As críticas e as referências em 'APESHIT', o novo videoclipe de Beyoncé e JAY Z

beyonce jayz apeshit
  • 1.3K
  • 16
  •  
  •  
  •  
  •  
    1.3K
    Shares

Para quem não esperava qualquer novidade de Beyoncé e JAY Z para este ano, ou pelo menos para o primeiro semestre, recebeu um banho de água fria. Novamente sem causar muito alarde, utilizado-se apenas das redes sociais e de um anúncio durante um show que ambos realizavam em Londres, o casal mais importante da música pop lançou o primeiro álbum conjunto. EVERYTHING IS LOVE – em maiúscula mesmo devida a grandiosidade – é o debute de Beyoncé e JAY Z com um álbum completamente feito em parceria. Na verdade esqueça da Queen B e do HOV, EVERYTHING IS LOVE recebeu a assinatura dos The Carters. A fusão do nome do casal não é algo meramente ilustrativo, com intuito de resultar em um encarte mais “bonitinho”. The Carters representa a fusão de ideia do casal, da experiência dos dois como uma instituição e a partir de um processo artístico único.

Falando em processo de criação, ao lado do álbum com nove faixas, também foi lançado o videoclipe da música APESHIT. Gravado inteiramente dentro e nos arredores do Museu do Louvre – um dos museus mais importantes do mundo e sem levantar uma suspeita sequer -, os The Carters trouxeram aos olhos do público diversos pontos sobre a colonização europeia sobre povos africanos e a exploração dos negros durante o período da escravidão.

Escolher o Museu do Louvre, considerado um dos museus mais importantes do mundo, não ocorreu de forma trivial. Localizado em Paris, e fundado em 1793, o Louvre reúne incontáveis obras de artes adquiridas principalmente no confisco da Igreja, durante as invasões napoleônicas e retiradas das ex-colônias africanas. Além das obras dos outros países, outra parte do vasto acervo do Louvre retrata a escravidão do povo negro e a imponência das realezas que comandaram a Europa durante séculos. O espaço para a cultura e a arte negra dentro do Louvre são mínimos e não recebem a devida relevância, há uma desvalorização daquilo que não seja eurocêntrico. Aliás, na maioria das vezes, o negro é retratado como escravo ou submisso na maioria das obras de arte.

“Mas, o Louvre escolhe o que quiser expor…”, sim, o museu tem total autonomia para selecionar e expor aquilo que acredita ser arte e digno de compor seus corredores. Porém, é importante ressaltar que por se tratar do museu mais importante do mundo, o espaço é um retrato daquilo que o mundo enxerga como arte. E são por essas razões que a inserção dos negros como principal é rebelde e extremamente forte. Nunca se viu a cultura negra receber tanto destaque em um espaço em que ela é coadjuvante, e naquelas seções em que há arte africana, há de se pensar que é uma arte roubada, adquirida através da exploração dos negros. A poética também está na capa de EVERYTHING IS LOVE, pois, a principal obra de arte do Louvre passa quase que despercebida. A trivialidade em que Monalisa, de Leonardo Da Vinci, aparece é tanta que o ponto principal da capa é o cabelo afro.

O contraste com as principais obras do Museu do Louvre é ressaltado em diversas passagens de APESHIT, principalmente nas cenas em que os corpos negros são destacados em frentes às telas. O que justifica que não é a toa que Beyoncé aparece vestido um colante que a faz parecer nua em frente a Afrodite (também conhecida como Vênus de Milo). A estátua do período helenístico foi considerada um paradigma da beleza feminina durante séculos, e pautou aquilo que deveria ser considerado como o mais belo corpo feminino dentro das artes. Mas, para Beyoncé – que ali representa a mulher negra – é o seu corpo que merece ser notado. Ela e as suas curvas, com sua dança e sensualidade, o seu turbante e penteado que merecem a devida atenção.

Beyoncé e JAY Z conseguiram inserir a cultura negra em um dos principais centros de obras eurocentristas do mundo e redirecionar os olhares dos espectadores sobre as artes ali expostas. Pelo menos durante a noite de gravação de APESHIT, o Museu do Louvre foi o palco das mais diversas manifestações afro-americanas: as danças, as roupas, as cores, a música e o corte de cabelo. E por isso, não é a toa que os The Carters afirmam “We Made It“.

Em nosso canal apresentamos mais informações sobre o videoclipe de APESHIT e sobre o álbum EVERYTHING IS LOVE. Assista abaixo!

Comments

comments