Conduzido por Billie Joe Armstrong, Green Day dá aula de como fazer um bom show

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Billie Joe Armstrong é um fenômeno da natureza: é impossível olhar o frontman do Green Day e acreditar que cabe tanta energia, presença de palco e domínio de público naquele 1,70m de altura. Tocando guitarra, cantando, pulando, dançando, circulando pelo palco e interagindo (MUITO) com o público, Billie Joe dá o sangue (ou pelo menos muito suor) para fazer um show impecável – e grande parte dessa aula de apresentação ao vivo vem do fato de que ele parece sinceramente muito feliz em estar ali. Tanto quanto os próprios fãs, que lotaram a apresentação da banda na Pedreira Paulo Leminski, em Curitiba, na noite do último domingo.

É claro que Billie Joe não está sozinho no palco: o Green Day é um trio, talvez um dos melhores do rock atual, e o baixista Mike Dirnt e o baterista Tré Cool não deixam por menos, mostrando-se tão enérgicos e carismáticos quanto o vocalista e guitarrista. Tré Cool, em determinado momento, aparece com uma coroa de plumas no melhor estilo escola de samba, rouba o microfone e ensaia um vocal – enquanto Billie Joe, que aparentemente não consegue ficar parado por cinco minutos, assume temporariamente as baquetas. Os demais músicos que acompanham o trio (alguns deles desde a década de 1990), embora mais descretos, também são extremamente competentes – e o saxofonista teve seu momento ao tocar um trechinho de Garota de Ipanema, em homenagem ao nosso país.

Verdade seja dita: o jeito mais ensandecido com que Billie Joe Armstrong se portava no palco em 2010 (rolando pelo chão, fazendo gestos obscenos com o microfone e a guitarra), ano da até então última passagem do Green Day por terras brasileiras, não deixava de ser uma marca registrada – mas, seja por consequência da rehab ou da passagem dos anos, o frontman parece agora um pouco mais calmo. O que é bom, é claro – os problemas com álcool enfrentados pelo vocalista chegaram a cancelar qualquer plano de divulgação da trilogia de discos Uno!, Dos!, Tré!, e qualquer fã que mereça esse título vai ficar feliz por Billie Joe ter conseguido se recuperar. E abre espaço para outra faceta do músico: o do frontman mais atencioso que você poderia encontrar.

Billie Joe se esforça para recolher absolutamente tudo o que os fãs jogam no palco – quatro ou cinco bandeiras do Brasil; uma do movimento LGBT; uma gravata, que ele vestiu; um bilhete, que foi guardado em seu bolso -; faz reverências de agradecimento à gritaria do público; e olha nos olhos de cada um enquanto canta na beira do palco. “Foda-se o Instagram, foda-se o Facebook”, ele fala em determinado momento, criticando quem passa o show inteiro filmando a apresentação. “Eu não quero ver seus celulares. Eu quero ver seus rostos, seus olhos.” Quando a plateia responde com um coro de “fora, Temer” ao discurso de Billie Joe contra Donald Trump, ele passa um bom tempo tentando compreender o que está sendo dito. “Eu não consigo entender o que vocês estão dizendo, mas sinto que vem do coração”, fala por fim. E, quando chama para o palco um fã de 13 anos de idade para tocar guitarra, o vocalista passa um bom tempo ensinando os acordes ao garoto, antes de deixá-lo ter seu momento de fama – e, como é tradicional, presenteá-lo com o instrumento.

O Green Day é famoso por suas apresentações longas, e o setlist de 2h40 agradou fãs de todas as eras do grupo: passando pelos mais recentes álbuns Revolution Radio, que batiza a turnê (Bang Bang, Young Blood, Still Breathing, a própria faixa-título), 21st Century Breakdown (Know Your Enemy, que abriu o show, e 21 Guns, que apareceu no encerramento) e o mega sucesso American Idiot (Boulevard of Broken Dreams, Holiday, We Are The Waiting, e, em um bis explosivo, a faixa-título e a épica Jesus of Suburbia), a banda apresentou também canções mais antigas – e clássicas -, como She, Basket Case, Minority, J.A.R. e Good Riddance (Time Of Your Life), que encerrou a performance com palavras mais que adequadas: “I hope you had the time of your life.”

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