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A busca pela conexão humana em “Wilson”

Wilson, graphic novel do quadrinista norte-americano Daniel Clowes, é uma história sobre a busca frustrada pela redenção, através da retomada de vínculos afetivos, por mais disfuncionais que estes sejam.

Um homem comum, sem atrativos e que constantemente elabora justificativas para compreender tanto a condição humana quanto suas atitudes individuais é o protagonista desta história em quadrinho.

Como muitos de nós Wilson nutre o desejo intrínseco de se ligar às pessoas, já de cara ilustrado no capítulo que abre a obra.

Em 2017 a HQ foi adaptada para o cinema , dirigida por Craig Johnson e estrelado pelo ator Woody Harrelson

A narrativa é composta por 77 episódios distribuídos a cada página. Na trama, a morte do pai é o gatilho para que Wilson corra atrás dos elos que desfez. Para isso ele decide procurar a ex-mulher, Pippi e a filha que tiveram.

As investidas para se aproximar dessas personagens como pai e marido acabam frustradas e, mais uma vez, Wilson, acostumado a temer e driblar a solidão, se encontra completamente só, tentando estabelecer diálogos com desconhecidos. No entanto, as únicas pessoas que o acompanham ao longo da HQ é a cuidadora de sua cadela e um rapaz com quem divide a mesa numa cafeteria.

Wilson não é o mocinho, nem o herói, tampouco virtuoso ou politicamente correto. Sua existência não é insubstituível e essencial para as pessoas ao redor. Ele é puramente medíocre. E no fundo, todos somos como Wilson, porque o personagem de Clowes expia a mediocridade humana.

 

Somos indivíduos em busca de um elo genuíno com o outro – o desejo de amar e ser amados, reconhecidos nos ambientes que frequentamos, mas sempre há uma área de nossas vidas em que nos sentimos deslocados. Seja como profissional, pai, filho, companheiro ou avô.

Wilson encarna essas funções e é insuficiente em todas.

Com traços de niilismo, o título mescla o cotidiano banal com um tipo de humor que não redime os personagens. Logo, não há redenção na jornada do protagonista, mas isso não o impede de continuar tentando.

Conforme a narrativa avança, ela se mostra mais dramática e menos cômica. O leitor acompanha  a derrocada e a solidão de um individuo que falhou em todas as tentativas de criar aquilo que nos faz humanos, nos configura como animais sociais: a conexão humana.

Daniel Clowes também é autor das HQs Paciência e Ghost World, publicadas no Brasil pela editora Nemo.

 

 

Wilson.
Autor: Daniel Clowes
Páginas: 80 
Editora: Quadrinhos na Cia
Ano: 2012

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