Acordo entre Disney e Fox vai muito além dos super-heróis

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No mundo geek a primeira reação ao anúncio oficial da compra da Fox pela Disney foi: “os X-Men e o Quarteto Fantástico estão de volta a Marvel!” A casa do Mickey Mouse sabe da importância desses personagens, e inclusive destacou tal reunião de super-heróis no comunicado divulgado à imprensa após o acordo ser fechado. Tendo em vista que os filmes do gênero são os grandes blockbusters da nossa geração, não surpreende que essa seja a manchete da maior parte das notícias sobre a aquisição, mas o impacto geral do acordo vai muito além disso.

Na última década, a Disney adquiriu diversas outras grandes empresas que agora atuam sob a sua bandeira, tornando-a um conglomerado de entretenimento cada vez mais poderoso. Em termos de comparação, no entanto, essa última compra eleva seus negócios a um nível completamente diferente. Em 2012, na compra da LucasFilm, responsável pela franquia Star Wars, a Disney desembolsou 4 bilhões de dólares, mesma quantia paga na compra da Marvel, em 2009. No caso da Fox o valor pago foi 52 bilhões de dólares (!!!), e esse dinheiro astronômico parece muito bem investido levando em consideração todas as atividades que fazem parte do estúdio de cinema e TV, com nomes como Os Simpsons, Arquivo X, American Horror Story, Avatar e Titanic, e os canais FX e National Geographic.

O grande interesse da Disney nessa história toda é no projeto de criação de um serviço de streaming no estilo Netflix, com lançamento previsto para 2019. Apesar do rico catálogo, a companhia precisava de atrações mais diversificadas se quisesse bater de frente com outras empresas do tipo, como a própria Netflix, e grande parte deste problema foi resolvido com a nova aquisição e as franquias adquiridas por meio dela.

Essa é uma ação sem precedentes na história recente do cinema mundial por conta da redução no número dos grandes estúdios hollywoodianos. O chamado Big Six (Grandes Seis) era composto pela Warner Bros., Paramount Pictures, Columbia Pictures, Universal Pictures, Walt Disney Studios e 20th Century Fox, que agora estão juntas, reduzindo o grupo a cinco.

Os Simpsons “previram” a compra do estúdio num episódio antigo do desenho

Um dos maiores medos envolvendo essa negociação, e que atinge tanto os produtores de Hollywood quanto o público, é o tipo de produção que será desenvolvida daqui pra frente. A Disney é conhecida por suas obras infantis, e uma franquia assustadora e sanguinolenta como Alien, por exemplo, nunca teria sido feita sob o seu teto. É verdade que a empresa tem subsidiárias e outras companhias de distribuição responsáveis justamente por cuidar de títulos que não se encaixariam muito bem na “empresa mãe”, mas ainda assim a Fox conta com criações que fogem muito da proposta familiar.

E não é preciso ir muito longe para encontrar exemplos desse tipo. No próprio universo de super-heróis, Deadpool se destaca como um personagem que não se encaixa na fórmula cinematográfica da Marvel com “filmes Sessão da Tarde”, e que poderia ser prejudicado por sua nova casa. Esse caso específico, no entanto, chegou até a ser comentado por Bob Iger, CEO da Disney, que tratou logo de acalmar os fãs ao afirmar que o herói boca-suja pode continuar exclusivamente para maiores sob o comando da empresa. “Como demonstramos com a aquisição da Pixar, da Marvel e da LucasFilm, nós não apenas respeitamos a cultura de tais organizações como também respeitamos e apreciamos os talentos que vieram com tais aquisições”, afirmou num comunicado aos acionistas.

Dado o sucesso tanto crítico quanto financeiro do mercenário mutante, é realmente difícil imaginar que algo será mudado nesse sentido, apesar da apreensão apontada por grandes veículos norte-americanos como a Variety, que chegou a usar o recente lançamento A Forma da Água, de Guillermo del Toro, para exemplificar o nebuloso futuro de Hollywood. “Será que a Disney produziria um drama sobre o romance entre uma zeladora muda e uma criatura meio peixe?”, questiona a publicação.

A Fox foi responsável por acreditar em obras arriscadas direcionadas ao público mais adulto e obteve sucessos e fracassos com isso. Estamos falando aqui de negócios, são empresas onde obviamente o lucro é o que fala mais alto, então investimentos seguros como colocar o Wolverine para lutar contra o Hulk parece ser o certo a fazer e a “aposta” mais fácil para agradar o público, mas na prática não se sabe ainda qual será o peso da Disney nessas decisões.

Como a regularização dessa aquisição pode levar até um ano e meio, até lá só nos resta confabular sobre as consequências de toda essa operação e o impacto que ela trará nos novos produtos de entretenimento no futuro. Monopolização do poder midiático à parte, os fãs de super-heróis, pelo menos, são os que já podem ir comemorando.

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