GRAMMYs se mostra sexista, mesmo com movimentos como Time's Up e #MeToo

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O presidente do Grammy, Neil Portnow, realizou uma série de comentários sexistas sobre a última edição da premiação. Quando questionado sobre o baixo número de mulheres indicadas nas categorias, em uma declaração à imprensa, ele disse que as artistas deveriam “se aprimorar” se quisessem ser indicadas ao ‘Oscar da música’. “Elas precisam se esforçar mais, e então serão bem vindas ao Grammy”. Esta foi a edição com menos mulheres indicadas em anos, mesmo com o movimento Time’s Up, sobre empoderamento feminino e contra o assédio em grande pauta na mídia. Só uma mulher, Alessia Cara, subiu ao palco para receber um dos prêmios principais, o de Artista Revelação. Vale lembrar que, dos 20 indicados em categorias principais, cinco eram mulheres e apenas uma levou o gramofone.

Os comentários de Neil levantaram um rebuliço mais do que justo na internet. P!nk, por exemplo, compartilhou em seu twitter um texto onde dizia “mulheres não precisam se aprimorar, porque elas vêm fazendo isso desde o início dos tempos. […] as mulheres arrasaram este ano, e em todos os anos antes deste. Quando celebramos e honramos o talento e as conquistas das mulheres e a forma como elas “se aprimoram” todos os anos, superando tudo e todos, mostramos a todas as mulheres e garotas, e meninos e homens, o que significa ser estar em igualdade e o que se parece com justiça”.

Katy Perry retweetou P!nk dizendo: “Outra mulher forte servindo de exemplo. TODOS NÓS temos a responsabilidade de apontar o absurdo que é a falta de igualidade em qualquer lugar. Estou muito orgulhosa de todas as mulheres que criam arte de resistência contínua”.

A cantora Sheryl Crowl, que ganhou o prêmio 9 vezes, contou que “gostaria que o Grammy voltasse a ter categorias divididas entre feminino e masculino. Em quem as garotas vão se inspirar para pegar a guitarra e tocar o rock, se todas as categorias estão lotadas de homens? Não tenho certeza se as mulheres precisam “se aprimorar”, já que quem disse isso foi o homem no cargo.”

Os comentários de Neil dizem muito sobre a indústria sexista que ainda existe e o quão caduco o Grammy Awards ainda é. A premiação, por ser uma celebração da música, deveria ser o contraponto a tudo isso e dar oportunidade para todos os artistas de forma justa. Porém, a Academia da Gravação continua sendo uma prova de que a elite é quem ainda escolhe quem é indicado e quem leva os prêmios da maior honraria da música.

O sexismo no Grammy

Em 60 anos de Grammy Awards, apenas 21% dos indicados à premiação foram mulheres. No total, apenas 411 mulheres foram indicadas e 113 ganharam o gramofone. Em contrapartida, 1930 homens foram indicados para o prêmio. Este número diminui, se focarmos nos prêmios principais: em Canção do Ano, por exemplo, apenas 109 mulheres concorreram ao prêmio – sendo que, destas, apenas 37 ganharam – enquanto 459 homens o disputaram. Na categoria Álbum do Ano, o número é ainda menor: foram 90 indicações para mulheres e 457 indicações para os homens. Destas 90, apenas 21 levaram o gramofone. O prêmio de composição, Música do Ano, tem o menor número de indicações e premiações de mulheres entre todos os outros: são 88 indicadas e 18 ganhadoras. Para os cantores homens, são 515 indicações nesta categoria.

Analisando estes números, chegamos à conclusão que ainda bem que, com a internet e com a democratização do acesso à informação, os artistas não precisam mais de prêmios e premiações como uma plataforma de divulgação e conseguem provar o seu valor de outras maneiras. As mulheres, que comandam a indústria há tanto tempo, mereciam muito mais do que um sermão de “aprimoramento”. E é isso que pessoas como Neil Portnow não entendem: elas não lutam apenas por uma indicação, um lugar ao sol, mas sim por respeito pelo seu trabalho.

O GRAMMYs como instituição e como premiação, só tem a perder quando o seu público espera pelo reconhecimento de seus artistas favoritos e ganha, ao invés disso, um espetáculo que parece ter ficado nos anos 60.

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