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Kanye West está longe de ser um “pensador livre”, mas muito próximo de um ignorante alucinado

Kanye West durante encontro com Donald Trump na Casa Branca. (Foto: Andrew Harrer / Bloomberg)

Este texto está sendo escrito por alguém que é muito fã do Kanye West. O motivo são os recentes “escândalos” envolvendo o produtor, rapper e estilista, que são recebidos como verdadeiras bombas nucleares pela internet. Estou falando sobre a mais recente apresentação do artista no programa Saturday Night Live, o encontro com o presidente americano Donald Trump e a sua volta às redes sociais. O que une esses três momentos é o novo conceito criado pelo artista de que agora ele é um “pensador livre” que não se curva perante as pressões exercidas pela sociedade e diz/faz somente o que sente vontade.

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É, no mínimo, engraçado ver Kanye criticando o poder de influenciamento das redes sociais e da imprensa internacional quando, na verdade, o que o tem mantido vivo no imaginário de qualquer pessoa que o conheça é exatamente isto. Talvez seja pela associação com as maiores estrelas geradas por um programa do gênero reality show, a família Kardashian, que o rapper deixou de ser famoso por seu talento artístico e se tornou um ícone da polemicidade.

2018 está prestes a terminar como o ano em que o dono do hit Stronger produziu álbuns inteiros para cinco artistas, lançou dois CDs de sua própria autoria (caso o álbum Yandhi chegue às lojas ainda em novembro), trabalhou em duas coleções de roupas para a sua grife YEEZY e, mesmo assim, o que mais marcou as pessoas foram as suas opiniões políticas.

Post feito por Kanye West em seu perfil no Instagram.

O conceito de “pensamento livre” seria algo relevante caso houvesse algum tipo de embasamento que explicasse como West conseguiu chegar a este nível de blindagem mental contra toda e qualquer sugestão de opinião dada pelos meios de comunicação, ou caso ainda vivêssemos no período anterior à invenção da imprensa.

A principal motivação do artista em apoiar Donald Trump é porque o atual presidente dos Estados Unidos confirma sua teoria de que a fama pode ser utilizada contra o status quo e a favor dos interesses individuais de seus portadores, o que o faz acreditar que um dia ele também pode ser o líder político de sua nação. Todo esse narcisismo, somado ao contato cada vez menor com a realidade, faz com que Kanye se orgulhe em apoiar um presidente que não respeita e nem se importa com ninguém que não seja de seu interesse.

Donald Trump e Kanye West durante seu primeiro encontro, em dezembro de 2016. (Foto: Seth Wenig/AP/REX/Shutterstock)

Para um universo de fãs que se orgulhava de ver seu ídolo dizer ao vivo – em rede nacional – que “George Bush não se importa com pessoas negras”, que retratava o genocídio de jovens negros que ocorre na cidade de Chicago como nenhum outro rapper e que era o Superman de incontáveis jovens que sonham em trabalhar com sua criatividade, está sendo muito difícil se acostumar com o Kanye West dos últimos três anos. Essa é a mesma pessoa que, durante seu segundo encontro com Trump, afirmou que negros utilizam o racismo para se vitimizar, que o presidente americano é um de seus super-heróis e que ambos vão “tornar a América boa de novo”.

Sem contar o desserviço completo que é o marido de Kim Kardashian falando sobre saúde mental, estimulando pessoas diagnosticadas com problemas mentais a não se medicar e se autodeclarando bipolar para, recentemente, desmentir esta informação, dizendo que seu problema é só privação de sono. Em vez de a um “pensador livre”, todos estamos assistindo a um ignorante alucinado totalmente perdido em sua própria mente. E, como fã, eu digo isso com tristeza e muito amor.

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