Taylor Swift, Anitta, Dua Lipa e os melhores videoclipes de 2017

clipes-2017
  • 27
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
    27
    Shares

O ano de 2017 foi bastante movimentado no mundo da música. Ao analisarmos os lançamentos visuais do ano, podemos ver uma grande bipolaridade de produções. Quando Michael Jackson lançou Thriller, em 1982, acreditava-se que videoclipes seriam o grande diferencial na divulgação para as músicas e, até um certo momento, isso foi verdade. Madonna, Lady Gaga, Britney Spears, Pink, Katy Perry e Beyoncé foram algumas artistas que fizeram grandes investimentos na produção de clipes ao longo de suas carreiras.

Em 2017, porém, alguns artistas se destacaram com as concepções visuais para suas músicas. Dua Lipa, por exemplo, ditou novas regras com New Rules e acabou despertando a curiosidade dos amantes do pop. Uma das grandes revelações deste ano, ela chamou atenção por seu clipe gravado quase que por completo em plano-sequência (ou seja, sem cortes). New Rules gerou muitas paródias, bombou no Youtube e acabou atraindo fãs para seus outros trabalhos.

Taylor Swift lançou o vídeo que é uma das maiores apostas para a categoria de “Vídeo do Ano” no VMAs do ano que vem, o vídeo para a música Look What You Made Me Do. Pensado estrategicamente pelo diretor Joseph Kahn, o clipe rendeu muitos posts e comentários nas redes sociais. O alto investimento valeu a pena e o videoclipe se tornou o mais visto em 24 horas no Youtube. Taylor também foi destaque com o clipe de …Ready For It, outro que também foi pensado frame por frame e está cheio de referências. Essa estratégia funciona tanto para render divulgação, quanto para reproduções repetitivas. Poucas pessoas assistiram ao clipe de Look What You Made Me Do apenas uma vez.

O fenômeno do ano, Despacito, do cantor Luis Fonsi, que até 2016 era desconhecido pelo resto do mundo, não é um exemplo de inovação estética mas chamou atenção de alguma forma. O vídeo mostra Porto Rico um pouco antes dos grandes furacões Irma e Maria. Além disso, muito da cultura local e suas danças acabou ganhando destaque. A versão remix de Justin Bieber foi a que mais fez sucesso nas plataformas de streaming, embora tenha sido lançada meses após o clipe oficial. Porém, foi no Youtube que Despacito ficou tão famosa. O clipe é, hoje, o mais visto da história do site e ultrapassou 4 bilhões de visualizações. O mundo inteiro viu o pasito a pasito. Mas, por que a versão de Justin não ganhou clipe? Provavelmente o vídeo original não teria sido um fenômeno tão grande se tivesse que dividir visualizações.

Por outro lado, outro grande hit do ano, Shape Of You, de Ed Sheeran, tem um videoclipe praticamente esquecível. A música rendeu a Ed o topo nas listas de faixas e cantores mais reproduzidos no Spotify em 2017. Mas e o clipe? Embora tenha ultrapassado 2 bilhões de visualizações, podemos afirmar que o sucesso foi creditado à música. Dificilmente daqui a cinco anos lembraremos do impacto do clipe de Shape Of You, diferentemente de quando falamos da faixa.

Ao falarmos de Ed Sheeran, se não contarmos com Thinking Out Loud, podemos dizer que seu forte não é mesmo videoclipes. Perfect, por mais que a música esteja dominando as paradas da Billboard, segue a mesma linha de clipe totalmente esquecível. O clipe da versão remix com Andrea Bocelli mostra a qualidade da música e até toca os sentimentos mais profundos, mas se é a versão de Beyoncé que está se destacando, por que Ed Sheeran não tentou fazer um clipe impactante com a Queen B? Ed exemplificou que, em um ano em que clipes foram destaque, ele conseguiu ir contra a maré e, ainda assim, fazer sucesso.

Outro que pode ter ido contra-maré foi J. Balvin. Que Mi Gente foi um dos maiores hits do ano, pelo menos nas Américas, é inegável. Mas, quem consegue se lembrar do vídeo de Mi Gente? No máximo, conseguimos lembrar do vídeo do remix, com a participação de Beyoncé. Na verdade, quase como um lyric video, Mi Gente Remix trouxe diversas personalidades famosas na América Latina com a letra da faixa passando embaixo. Foi impactante? Foi. Mas poderia ter sido algo muito melhor.

