Drake é a maior revolução da indústria fonográfica atualmente

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São milhares de artistas que lançam faixas e álbuns anualmente mas são poucos aqueles que constroem um legado e movimentam a indústria de forma efetivamente relevante. Dentre Michael Jackson, Beatles, Madonna e Beyoncé, temos um novo nome a caminho: Drake.

O rapper começou a investir pesado em sua carreira em meados de 2009, após o sucesso de “Best I Ever Had”. Desde então, seu trabalho foi ganhando reconhecimento e aquele que poderia ser um dos tantos que se perdem no mundo do rap, se tornou uma lenda. Drake fez sim parcerias memoráveis mas podemos dizer com propriedade que seu trabalho ganhou muito mais consistência em seus projetos solo.

Um canadense que conquistou os Estados Unidos, e o mundo, sem perder sua origem. Sempre levando Toronto (The 6ix) em suas músicas e clipes, ele se tornou um grande monumento da cidade. Um especialista de pesquisas da cidade estimou recentemente que ele é responsável por 5% da economia do local.

Abraçando a todos

Em um sucesso crescente, suas músicas passaram a conquistar todos os públicos, inclusive os que não são tão fãs de rap. “Hold On We’re Going Home”, “Started From The Bottom”, “Hotline Bling”, “One Dance”, “Controlla”, e os mais recentes, “God’s Plan” e “Nice For What”. Drake é inteligente. Consegue caminhar entre o pop e o rap mais puro ao mesmo tempo. É um negro que também é visto como branco. É um visual excêntrico que também é chamado de daddy/papi. É um judeu conservador e moderno ao mesmo tempo. Tem a “dirty talk” do rap e também canta sobre amor e sentimentalismo. Drake é tudo ao mesmo tempo, e conseguiu usar isso ao seu favor.

Vindo de um gênero em que não é preciso coreografia e nem alcance vocal, ele consegue se diferenciar com um estilo único. A carreira de Drizzy não parece ter sido milimetricamente planejada, mas foi acontecendo e ele se tornou um produto. Por exemplo, em 2015, o público estava sedento por um novo álbum já que o “Nothing Was The Same”, o anterior, havia sido lançado em 2013. Desta forma, em fevereiro, ele liberou o “If You’re Reading This It’s Too Late”, com 16 faixas, de surpresa. Primeiramente, o álbum foi taxado como o quarto de sua carreira, depois ele anunciou como uma mixtape, e assim ficou. Vendendo a incrível marca de 495 mil cópias na primeira semana, a “mixtape” estreou em #1 na Billboard 200.

Mais tarde, em setembro, ele resolveu lançar outra mixtape, “What A Time To Be Alive”, com Future que também estreou no topo das paradas. Bastante confuso já que em 2016, ele lançou seu quarto álbum oficialmente, o “Views”.

Mainstream

Foi aí que sua vida decolou no mainstream. “Hotline Bling” foi lançada de forma avulsa e começou a conquistar o mundo. O vídeo estreou muito depois da música já ter estourado no mundo inteiro, o que só fez o sucesso aumentar de forma estrondosa com sua viralização. No final, acabou entrando no álbum como “faixa bônus”, mesmo sendo seu maior hit até então. “One Dance”, um dos maiores sucessos de 2016, nem ao menos ganhou clipe. A faixa foi a primeira a ultrapassar 1 bilhão de reproduções no Spotify e nunca ganhou um projeto visual. “Too Good”, seu single seguinte com Rihanna, também não.

Ainda naquele ano, foi lançada a playlist “More Life”, que ninguém entendeu o que era: uma mixtape ou um álbum. Talvez por preguiça de uniformizar as faixas como um álbum, por medo, ou ousadia, ele contou com grandes nomes como Kanye West, Quavo, 2 Chainz, Young Thug e Travis Scott para faixas aleatórias. A playlist rendeu bons números com “Passionfruit” e “Fake Love”.

“Scorpion” e o futuro

Neste ano, foi lançado o “Scorpion”. Batendo todos os recordes possíveis, ele resolveu ousar mais uma vez. “God’s Plan” e “Nice For What” já haviam passado semanas em #1, sendo a segunda sem clipe. E mesmo assim, ele não se deu por satisfeito. Foram 27 faixas no total. E o resultado foi totalmente inesperado: 7 estrearam no top 10, quebrando o recorde histórico dos Beatles, e todas as outras estrearam no Top 100 da Billboard Hot 100.

Ou seja, muito hit para pouco álbum. Alguns acreditaram que o lançamento pecou pela “falta de controle de qualidade” já que apresentou um número excessivo de músicas. Mas não foi por acaso. O rapper entendeu que estamos na Era do Streaming. Que não importa mais tanto um trabalho enxuto e consistente, se você pode entregar duas dezenas de hits e se tornar muito mais relevante. Vindo contramaré e fazendo o oposto que Beyoncé vem fazendo e influenciando a indústria a fazer, Drake provou que prefere ter inúmeros hits a um álbum conceituado. E faz sentido já que dá menos custo, trabalho e mais resultado. Nas novas faixas temos parcerias com grandes nomes como Michael Jackson, Nicki Minaj, Jay-Z, Mariah Carey e Ty Dolla $ign.

Esperto! É exatamente desta forma que ele vem mudando as regras da renomada Billboard, a parada mais importante dos Estados Unidos. Não faz mais sentido contabilizar vendas físicas quando os streamings é o que tem poder no mercado. Spotify, Youtube, Tidal, Apple Music carregam bilhões de reproduções, enquanto vendas físicas não trazem tanto impacto. As contabilizações de reproduções por streaming estão ganhando peso, enquanto as vendas presenciais estão perdendo.

Da mesma forma que Adele lutou contra os streamings em 2016 e teve um resultado surpreendente em vendas físicas, Drake vem fazendo o contrário em 2018.

“Scorpion”, seu mais recente lançamento, se tornou o primeiro álbum da história a alcançar 1 bilhão de streamings no Spotify. Ele está abrindo portas como quando no começo da década alguns artistas colecionavam VEVO Certified (contabilização de 100 milhões de visualizações no Youtube, que hoje nem parece tanta coisa assim). Com o novo single “In My Feelings”, já temos uma cartada na mesa espontânea, a viralização do um desafio #InMyFeelingsChallenge nas redes sociais.

O jogo está nas mãos de Drake e ele está redistribuindo as cartas. Como a indústria deve responder a isso? Ao longo dos próximos dois anos teremos essa resposta.

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