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Os prós e contras de Reputation e Melodrama

BEVERLY HILLS, CA - JANUARY 25: Recording artists Lorde (L) and Taylor Swift attend the 56th annual GRAMMY Awards Pre-GRAMMY Gala and Salute to Industry Icons honoring Lucian Grainge at The Beverly Hilton on January 25, 2014 in Beverly Hills, California. (Photo by Larry Busacca/Getty Images for NARAS)

Muita gente duvidou que 2017 teria a capacidade de ser um ano tão bom quanto 2016, musicalmente falando. Sendo assim, os lançamentos fonográficos deste ano fizeram muitas pessoas queimar a língua. Dois dos maiores exemplos disso são os álbuns Melodrama, de Lorde, e Reputation, de Taylor Swift. Ambos causaram um impacto definitivo na indústria da música, sendo o segundo álbum da neo-zelandesa considerado por muitos como o melhor do ano, e o CD que marcou a volta de Taylor ao cenário musical considerado como o mais vendido de 2017.

Algo curioso, porém, são as diferentes perspectivas sobre o mesmo assunto abordadas nas músicas das duas obras. Aqui, o ponto em comum é que ambas as artistas estão com o coração partido e digerindo os recentes términos de relacionamento pelos quais passaram. Contudo, os contextos em que se encontram são quase que completamente diferentes: enquanto Swift já possui uma carreira musical muito bem estabelecida e extremamente bem-sucedida – o que pode ter contribuído para o egocentrismo latente em seu mais recente lançamento -, Lorde é só uma jovem adulta de 21 anos que ainda se choca com o encantador mundo do showbiz.

A idade precoce e a visível inocência não podem ser confundidas com fraquezas, no entanto. Ella Yelich-O’Connor (nome original de Lorde) é incrivelmente madura e, em alguns momentos, feroz como um leão. Músicas como Hard Feelings e Writer In The Dark nos mostram o quão profundamente ela sente a dor da perda de seu amado, em ‘Sober’ e ‘Homemade Dynamite’ ela é só uma adolescente que comete dezenas de erros e se orgulha de conta-los, essa montanha-russa de sentimentos percorre todo o álbum.

Lorde durante a performance do single ‘Perfect Places’ no VMA 2017.

A cantora curte a vida de solteira, sofre com a perda de seu primeiro grande amor, curte as memórias que tem dos dois juntos, sofre com as consequências de seu sucesso e assim por diante. Ao mesmo tempo em que Lorde passa pelo luto de seu término, ela também vê isso como uma oportunidade de se auto-analisar e observar a sociedade ao seu redor. Algo louvável é Ella conseguir sair de sua bolha para criticar os problemas desta, até mesmo quando algumas críticas resvalam nela, o que nem tantos artistas conseguem fazer.

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Antes de qualquer coisa, devemos entrar em um consenso de que términos de relacionamentos são um tema bastante recorrente nos trabalhos de Taylor Swift, e não há nada de errado nisso. Ela escreve muito bem sobre corações partidos e sempre mostrou que essa é sua zona de conforto. Contudo, tudo se torna complicado a partir do momento em que a antiga cantora country sempre aborda o assunto sob o mesmo ponto de vista. Essa é a maior falha do Reputation: a promessa não cumprida de uma “nova Taylor”.

O lançamento do single Look What You Made Me Do, acompanhado do lyric vídeo e do clipe oficial, deixou os fãs de cultura pop em polvorosa. A Taylor antiga morreu? Quem é essa assumindo o centro da narrativa de vilã? Como será esse próximo álbum? Foram perguntas comuns de se ouvir, mas, conforme os singles subsequentes a esse foram sendo lançados como aquecimento para o álbum, ficou notável que a “old Taylor” só morreu um pouquinho.

O mais recente lançamento da cantora está longe de ser ruim. É tão bom, se não melhor, quanto o 1989. A parceria entre Taylor e o produtor Max Martin se provou, mais uma vez, como uma ótima escolha, ainda mais agora com a presença de Jack Antonoff (produtor-executivo do Melodrama). A sonoridade é bem diferente dos outros trabalhos da artista e os refrões ficam na cabeça de quem ouve por um bom tempo, mas o álbum não passa disso. A promessa de algo realmente diferente e inovador para a carreira da cantora ficou somente no papel, pois as composições se parecem muito com suas músicas antigas e a narrativa de vítima se mantém até a última batida. O sucesso comercial é merecido, mas e quanto à evolução artística de Swift?

Em um ano onde com tantos acertos na música e tão turbulento na política, vale a pena lançar mais do mesmo? Espera-se que mais artistas ajam como Lorde e tentem melhorar suas habilidades, fazendo algo novo, diferente e verdadeiramente autoral.

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