O imemorável halftime show de Justin Timberlake no Super Bowl

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Particularmente, desde 2006, eu fui fã de Justin Timberlake. Até lembro quando o ‘N Sync fazia sucesso no mundo inteiro com Bye, Bye, Bye e It’s Gonna Be Me mas durante boa parte da minha infância não acompanhei o trabalho do cantor. Não lembro do Justified, por exemplo, mas consigo lembrar muito bem de hits do FutureSex/LoveSounds como Summer Love e What Goes Around… Comes Around. Um pouco antes de anunciar o The 20/20 Experience, lembro das especulações de que ele voltaria à ativa. Voltei a acompanhar seu trabalho e, cada vez mais, fui me apaixonando por ele. Depois de dois álbuns lançados em 2013, e seu primeiro Rock In Rio (2013) em que eu estive presente, passei a me autointitular seu grande fã.

Pouco depois desses episódios, fiquei sabendo sobre a polêmica com Janet Jackson no intervalo do Super Bowl de 2004 e, só há poucos meses, depois da segunda vez que o vi ao vivo no Rock In Rio (2017), pesquisei mais a fundo sobre seu relacionamento com Britney Spears (embora sempre soubesse por alto). Conto isso tudo para contextualizar a minha percepção sobre o intervalo do Super Bowl desse ano.

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No último domingo (04/02), foi exibida a apresentação de Justin Timberlake no Super Bowl LII. Desde que a sua participação foi anunciada, em outubro de 2017, mesmo com muitas especulações, fiquei esperando um dos maiores halftime shows de todos os tempos. É inegável, você gostando ou não, que Justin Timberlake é um grande artista. Ele canta ao vivo, dança muito bem e tem todos os aparatos necessários para ser um showman de qualidade, inclusive uma banda própria. Para quem não sabe, o show do intervalo no Super Bowl é conhecido por ser um momento de consagração dos artistas nos Estados Unidos. A maioria convida outras lendas da música, faz performances inesquecíveis ou utiliza a plataforma de maior audiência da televisão norte-americana para algum tipo de protesto. E isso tornou-se um grande problema para Justin Timberlake. Só há uma palavra para a performance do astro no show de intervalo: decepcionante.

Não que Justin tenha falhado ao vivo. Longe de mim falar mal sobre o seu desempenho. Estava tudo muito bem ensaiado e não aconteceu nenhum erro inesperado. O que acontece com Justin é que desde o começo de sua carreira, inclusive suas duas participações anteriores em Super Bowls (2001 e 2004), mostraram seu talento de show maker. Durante a apresentação desse ano, a única coisa que ele conseguiu mostrar foi que ele possui um ótimo catálogo de músicas de sucesso. Por exemplo, Beyoncé convidou a banda Destiny’s Child para subir ao palco após anos de inatividade. Lady Gaga pulou do teto e fez um protesto contra os Estados Unidos de Trump, mesmo que de forma sutil. Madonna e Michael Jackson… Bom, Madonna e MJ, eu não preciso nem citar… Timberlake não teve um momento memorável no palco.

A performance de Justin chegou a ser mais decepcionante que a de Bruno Mars, em 2014. Mars chegou a convidar Red Hot Chilli Peppers em seu ano. E, convenhamos, ele tinha apenas quatro anos de carreira. Desculpa inaceitável para o veterano que possui quase 20. Sem nenhum convidado, Timberlake deixou sua chance de se retratar com Janet Jackson, ou até convidar outras lendas como Madonna, Jay-Z, Pharrel, Beyoncé e Timbaland, que já colaboraram com ele durante sua carreira. O próprio ‘N Sync que foi uma das boybands mais bem-sucedidas dos anos 2000 não foi convidado para um reencontro. De acordo com ele, seus convidados foram os integrantes da banda The Tennessee Kids, a que participa de sua turnê; ou seja, uma grande massagem em seu próprio ego divulgação de seu próprio trabalho.

Em 2013, Justin foi homenageado no VMAs com o prêmio Michael Jackson Vanguard Award. Com uma performance icônica de 15 minutos, JT teve seu próprio Super Bowl ali. Com direito à ‘N Sync e uma performance impecável feita com um medley de seus hits, é como se ele imaginasse que nunca teria a oportunidade de se apresentar sozinho no show do intervalo e tivesse “gastado” toda sua criatividade nesse momento. A performance foi tão boa, que se ele a tivesse feito no domingo, a crítica teria sido bem mais positiva.

O grande ponto da noite do dia 04 era para ter sido o holograma de Prince. De acordo com algumas fontes, Justin teria cancelado o holograma porque a família do cantor, falecido em 2016, estaria insatisfeita com a homenagem. De todo modo, ele resolveu colocar, como uma homenagem, um pano com projeções do cantor que nasceu em Minneapolis, Minnesota (mesmo local do show). Se o que tivesse sido ensaiado acontecesse, sua apresentação até poderia ter sido um pouco mais relevante, mas não acredito que teria convencido muito mais gente.

Reforço ao dizer que não foi ruim. Foi ótimo, inclusive. Poucos artistas fazem um show como ele fez. A grande questão é que não era nada mais do que já havíamos visto de Justin Timberlake durante todos esses anos. O grande problema de você ser um grande artista como Beyoncé, Madonna, Lady Gaga ou até P!nk, é que quando você entrega algo mediano, ele passa a ser massacrado pelo público e pela crítica, já que as pessoas esperam mais de você.

Justin Timberlake durante sua apresentação solo no intervalo do Super Bowl LII.

O cantor também prometeu muito para o que cumpriu. Em diversas entrevistas, Justin não queria revelar detalhes sobre seu show. Inclusive para Ellen Degeneres, ele afirmou que faria algo que ninguém nunca tinha feito antes. O que era? Um tributo?

Outro grande trunfo de JT poderia ter sido as críticas sociais. O cantor já se declarou contra-Trump diversas vezes e já foi protagonista em um episódio machista há mais de 10 anos atrás no “mesmo palco”. Por que não utilizar a plataforma para algo relevante? Beyoncé e Bruno Mars, em 2016, Lady Gaga, em 2017 se saíram muito bem com suas pontuações. Afinal, ser artista é ser porta-voz de diversas causas e ideais. Inclusive, dois dos singles de seu novo álbum Man Of The Woods possuem críticas sociais em seus clipes: Filthy e Supplies. Alguns rumores dizem que o cantor fez um acordo com a NFL de dispensar qualquer polêmica em 2018 (inclusive esse seria o motivo do cancelamento do holograma).

A falta de liberdade criativa pode ter sido um bom motivo para o astro não ter mantido o show em seu padrão de costume. Eu, fã, que assisti duas vezes Justin Timberlake ao vivo, posso afirmar com propriedade que ele era capaz de fazer algo muito mais grandioso e memorável. Foi decepcionante.

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