Com 'Alias Grace' a Netflix ainda não conseguiu sua 'The Handmaid’s Tale'

alias grace
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
1

Em agosto deste ano, o vice-presidente de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, deu uma entrevista para a Variety onde, dentre outras coisas, lamentou algumas das séries agora famosas que foram recusadas pela gigante do streaming. Na pequena lista revelada por ele estão as premiadas e criticamente aclamadas Mr. Robot, Transparent e a grande surpresa de 2017, The Handmaid’s Tale. Semanas após essa entrevista, Handmaid’s (adquirida então pela concorrente Hulu) saiu do Emmy como a maior vencedora da noite, levando todos os prêmios principais, inclusive na categoria mais importante, Melhor Série de Drama. Uma conquista inédita e muito emblemática para a era dos streamings, e com a qual a Netflix ainda sonha.

Em meio a toda a explosão da série das aias e do redescobrimento da literatura de Margaret Atwood (na qual a produção foi baseada), a própria Netflix estava embarcando na mesma onda com outra adaptação da autora, desenvolvendo uma minissérie em parceria com a emissora canadense CBC Television. Alias Grace foi lançada mundialmente há duas semanas, já com todos os seus seis episódios disponíveis de uma vez, e após assistir à temporada completa o que logo vem à cabeça é que nem de longe o programa consegue se assimilar à qualidade de sua “irmã mais famosa”. Grande parte disso se deve talvez ao fato de que os dramas apresentados em Handmaid’s são muito mais associáveis ao que vivemos na vida real, são situações possíveis, exatamente o ponto que difere tanto um programa do outro, mas não só isso.

É impossível não comparar as duas produções justamente por conta de ambas terem saído da mente da mesma pessoa e tratarem basicamente, mesmo que de formas diferentes, do mesmo tema geral que é a subjugação da mulher na sociedade. Apesar de serem tramas distintas, seguindo inclusive caminhos temporais opostos, fica claro desde a divulgação da série que a Netflix queria mesmo aproveitar o sucesso do Hulu no seu novo lançamento. O nome de Margaret Atwood estava em destaque em todo material e até a escolha das cenas para o trailer antes da estreia traziam alguma lembrança de Handmaid’s.

As comparações, porém, terminam por aí. O que mais chama a atenção em The Handmaid’s Tale logo de cara é a fotografia cinematográfica e o cuidado com cada detalhe. Alias Grace apresenta um trabalho digno nesse sentido mas visivelmente inferior em comparação. O mesmo para as atuações. Nenhuma performance de Alias Grace é tão memorável quanto a do elenco principal de Handmaid’s, em especial da protagonista Elisabeth Moss. Neste caso, não é nem tanto por demérito da produção da Netflix, e sim pelo trabalho primoroso de Elisabeth, que garantiu um o Emmy de melhor atuação em drama, tendo se destacado para além do nicho “séries baseadas em obras de Margaret Atwood”.

Para o público essa variação de narrativas é ótima, com tantas séries boas por aí ninguém quer perder tempo assistindo algo que já viu antes, mas para a Netflix a diferença gritante pode não ser muito bem vinda, afinal em nada sua nova aposta faz jus ao fenômeno recusado por eles anos atrás. A tentativa te seguir o exemplo de sucesso do conto da aia é plausível, e qualquer oportunidade de conhecer mais obras de Margaret Atwood é muito bem vinda, mas se a empresa queria um fenômeno desse pra chamar de seu vai ter que tentar de novo. Não foi dessa vez.

Like
Like Love Haha Wow Sad Angry
1

Comments

comments