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Dossiê Nicki Minaj: O que está acontecendo com a rapper?

Há alguns dias, Nicki Minaj lançou o Queen, seu mais novo álbum de estúdio com músicas inéditas. Mesmo sendo bastante aclamada pela crítica e pelos fãs devido à qualidade artística do álbum, o sucesso comercial também é algo muito importante para a rapper, tendo atingido o primeiro lugar nas paradas musicais de 86 países (segundo a própria estrela).

A semana de contagem de vendas da revista Billboard, no entanto, é iniciada na primeira segunda-feira após o lançamento das obras musicais e encerrada no domingo seguinte, no caso da cantora de Anaconda, isso ocorreu entre os dias 13 e 19 de agosto. Ao saírem os resultados sobre os álbuns mais vendidos da semana nos Estados Unidos, muitas pessoas se chocaram porque Nicki não está na primeira posição, mas sim Travis Scott, com o álbum Astroworld.

Travis segura o primeiro lugar no Hot 200 (parada musical que lista os álbuns mais vendidos das semanas americanas) pela segunda semana consecutiva, mesmo com uma queda de mais de 60% em suas “astrovendas”. Logo atrás está o Queen, da rapper de Nicki Minaj, tendo vendido o equivalente à 185.000 cópias de álbuns físicos em solo americano.

O problema é que Nicki não considerou a contagem justa e fez questão de expor suas opiniões em seu perfil no Twitter. O ícone dos Barbz (nome adotado por seus fãs) não economizou nas palavras e trouxe diversos nomes para a discussão, como: Kylie Jenner e sua filha, Stormi Webster; Drake; o Apple Music; o Spotify; a gravadora Republic Records; Ariana Grande; Kanye West; Nas; os Carters e, por fim, a própria Billboard.

As críticas feitas pela rapper de Trinidade e Tobago já foram reproduzidas em larga escala pela imprensa, porém, nós fizemos uma análise mais aprofundada sobre as vendas dos(as) maiores rappers da indústria fonográfica, a carreira de Nicki e o que está acontecendo com o Queen. Em primeira mão, podemos adiantar que algo parece não estar muito bem já há algum tempo.

Tudo começa quando olhamos um pouco para o passado e pegamos duas das figuras mais idolatradas da cultura hip hop, Lil’ Kim e Missy Elliott. Ambas lançaram álbuns de estúdio entre os anos de 1996 e 2006, com números de vendas dignos de seus títulos de “lendas do rap”, mas atingiram algo como um “ápice” de suas carreiras e, após isso, viram suas vendas caírem de forma preocupante nos EUA. Em seus últimos lançamentos, a Queen Bee original e Missy deixaram de vender mais de 1 milhão de cópias em relação a seus álbuns anteriores. Isso aconteceu há mais de 10 anos e, desde então, não ouvimos mais um álbum de inéditas de nenhuma das duas.

Da esquerda para a direita: Lil’ Kim, Missy Elliott e Da Brat.

A indústria mudou, assim como os hábitos de consumo do público, e isso afetou a todos os artistas musicais, inclusive rappers que eram aclamados por vender inacreditáveis quantidades de álbuns – como Eminem – assistiram a quedas tão exorbitantes quanto suas vendas no passado. Esse é o cenário em que surgiu Nicki Minaj, durante um hiato de nomes femininos comercialmente fortes na cultura hip-hop e em um modelo de negócio que já se mostrava bastante desgastado, lá em 2007.

Seu primeiro álbum de estúdio foi lançado em 2010, o Pink Friday, e fez estrondoso sucesso mundo afora. A primeira semana de vendas foi a segunda maior da história de uma artista do hip hop, ficando atrás apenas do The Miseducation of Lauryn Hill, de Lauryn Hill, lançado em 1998. Além disso, foram o equivalente a mais de 3 milhões de cópias vendidas, o que rendeu à artista 3 certificados de platina da RIAA. Entre os rappers que surgiram ao mesmo tempo em que ela, as únicas comparações possíveis quanto ao sucesso de seus primeiros álbuns são Drake e Kendrick Lamar.

