes de As Crônicas de Gelo e Fogo – e a leitura, muito mais leve. É uma história para ler rápido e se divertir: tanto Dunk quanto Egg são personagens carismáticos e pelos quais é fácil torcer; e outros igualmente interessantes (como o Príncipe Maekar ou a Viúva Vermelha) e até mesmo divertidos (como o impagável Príncipe Daeron, o Bêbado) são apresentados ao longo da narrativa.

Mas talvez você se interesse por todos aqueles nomes citados lá no primeiro parágrafo – e, nesse caso, O Cavaleiro dos Sete Reinos pode se tornar ainda mais interessante: o livro usa a história de Dunk e Egg para narrar, como plano de fundo, acontecimentos importantíssimos na história de Westeros, que têm consequências profundas no que se passa, 90 anos depois, em As Crônicas de Gelo e Fogo. Observamos o clima político durante o Reinado de Dearon II Targaryen, chamado de Daeron, o Bom; e a tensão causada pelas sucessivas Rebeliões Blackfyre – comandadas por sucessores de Daemon Blackfyre, filho bastardo do Rei Aegon IV e meio-irmão de Daeron, que se consideram os herdeiros legítimos à coroa. Presenciamos a morte acidental de Baelor Quebra-Lança, herdeiro de Daeron, morto acidentalmente por seu irmão Maekar durante um torneio – Maekar, quarto filho do rei, teve como quarto filho o próprio Egg, que mais tarde também ascendeu ao trono, sendo conhecido como Aegon, o Improvável, por ter chegado onde chegou mesmo estando tão longe na linha de sucessão. Assistimos à organização e ao fim da Segunda Rebelião Blackfyre; e conhecemos melhor personagens lendários dos quais antes só sabíamos o nome, como Brynden Rivers, Mão do Rei, conhecido como Lord Bloodraven; Ser Quentyn Ball; e o próprio Lyonel Baratheon, conhecido como “Tempestade Risonha”, por seu jeito alegre de encarar as justas e batalhas.

Ser Duncan e Lyonel Baratheon

Eu, pessoalmente, li O Cavaleiro dos Sete Reinos acompanhada da enciclopédia O Mundo de Gelo e Fogo (que, aliás, eu recomendo fortemente, se você se interessa por essas coisas), conferindo árvores genealógicas e acontecimentos históricos a cada poucas páginas. Uma das coisas de que eu mais gosto nas histórias de George R.R. Martin é justamente sua atenção aos detalhes – e sua capacidade de nos fazer acreditar que estamos lendo um registro histórico, de algo que realmente aconteceu. Mas, seja por isso, ou simplesmente por querer acompanhar uma história interessante de um cavaleiro andante e seu escudeiro, O Cavaleiro dos Sete Reinos é uma leitura indicada para qualquer fã de As Crônicas de Gelo e Fogo – ou até mesmo para quem quer começar a se aventurar pelas histórias de Martin.

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