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‘Transparent’ aborda a questão da auto afirmação na quarta temporada

Transparent chega a sua quarta temporada apresentando um material altamente relevante. O que, na verdade, não é grande novidade aos espectadores que acompanham a série desde 2014.

Dirigida por Jill Soloway, Transparent narra a história da família Pfefferman. Uma família que teve que se adaptar após o, até então, patriarca Morty anunciar-se transsexual. A informação, dada aos 60 e tantos anos de Morty, remexeu nos mais profundos desejos e segredos de cada membro familiar, como se aqueles lençóis empoeirados sobre os móveis antigos fossem retirados. Cada episódio atua como uma passagem de auto descoberta entre flashbacks e reflexões. Durante as quatro temporadas cruzamos as trilhas da transsexualidade, do feminismo, da pedofilia, da identificação de gênero e das crises humanitárias.

Os dez episódio da quarta temporada se apoiaram em um detalhe que, costumeiramente, os telespectadores esquecem: A família Pfefferman é formada por judeus. Mesmo suas crenças sempre exibidas, as participações em grupos de judeus, as leituras e os costumes, parece que o fato ‘judeu’ passa despercebido frente as questões de gênero. E, desde a primeira temporada, todos lidam com as consequências históricas, como as da Segunda Guerra Mundial e a diáspora de judeus pelo mundo. De forma surpreendente, Jill Soloway apresenta um enredo que sempre esteve presente dentro de uma trama que parecia já estar encaminhada para seu fim. A paz pessoal através da auto afirmação salta aos nossos olhos nesta temporada de Transparent.

A auto afirmação como forma de encontro com si mesmo é algo que vem se mostrando como o principal plot da série: seja a afirmação através do pertencimento, através da afirmação como um membro da família, a própria afirmação de gênero, a afirmação sexual e auto afirmação como pessoa.

Após Maura descobrir que seu pai está vivo, ela tenta, em Israel, encontrar-se dentro daquele ‘lado da família’ e aos poucos notamos que a auto afirmação de Maura vai além da identidade de gênero. A Pfefferman continua em busca daquilo o que ela pode representar dentro da sua religião e, somado ao fato, ainda há o caso de sua descoberta em ser atraída por homens; Ali vive uma crise de reconhecimento muito profunda, não consegue mais se afirmar mulher e muito menos homens; Shelly busca se encontrar dentro de uma personagem masculino criada por ela, o Mauro. A matriarca da família, por vezes esquecidas pelos seus parentes, relembra que também é um ser humano tão complexo quanto o restante e que sofre por problemas tão sérios quanto os de todos ali, como por exemplo quando ela era pequena e foi molestada pelo seu médico. Sarah e Len, depois de idas e vindas, continuam a busca pelo equilíbrio do casal; E Josh continua o Josh que conhecemos, ele não sabe ao certo o que quer.

E por mais irônico que possa parecer, a busca pela paz pessoal acontece em um dos estados mais complexos do mundo, Israel. Cenário de conflitos diários há pelo menos 60 anos, a região de Jerusalém é um dos espaços mais cobiçados entre Israel e Palestina, ambos povos consideram o local a Terra Santa. Após diversas ofensivas, o povo palestino foi expulso da área onde hoje está Israel, aliás, foi em um desses momentos históricos que surgiu a Faixa de Gaza, um pedaço pequeno de terra que pertence a Palestina e fica cercada pelo território de Israel.

Na quarta temporada de Transparent observamos ser colocado em plano secundário o tema que a deu sucesso mundial e um segundo tema ser içado. De forma crua e, ainda assim, subjetiva a série supre todas as expectativas do seu público fiel.

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