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“A Última Abolição” tenta nos educar sobre o fim da escravização no Brasil

Há 130 anos o movimento abolicionista brasileiro conseguiu sua maior conquista: a sanção da lei Áurea, em 13 de maio de 1888. Assinada pela princesa Isabel, a lei declarou extinta a escravidão no Brasil e revogou qualquer disposição anterior que dissesse o contrário. Entretanto, algo curioso é o apagamento histórico de toda a luta, por parte de pessoas negras, que teve como consequência esse momento. Além disso, o que acontece quando mais de oitocentos mil negros são alforriados e não recebem amparo algum do Estado? O documentário nacional A Última Abolição acaba de chegar aos cinemas brasileiros com o objetivo de esclarecer esses dois pontos em nossas mentes.

Com direção e roteiro de Alice Gomes, supervisão artística de Jeferson De e pré-roteiro/entrevistas de Luciana Barreto, o filme perde pouco tempo retratando o horrível cotidiano do negro durante a escravização brasileira – parte da história que já é contada exaustivamente por qualquer produção que busque falar sobre o tema – e parte imediatamente para os anos que precederam a abolição, retratando como o processo foi extremamente lento e feito de pequenas conquistas. O diferencial é o foco no protagonismo do povo preto brasileiro no que diz respeito a adquirir sua própria liberdade. O longa faz questão de exaltar nomes como André Rebouças, Maria Felipa de Oliveira, Luiz Gama, Dandara e muitos outros que foram essenciais para que seu direito mais básico, o de ir e vir, lhes fosse garantido.

A linguagem utilizada é bastante didática e sóbria, o documentário é composto, basicamente, de entrevistas com diversos historiadores, sociólogos, ativistas do movimento negro e advogados. O que destoa são os grafismos e animações extremamente coloridos que dão a impressão de ter sido pensados durante a pós-produção do filme e, por isso, não dialogam muito bem com os resultados das etapas anteriores da produção. O enredo aborda, principalmente, o final do século XIV, momento da abolição, e o decorrer do século XX, onde nós podemos acompanhar as consequências da maneira como ela foi feita, até chegar no século XXI. É quase uma hora e meia de uma aula sobre a real história do país que poucos tiveram o privilégio de ter acesso.

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Em tempos onde os resultados da falta de conhecimento sobre o passado são visíveis e amedrontam a muitos, é louvável a atitude da equipe de contar uma história tão essencial quanto esta. A Última Abolição estreou hoje (18/10) em salas de cinema por todo o país e, para saber mais informações, é só acessar as redes sociais do filme.

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