Já no mercado brasileiro, o videoclipe tem uma outra importância. No Brasil, o público ainda se importa bastante com vídeo. Nas redes sociais, somos um dos públicos mais fortes (o que explica a escolha do lançamento do lyric video de Swish Swish, de Katy Perry, com a Gretchen). O canal do Kondzilla, um produtor de clipes nacionais especializado em funk, é um dos mais acessados do mundo. Bum Bum Tam Tam, de Mc Fioti, mesmo sendo um vídeo de funk, serviu como uma luva para as mãos de um público sedento por bundas e batidas fortes. A produção é boa mas não justifica a marca de 514 milhões de visualizações batidos atualmente.

A grande justificativa é pela própria música, que acabou ganhando dois remixes internacionais e chamando a atenção do mundo inteiro. O clipe se tornou o segundo vídeo mais visto no Youtube Brasil, ultrapassando Loka, no finalzinho do ano. Loka, de Simone e Simaria com Anitta, embora tenha sido gravado em estúdio, foi uma grande produção e acabou alcançando 500 milhões de visualizações, se tornando o terceiro vídeo brasileiro mais visto no Youtube.

Pabllo Vittar mostrou a importância de um bom videoclipe. A drag, que foi o grande destaque nacional de 2017, lançou os clipes de Todo Dia, K.O, Corpo Sensual e Sua Cara, ao lado de Anitta e Major Lazer. Os quatro foram hits com grandes e marcantes produções visuais. Não tem como ouvir a introdução de K.O e não pensar em Pabllo caminhando em sua direção. Sua Cara, um dos maiores hits no Brasil em 2017 se não o maior fez com que o clipe fosse o 7º vídeo mais assistido no Youtube em 24 horas (isso porque era destaque apenas no Brasil). Mesmo com pouco investimento, Pabllo já possui uma videografia melhor que muito artista internacional de carreira com longo prazo.

Quando falamos de Anitta, falamos de hits e de videografia. Desde Meiga e Abusada, quando a cantora nem possuía investimento de grandes gravadoras, ela já mostrava grandes produções. Com Show das Poderosas, Bang e Deixa Ele Sofrer, Anitta deixou sua marca na história do mercado fonográfico-visual brasileiro. Neste ano, a cantora se destacou com o clipe de Paradinha, gravado em NY, e o projeto Checkmate, que parou o Brasil. Nunca tivemos uma artista brasileira que parasse o país para acompanhar um lançamento de clipe. Anitta conseguiu. Com seu projeto, que durou quatro meses, a cantora lançou um vídeo por mês e cada lançamento quebrava um novo recorde. Will I See You, Is That For Me, Downtown e até o mais recente, Vai Malandra mostraram o empenho da cantora em deixar sua marca.

O primeiro lançamento do projeto, o clipe de Will I See You, mesmo com uma produção simples, deixa transparecer a leveza da faixa. Is That For Me mostrou aos brasileiros a beleza da Amazônia, algo que parecia óbvio, mas que nenhum artista brasileiro tinha pensado anteriormente. Downtown é uma produção digna de parceria internacional, com direito à storytelling, figurinos e cortes bem realizados. Vai Malandra levou o funk para um público enorme e, mesmo sendo lançado no finalzinho do ano, está batendo recordes de visualizações e sendo destaque nas paradas. Os videoclipes de Anitta, com qualidade indiscutível, marcaram o ano e mostraram a importância do visual para a música pop nacional.

Cada vez mais os lyric videos perdem atenção. A ferramenta, que foi criada para impulsionar as vendas das músicas nas plataformas de streaming (seguindo as novas regras da Billboard), está cada vez mais perdendo importância. Como foi citado acima, o único que se destacou esse ano foi o de Gretchen, e isso graças ao público brasileiro. Embora alguns artistas não liguem muito para os clipes que fazem, o mercado ainda é visual e se depender dos artistas que se destacaram em 2017, isso ainda vai se perpetuar por um bom tempo.

Comments

comments