Durante o decorrer de sua carreira, ao contrário de muitos(as) rappers contemporâneos à ela, Nicki conseguiu manter-se em uma constante invejável, vendendo mais de 2 milhões de cópias de seus dois álbuns consecutivos (Pink Friday: Roman Reloaded e The Pinkprint), sem que nenhuma outra rapper conseguisse fazer barulho o suficiente para perturbá-la. Até o fenômeno Cardi B acontecer.

Vinda do reality show Love & Hip Hop, Cardi mal começou a jogar e já teve duas músicas em #1 no Hot 100 (parada das músicas mais tocadas nos Estados Unidos) e um álbum no primeiro lugar do Hot 200, o Invasion of Privacy. Seu primeiro álbum alcançou o primeiro lugar da parada musical com o equivalente a 255.000 cópias vendidas. Como, infelizmente, já é comum de acontecer, algumas pessoas veem o sucesso da rapper de Bodak Yellow como um atestado sobre a perda de relevância de Nicki Minaj – prevendo que o destino dela pode ser o mesmo que o de Lil’ Kim ou Missy Elliott.

Minaj, por outro lado, iniciou sua relação com Cardi B aparentemente em paz, quando a parabenizou (via Twitter) por Bodak Yellow ter alcançado o primeiro lugar do Hot 100. Pouco tempo depois, as duas participaram da música Motorsport do grupo Migos – após o lançamento da música, Nicki disse que não sabia que Cardi também participaria. Tudo parecia bem até o último dia 10, quando todos foram ouvir o álbum “Queen” e perceberam alguns ataques bem diretos à mãe do filho do rapper Offset.

Como o próprio nome já deixa claro, nesse álbum Nicki Minaj se estabelece como a rainha absoluta do rap contemporâneo. Este é o tema principal, desde a primeira até a última música. As mais claras alusões à Cardi B surgem nas músicas Hard White e LLC, onde alguns versos falam sobre não precisar agir como uma prostituta para chegar em primeiro lugar (Cardi fala sem problemas sobre seu passado como prostituta) e sobre uma rapper que não rima, mas sim canta canções, porque paga outros rappers para escrever seus versos.

Até aqui, tudo bem. A competitividade é algo padrão da cultura hip hop, mas, tudo se complica quando o álbum da autoproclamada rainha do rap não vende tanto quanto o de uma novata no jogo. O Invasion of Privacy está no top 10 do Hot 200 até hoje (há exatas 19 semanas) e o single mais bem-sucedido de Nicki, FEFE, está uma posição abaixo de I Like It, um dos singles promocionais do álbum de Cardi B, no Hot 100. Eis um dos motivos para o “surto” da rapper veterana em seu perfil do Twitter.

Os outros motivos que chateiam Minaj são:

    • O boicote do Spotify quanto à divulgação de suas novas músicas porque elas foram transmitidas ao vivo no Apple Music 10 minutos antes do horário marcado para o lançamento em todas as plataformas de streaming, além do novo programa da rapper na plataforma da Apple, o Queen Radio;
    • Enquanto ela foi punida pelo Spotify, o mesmo não aconteceu com Drake, que é parceiro do Apple Music desde o início do aplicativo, também tem um programa de rádio lá e teve o Scorpion,seu último álbum, divulgado como nunca pelo Spotify, estando presente em quase todas as playlists do serviço;
    • A falta de apoio por parte de sua gravadora, a Republic Records, que não a defendeu por medo de um novo boicote do Spotify, porém dessa vez ao Sweetner, novo álbum de Ariana Grande;
Drake e Nicki Minaj.
      • Travi$ Scott está usando novas táticas para vender o Astroworld, como, por exemplo, incluí-lo nas vendas de produtos promocionais (as roupas foram o que mais irritou Nicki) e utilizar a influência de sua namorada, Kylie Jenner, para divulgar o álbum e sua próxima turnê, a Astroworld: Wish You Were Here Tour;
      • Nicki tem falado constantemente sobre alguém estar pagando os veículos de comunicação para criticá-la e menosprezar seu novo lançamento.

Por enquanto, isso é tudo o que está acontecendo com Nicki Minaj. Vamos esperar para ver quais serão os próximos capítulos dessa novela.

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