O que torna 'The Crown' tão realista?

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A fascinação da população mundial pela família real britânica não é novidade para ninguém. Em algum momento de suas vidas, grande parte das pessoas sempre se pega pensando sobre o que acontece dentro do palácio de Buckingham e como deve ser o dia-a-dia da realeza inglesa. O grande mérito de tamanha curiosidade é da habilidade que os familiares da rainha Elisabeth II, e os funcionários que os cercam, têm de guardar todos os acontecimentos íntimos à 7 chaves, deixando todo o resto do mundo na penumbra. Portanto, quando chegou à Netflix a primeira temporada de The Crown, todos os aficionados pela realeza tiveram, por fim, seu momento de glória.

Com o objetivo de retratar os momentos menos comentados do reinado da atual rainha da Grã-Bretanha, a série surpreendeu à muitos por seu compromisso com os fatos. Mesmo não sabendo como o criador e roteirista Peter Morgan conseguiu tomar posse das transcrições de todos aqueles diálogos privados e sensacionais entre Elisabeth e outras figuras renomadas da história mundial, a realidade passada pelo universo da série é tão convincente que tendemos a acreditar veementemente. Porém, sempre é bom lembrar que o programa também é um drama, ou seja, a maioria desses diálogos citados anteriormente foram imaginados pela cabeça de Morgan. Mas calma, isso não quer dizer que tudo seja inventado.

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Para que a mágica da realidade aconteça, há um pequeno time de pessoas trabalhando incansavelmente nos bastidores da produção. A fim de que os episódios sejam o mais reais possível, há todo um trabalho meticuloso de pré-produção. Tudo começa com a pesquisadora profissional Annie Sulzberger, que é responsável por prover os fatos históricos para que o roteirista tenha sobre o que escrever. O trabalho é feito por meio de entrevistas com pessoas reais, visitas às locações, pesquisas de arquivos, documentários, livros… A própria Annie afirmou, em uma entrevista à Variety, que chegou a produzir um documento com 75 páginas contando tudo o que aconteceu durante as décadas de 1940 e 1950, para que Morgan pensasse nos episódios da 1ª temporada.

Com o auxílio desse background histórico, o criador da série começa a pensar nos episódios e a escrever os roteiros, podendo tomar certas liberdades para usar sua imaginação.

“É como pintar um quadro – eu não consigo tirar minhas mãos disso, contudo, se perfeição absoluta for tudo o que você procura, é melhor tirar uma foto com uma iluminação planejada. Mas isso não é o que queremos fazer, você tenta entrar na mente da personagem e responder aos desafios que ela enfrenta” disse Peter durante uma entrevista ao jornal The Telegraph.

Então, com o roteiro pronto, tudo é entregue ao consultor histórico da produção, Robert Lacey, para que tudo seja devidamente verificado e esteja correto historicamente. Robert é responsável por verificar as “dramatizações” feitas por Peter e analisar se elas se encaixam no contexto sociopolítico da época.

Billy Jenkins (Príncipe Charles), Claire Foy (Rainha Elisabeth II) e Matt Smith (Rei Phillip) nos bastidores.

Outra curiosidade é o uso de fotos reais para garantir que tudo seja retratado corretamente, é feito um storyboard com dezenas de fotos dos momentos mais importantes a ser retratados para garantir que equipes como as de maquiagem, cabelo e figurino façam seus trabalhos impecavelmente. Além de fotos da realeza, também existem fotos de diversas modas utilizadas naquela época, tanto de penteados, como de roupas.

A maioria dos sets são construídos para aumentar a sensação de realidade, seguindo a regra de que não mais que 1/3 de qualquer cena poderia ser criado digitalmente. O palácio de Buckingham foi uma das maiores dificuldades para os produtores, pois de jeito nenhum permitiriam que as cenas fossem feitas lá, então, a morada real foi dividida em três locações: a Lancaster House, a Wilton House (dois palácios localizados no Reino Unido) e os estúdios de filmagem (onde foram recriados os aposentos íntimos do rei e da rainha).

Parte construída da fachada do Palácio de Buckingham.

Tendo em vista todo o esmero de produção colocado na série, não é surpresa que as duas primeiras temporadas tenham custado 130 milhões de dólares, o que a tornou a produção mais cara da Netflix.

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