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O que aconteceu com o Rouge?

O Rouge fez o seu retorno em comemoração aos 15 anos da formação do grupo há um ano. Com um show no Rio de Janeiro, vieram outros, que se tornaram uma turnê nacional, que emendou em outra e agora resultou em um EP de inéditas.

Nessa semana, o girl group lançou a sua primeira coletânea de músicas inéditas em 13 anos, desde o “Mil e Uma Noites”, em 2005.

Leia também: Nunca deixe de sonhar: como foi assistir a um show do Rouge depois de 15 anos

Talvez por estarmos acostumados com a indústria fonográfica linear do capitalismo, a gravadora e as meninas acreditaram que os fãs precisavam de novidades (e logo). Não que tenha sido uma péssima ideia presentear os fãs, só não era bem isso que era preciso.

Depois do sucesso dos shows, as meninas conseguiram finalmente o alvará da gravadora para colocarem as músicas antigas nas plataformas de streaming. Foi uma festa! O Rouge estava de volta às paradas das mais tocadas do país (pelo menos no Spotify).

Bailando

Após voltar com tudo, ter músicas antigas monetizando novamente, em fevereiro, as meninas se viram na obrigação de renovar o repertório e lançar o single “Bailando”. O público até que curtiu. A faixa é uma nova versão de “Ragatanga”. A música é realmente boa e a sonoridade é a mesma do Rouge de 2002. Os fãs que hoje em dia estão com mais de 25 anos ficaram felizes. Toda via, não era isso que eles precisavam em uma época de Anitta, Kevinho e Pabllo Vittar. Até porque eles mesmo não esperavam por um hit.

Alguns chegaram a chutar que com essa estratégia, elas gostariam de conquistar um novo público infantil. (?) Não acertaram nem de perto.

O single deveria ser como buzz para uma transição de sonoridade. Assim o público não estranharia quando viesse algo totalmente diferente.

Dona da Minha Vida

Continuando a fazer shows pelo Brasil inteiro, elas vieram com o segundo single, “Dona da Minha Vida”. A faixa muito mais madura que a primeira mostrou a evolução do grupo depois de tanto tempo. Karin, Aline e Fantine que eram mais ofuscadas passaram a dividir o holofote de forma mais justa com Lih e Luciana.

A novidade marcava de fato um novo Rouge preparado para brilhar novamente no pop brasileiro. Uma mensagem empoderada de mulheres maduras e bem resolvidas poderia ser o que seu público estava precisando. Realmente, a faixa teve mais destaque que a primeira e foi um tiro muito mais certeiro.

Ascensão

Elas ganharam o prêmio de Melhor Grupo no Prêmio Multishow 2018 e estavam vivendo uma ótima fase novamente. Seus fãs ainda não tinham certeza se precisavam de um material novo, até porque, às vezes, o artista pode surpreender. Aquelas músicas soltas novas pareciam agradar.

Quantas vezes já ganhamos álbuns e singles de nossos artistas favoritos com uma sonoridade que nem nós sabíamos que precisávamos? Beyoncé e Rihanna já cansaram de fazer isso.

Para lançar algo coeso a partir de então, deveria tentar trazer novos ares, como o último single mostrou.

5

Nessa semana, elas lançaram o EP “5”. Com cinco músicas, elas marcaram uma nova identidade.

O EP não é ruim. Aqui vos fala um fã do grupo, então dificilmente vou diminuir o trabalho dessas mulheres maravilhosas. Porém é um trabalho completamente desnecessário. Cinco faixas datadas com a fórmula pronta. “Dona da Minha Vida”, claro, é a única que destoa um pouco.

Com um cenário pop feito por Anitta, Pabllo, Gloria Groove e IZA, talento é apenas um detalhe. É preciso ter um diferencial. Faixas marcantes – o que o “5” não tem.

“Solo Tu” segue a receita Rouge de sucesso, que também não colou com “Bailando” – pop dos anos 2000 com frases em espanhol.

“Beijo Na Boca”, com a participação de Vitão, é um diferencial da coletânea, contudo, não empolga muito.

As outras são dispensáveis.

Novo álbum?

O grupo ainda não entendeu que não deve seguir o feijão-com-arroz da indústria fonográfica que apenas se preocupa em gerar monetização. A partir do momento em que elas voltaram à ativa uma década depois, elas já não fazem mais parte da fórmula mainstream de sucesso que funciona há anos. Passaram a ser uma linha fora da curva. Não adianta lançar single, fazer aparições na TV, clipes e achar que isso vai mantê-las no topo como em 2002. E nem é isso que os fãs querem.

Se elas querem monetizar seu sucesso com shows, poderiam se esforçar mais para lançar músicas que fossem empolgantes ao vivo, ou até mesmo novas versões das faixas antigas. Uma turnê nacional rende bastante mas elas não vão conseguir lotar casas de shows se acabarem com o nome que as deixaram no auge.

Há quem diga que o EP é um esquenta para o álbum. Os fãs ficaram 10 anos sem música, não seria alguns meses que os fariam abandonar o grupo, diferente de lançamentos fracos.

Agora a expectativa é bem baixa e a visibilidade do grande “comeback” foi perdida. Ainda não se sabe se é tão necessário um álbum. Pode ser que aconteça.

Vamos torcer para que elas se encontrem e venham com faixas memoráveis. Rouge, a gente torce muito por vocês! <3

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  1. Que matéria mais chata. O uso excessivo do “mas” deixou-a ainda mais entediante. Elogiar criticando não é elogio, principalmente vindo de um “fã”.

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