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Felicidade Por Um Fio, um filme sobre feminismo, empoderamento e o autoconhecimento da mulher negra

“Felicidade Por Um Fio” foi lançado nesta semana na Netflix e tem conquistado o público por falar sobre a jornada do empoderamento de uma mulher negra. A personagem principal descobre a necessidade de se empoderar. Durante o filme é abordado questões de feminismo, preconceito racial, criação de estereótipos e a autoestima da mulher negra.

Violet, interpretada por Sanaa Lathan, é uma publicitaria de classe média, que mal sabia da necessidade de se empoderar. Desde criança, foi ensinada a se portar em frente aos seus amiguinhos brancos no clube, a cumprir os padrões sociais e não poder nem mesmo entrar na piscina por causa do seu cabelo enrolado. Foi ensinada a seguir o desejo da sociedade acima dos seus próprios. A se importar em transmitir estar pronta para tudo, não deixando, assim, ser vulnerável, pois “aparência é tudo”, sua mãe dizia.

Então ela cresce com esses ideais em mente. Pensa que para ser feliz para sempre deveria sonhar em ser pedida em casamento, a ter o cabelo mais perfeito, e quando eu digo perfeito é o imaginário de beleza construído: liso. Mesmo que para isso fossem necessários procedimentos, o que resulta em muito sofrimento. A construção social em cima do cabelo liso é tão grande que a faz achar que para se sentir bonita deveria tê-lo e se não o tivesse, não seria aceita e plena consigo. Essa pressão é tão grande em cima da protagonista que em muitas vezes, ela se sente triste e com a autoestima baixa, utilizando até perucas para se adequar aos padrões normativos.

O filme retrata bem a vida da publicitaria, ao longo de sua fase sem conhecimento da importância do feminismo. Sempre foi ensinada a cumprir o estereótipo da mulher dependente de um homem e que precisava fazer de tudo para satisfaze-lo, transformando desse espelho social um retrato de suas campanhas. Sua realidade não é nem um pouco distante da nossa. De uma vez em sempre, essas campanhas aparecem para e reforçam esse estereótipo da mulher. É preciso refletir a importância da publicidade como local de fala. Elas acabam retratando a realidade preconceituosa da sociedade, por vezes.

A obra cinematográfica questiona a imposição da indústria do entretenimento, ao que diz respeito às mulheres, principalmente as negras, e a construção de padrões sociais, machistas e racistas.

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Ao ser dispensada pelo seu namorado, Violet acha que não é boa o suficiente para recuperar o que ela achava que faltava em si. Por isso, resolve tomar uma atitude drástica. Assume uma fase com cabelos loiros. Porém, tem o efeito contrario que ela esperava. Passa a se sentir mais desejada que antes, mas com raiva, infeliz com o cabelo e com a pressão de ser perfeita 24 horas por dia, 7 dias por semana. Em uma cena emocionante, se liberta de todo esse peso e decide raspar o cabelo. Arrepiante! Enxergando agora sua beleza genuína, e ao mesmo tempo sofrendo muito, tirando de si toda a materialização desse estereótipo, agora poderia se dedicar a outras partes dela mesma.

A personagem nunca antes havia deixado ser vulnerável para ninguém. A partir desse momento a jornada de autoconhecimento da mulher negra se inicia. O ato foi sim muito doloroso e difícil. Ela sofre muitos julgamentos que a deixam acuada e com medo do que os outros irão achar dela. Felizmente, conhece outras mulheres que a ajudam a aventurar seu amor próprio e sua necessidade de se empoderar e assumir seu verdadeiro eu.

Através de muita luta pessoal e com o mundo, descobre que é possível ser feliz consigo mesma. Influenciando, assim, o seu futuro profissional, pessoal e no das pessoas que a atravessam. Descobrindo cada dia mais o peso de repensar os conceitos que foram construídos na cabeça da pequena Violet. Entretanto, para descobrir como ela trilhará seu longo futuro de empoderamento, só assistindo ao filme.

“Felicidade por um Fio” retrata de forma muito verossímil a realidade, trazendo muitas pautas que são carentes em filmes contemporâneos. A importância da sororidade, da educação infantil, do autoconhecimento, das construções sociais em cima da mulher, além dos reflexos da publicidade na vida profissional e nos relacionamentos afetivos. Vale ressaltar também que a obra contém em sua maioria artistas negrxs, o que ainda é uma carência de Hollywood. Acredito que esses sejam motivos suficientes para você ir assistir! O longa metragem está disponível na Netflix.

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