Nunca deixe de sonhar: como foi assistir a um show do Rouge depois de 15 anos

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No dia de ontem, realizei um dos maiores (se não o maior) sonho da minha infância (e, por que não, da vida toda): assisti a um show do Rouge ao vivo, sem VHS, sem DVD. Eu e elas. Elas e eu. Uma energia só.

Como milhares de crianças de todo o Brasil, tive a primeira parte da minha existência marcada profundamente por essas cinco garotas talentosíssimas, que nos passaram inúmeras lições de vida que ficaram guardadas eternamente dentro de todos nós. Como milhares de adolescentes de todo o Brasil, aguardei impacientemente o retorno do grupo aos palcos, sem desistir, porque elas nos ensinaram a nunca deixar de sonhar. Como milhares de adultos de todo o Brasil, tive um surto de felicidade, ansiedade e gratidão quando elas finalmente anunciaram que aquilo com que todos sonhavam finalmente tinha data e hora para acontecer: dias 13 e 14 de outubro de 2017, dentro do Chá da Alice, no Vivo Rio.

A emoção de se estar presente neste show é algo impossível de ser colocado em palavras, por mais que se tente. Sentir que tanto o público quanto as artistas estão passando pelo mesmo momento de incredulidade e êxtase misturados, todos numa sincronia só, é algo de outro mundo. Durante o show do dia 14, e acredito que no dia 13 tenha sido a mesmíssima coisa, esse sentimentos eram tão fortes que pareciam sólidos, externos. Dava para sentir no ar a imensa felicidade compartilhada entre nós e elas, como se fôssemos todos um só naquele momento. Assim que o show começou, não consegui gritar, nem pular, nem chorar: a sensação era de estar em puro estado de choque, sem saber para onde olhar porque, no momento que você olha para uma, acaba perdendo um pouco das outras quatro (tão diferente de assistir na televisão durante esses 15 anos!!), e você simplesmente quer absorver tudo o tempo todo.

Sobre o talento das meninas, não há mais nada a se falar. A existência dele já ficou provada e reprovada há mais de dez anos; estamos todos cansadíssimos de saber o quanto elas sempre foram espetaculares em todos os aspectos que popstars precisam ser: vocal, dança, carisma e presença de palco. Todas, sem exceção, são e sempre foram excelentes nestes quesitos. No entanto, se todas sempre foram excelentes, como temos então a impressão de que estão melhores do que nunca? Acredito que a resposta tenha mais a ver com estado de espírito do que com critérios artísticos.

As meninas agora são mulheres. Com o tempo, vieram a confiança e a maturidade. Elas parecem plenamente cientes do que são capazes, do quanto valhem e o que merecem. Pelo que parece, finalmente elas estão recebendo o que lhes é devido por tudo o que elas têm a oferecer, seja em forma de remuneração ou controle artístico sobre o que elas gostam e querem fazer com a carreira do grupo.

Mas o que mais me chamou à atenção e o grande destaque do show, para mim, foi o modo que elas se relacionavam em cima do palco. Comecei a perceber isso no show do dia 13, quando estava assistindo a live pelo Facebook, e ver que, no final da performance de Blá Blá Blá, quando todas fazem o sinal de “cala a boca”, a Luciana foi propositalmente colocada no meio, uma mensagem claríssima para qualquer um que ainda ouse duvidar da integridade do grupo: estamos juntas e estamos pra valer, independentemente do lero-lero de quem gosta de criar intriga.

No dia 14, estando presente de fato no show, foi ainda mais fácil perceber a aura de sororidade que cerca as cinco mulheres nesse momento. Foram diversos momentos das meninas se elogiando, se incentivando, se amando, se ajudando. Elas realmente passaram por um processo maravilhoso de reconhecimento de que juntas somos muito mais fortes. Elas são cinco forças individuais que formam uma união feminina única e poderosa. Ainda estou abalada e tocada com o que esse retorno representa não só musical e artisticamente, mas feminina e humanamente.

Um dos meus momentos preferidos envolveu Luciana e Fantine. Segundo as péssimas línguas, um desentendimento entre as loiras teria levado à saída de Luciana do grupo, há treze anos. Foi por esse motivo que ontem, no momento em que Luciana ajeitou o microfone de Fantine durante Olha Só (aos 3:44 do vídeo abaixo), para que ficasse mais confortável que ela cantasse, e quando essa sorriu com gratidão para a primeira, o público simplesmente enlouqueceu em gritos e vivas. Isso é sororidade. É amor, finalmente. Isso é perdão. É maturidade. Acredito que, se de fato houve desavenças, um lado conseguiu finalmente se colocar no lugar do outro e entender por que cada uma fez o que fez, sem julgar. Só entendendo, perdoando e, o mais importante, seguindo em frente para abençoar mais uma vez o Brasil com o melhor pop já feito por aqui.

Agradecimentos a Karin, por entregar vocalmente e performaticamente um show digno de Beyoncé mesmo sofrendo de uma sinusite, mostrando um profissionalismo e um amor aos fãs sem precedentes.
Agradecimentos a Aline por sua voz de veludo, por ser tão fiel à volta do Rouge, sendo a maior responsável pelos momentos que vimos neste final de semana.
Agradecimentos a Lu pela dedicação e trabalho duro, e por ter enxergado que os fãs precisavam dessa lição de perdão e esperança da parte dela.
Agradecimentos a Li por ser essa mulher guerreira que prova que nós podemos ser mães e gostosas e trabalhadoras ao mesmo tempo SIM.
E agradecimentos a minha Fanta (sim, eu “era” a Fantine nos grupinhos da escola!!), por arrasar nas coreografias, assassinar nos vocais e ter essa alma tão linda.

Obrigada, meninas. Ou melhor, obrigada, mulheres. Vocês nos motivam e nos inspiram a cada dia. Tudo é Rouge!

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