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Qual é o problema do Oscar com Pantera Negra e filmes de super-heróis?

Em 10 de dezembro de 1978 estreava nos cinemas americanos Superman, dirigido por Richard Donner e estrelado por Christopher Reeve, que é considerado como o primeiro filme de super-heróis a alcançar as telonas dos cinemas. Quase 40 anos depois – em 2018 – um dos principais representantes do que veio a se tornar um gênero cinematográfico, Pantera Negra, tem causado bastante burburinho em Hollywood, mexendo até com as estruturas do Oscar.

O problema é a variação que esse estilo de fazer cinema sofreu nos últimos 10 anos, principalmente devido a filmes como Batman: O Cavaleiro das Trevas(2008) e Os Vingadores(2012). O longa-metragem sobre o homem-morcego dirigido por Christopher Nolan rompeu os paradigmas entre o cinema de super-heróis e o cinema arte, sendo este último característico dos filmes indicados ao Oscar; enquanto um dos filmes mais lucrativos da história do cinema, Os Vingares, provou que o gênero veio para ficar.

Desde então, a discussão sobre a inclusão dos desses filmes na maior cerimônia de premiação do cinema mundial só fez aumentar. A indicação de Logan na categoria de “Melhor Roteiro Adaptado” do Oscar 2018 foi um bom avanço, porém, no mesmo ano, Mulher-Maravilha foi um dos filmes de maior sucesso de bilheteria e crítica mas acabou sendo completamente ignorado pela premiação. Para a próxima edição do evento, a polêmica da vez é se os membros votantes da Academia vão incluir ou não Pantera Negra em suas categorias.

Há alguns dias, o atual presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, John Bailey, anunciou algumas mudanças para o Oscar 2019. Dentre elas, está a criação de uma nova categoria: a de “Melhor Filme Popular”. Essa novidade reverberou sonoramente pela comunidade cinéfila e amante de cultura pop, pois muitos argumentam que a criação dessa nova categoria tem a intenção de atender à demanda pela inclusão de filmes de super-heróis na premiação, tendo em vista que estes são os que fazem maior sucesso de público ano após ano e a vertiginosa queda de audiência que a transmissão televisiva do Oscar vem sofrendo.

O presidente da Academia, John Bailey.

Pois bem, se para incluir filmes populares (que fazem grande sucesso de bilheteria) entre os indicados à prestigiosa premiação é necessária a criação de uma nova categoria, especificamente feita para estes, que não possuem igual ou maior qualidade que os nomeados à “Melhor Filme”, será que – caso essa regra valesse em sua época de lançamento – Titanic(1997) teria ganhado o maior prêmio da noite?

Sim, o filme de James Cameron foi o maior vencedor do Oscar de 1999 e ainda é o 2º filme com a maior bilheteria de todos os tempos, no mundo todo. Então isso significa que a Academia errou há 20 anos, dando o prêmio para um filme “popular” que não merecia? Depois de Titanic, outros filmes bastante populares ganharam na categoria de “Melhor Filme”, como Shakespeare Apaixonado(1998), Chicago(2002) e – até um filme de fantasia! – Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei(2003).

Mas esse problema não acontece só com os filmes produzidos pela Marvel ou pela DC, outro gênero também sofre bastante com esse preconceito: o dos filmes de animação. Existentes desde os anos 20 do século passado, esses filmes só passaram a ser devidamente reconhecidos pela Academia a partir da década de 1990, quando o clássico A Bela e a Fera(1992) foi indicado à “Melhor Filme” e Toy Story(1996) ganhou em 3 categorias: “Melhor Roteiro Original”, “Melhor Trilha Sonora” e “Melhor Canção”. Mesmo sendo considerados como obras-de-arte, até hoje, um filme de animação nunca ganhou o prêmio mais importante da noite. Contudo, em 2002 foi criada uma categoria específica para os filmes desse gênero, a de “Melhor Animação”.

Outro fator importante para levar em consideração são os já citados membros da Academia de Arte e Ciências Cinematográficas, que são quem escolhe os filmes indicados e, por conseqguinte, os vencedores de cada edição. Depois da #OscarsSoWhite, criada por April Reign em 2015, a então presidente da organização, Cheryl Boone Isaacs, prometeu dobrar o número de pessoas não-brancas e do gênero feminino dentre os votantes até 2020. A partir dessa declaração, a Academia tem convidado um número maior de pessoas para se tornar membros ano após ano.

O ator, cineasta e produtor Clint Eastwood.

Hoje, em 2018, foram admitidos 2.688 novos participantes. No total, são cerca 9.135 pessoas para votar nos diversos filmes indicados nas várias categorias. Desse número, somente 16% (1.462) são pessoas não-brancas e 31% (2.832) são mulheres. E não para por aí: atualmente, todos os 8 componentes da mesa de presidentes da organização são brancos e somente 3 são mulheres. Ou seja, a Academia é moldada à imagem de Clint Eastwood e, não, ele não gosta de filmes de super-heróis.

Voltando para Pantera Negra, nos últimos oito anos, os lucros totais de todos os ganhadores do prêmio de “Melhor Filme” somados (1.494.483,593) se igualam na verdade, passam um pouquinho de nada ao sucesso de vendas do blockbuster dirigido por Ryan Coogler (1,346,834,960). E, já que estamos falando a verdade, bem poucos desses filmes realmente mereciam ganhar na categoria.

Só nos resta esperar mais novidades sobre o Oscar 2019.

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